Morashá
Em Latrun, Museu e memorial homenageiam combatentes

Em Latrun, Museu e memorial homenageiam combatentes

A cerca de 30 quilômetros de Jerusalém, em Latrun, no Vale de Ayalon, está situado o Yad La-Shiryon, Memorial e Museu para o Corpo de Blindados, de importância estratégica ao longo da história judaica.

Edição 104 - Junho de 2019


O museu foi construído no alto de uma colina estratégica nesse vale, onde durante o Mandato Britânico havia um posto policial inglês. A pedra fundamental do memorial, trazida do Sinai, foi colocada em 14 de dezembro de 1982 e, desde sua inauguração, em 1983, o Museu se tornou ponto de visitação de turistas israelenses e estrangeiros, de todas as idades.

Yad La-Shiryon é uma combinação de memorial em homenagem aos soldados do Corpo de Blindados de Israel que tombaram nas várias guerras enfrentadas pelo país desde a luta pela Independência, em 1948, e de museu a céu aberto, constituindo um dos mais diferenciados museus de tanques, no mundo. As marcas de combates foram deixadas, intocadas, bem como algumas palavras escritas em árabe na carroceria dos veículos capturados em conflito.

O local não foi escolhido ao acaso. Latrun, situada em lugar estratégico numa saliência no topo da colina, permite que de lá se observe a estrada que leva a Jerusalém. Empresta, também, seu nome ao mosteiro ali localizado e a um antigo povoado árabe destruído durante a Guerra da Independência de Israel. Porém, mais importante de tudo, Latrun está no cruzamento de várias estradas importantes que levam a um lugar muito especial: Jerusalém, que foi palco de inúmeras batalhas ao longo da história do Povo Judeu e de Israel.

Trata-se de lugar de importante significado histórico para os judeus, ao longo dos tempos. Lá se travou a mais dura batalha na Guerra de 1948, a Guerra da Independência, quando muitos soldados israelenses perderam a vida tentando tomar o local.

Na Antiguidade, o Vale de Ayalon assistiu a Joshua Bin-Nun enfrentar seus inimigos e derrotar os reis amoritas; ao Rei David vencer os filisteus. O mesmo com Judá, o Macabeu, ao enfrentar o exército selêucida sírio na batalha próxima a Emmaus1. Em 1187, os Templários fortificaram o castelo e, daquela época, resta apenas a torre. Em 1890, foi erguido o Mosteiro dos Monges Silenciosos, ou Trapistas, que foi destruído pelos turcos otomanos e reconstruído em 1927.

Após a revolta árabe em Eretz Israel, que durou de 1936 a 1939, os britânicos construíram a Fortaleza Tegart no alto da colina, para melhor observar e controlar a região. Os britânicos também construíram nas proximidades campos de prisioneiros onde mantiveram detidos judeus durante a luta pela independência.

Durante a Guerra de 1948, as forças israelenses não conseguiram conquistar Latrun, apesar de várias tentativas. A área era considerada estratégica porque as forças britânicas e a Legião Jordaniana ali estacionadas controlavam a estrada para Jerusalém e mantinham o cerco à cidade, atacando do alto os veículos que vinham de Hulda. Em junho de 1948 os israelenses conseguiram finalmente construir um acesso, a Estrada de Burma, que não podia ser vista a partir de Latrun, e, assim, permitiu o rompimento do cerco a Jerusalém. A área permaneceu terra-de-ninguém até 1967, quando, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou a Judeia e a Samaria, incluindo Latrun.

História e lazer

Considerado um dos mais heterogêneos museus de tanques do mundo, Yad Al-Shiryon mantém em exposição a céu aberto de mais de 160 tanques e outros veículos blindados que pertenceram às Forças de Defesa de Israel (FDI), e outros apreendidos durante os combates com inimigos ou comprados e doados por diferentes países. Destaques da mostra são os tanques da série Merkavá (desenvolvidos em Israel) e os tanques T-34, T-54, T-55, T-62. Os visitantes podem, também, ver de perto os famosos tanques alemães Leopard e o único T-72 de Israel, além de muitos outros.

Destaca-se, ainda, uma coleção de pontes móveis construídas pelas Forças de Defesa de Israel, que podem ser carregadas por tanques e erguidas durante combates. Outras peças dignas de nota são dois Panzers alemães da 2ª Guerra Mundial, um Panzer IV e um Stug III. Chamam a atenção, também, os carros de combate soviéticos, tradicionais fornecedores de armamento aos países árabes após a 2ª Guerra Mundial.

O edifício principal do memorial é a chamada Fortaleza Tegart. Ali estão uma moderna biblioteca com acervo totalmente computadorizado, uma sala com maquetes de tanques, bigas assírias e egípcias em tamanho real, esboços de Leonardo da Vinci, coleções de selos com imagens de tanques e outros veículos de guerra, além de uma sinagoga.

As paredes externas do edifício são uma lembrança da época da Guerra da Independência, quando o local foi usado pela Legião Árabe e pelos ingleses. A torre da fortaleza foi transformada pelo artista israelense Danny Karavan, e leva o nome de Torre das Lágrimas. Seu interior foi revestido de ferro extraído de um tanque e as gotas de água que escorrem pelas paredes (simulando lágrimas) vêm de um reservatório subterrâneo.

Três monumentos chamam a atenção: o Monumento às Forças Aliadas, uma escultura estilizada de um soldado carregando um companheiro ferido, e o muro com o nome dos 4.965 soldados do Corpo Blindado de Israel, mortos em combate em 1948 e nas demais guerras árabe-israelenses. O monumento aos aliados é composto por uma montanha de pedra no topo da qual estão os três principais tanques que faziam parte dos exércitos aliados nas diferentes frentes de combate: um Cromwell britânico, um Sherman americano e o T-34 soviético. Ao redor do monumento, as bandeiras dos 19 países e das organizações que participaram ativamente das lutas, entre as quais a bandeira da Brigada Judaica que fazia parte do exército britânico.

Os visitantes que passeiam pelo local, mais do que ver e subir em tanques e veículos de combate, têm a oportunidade de conhecer a história dos combatentes caídos através das exposições e material interativo no edifício principal do memorial. Conhecem seus nomes, seus rostos, seus sorrisos, suas patentes, suas unidades, seus atos e suas realizações, a soma de suas vidas e de suas histórias como indivíduos e como parte de um todo. Ali encontram uma exposição sobre a história e a herança dessas unidades, desde os primórdios do Estado de Israel até o presente, e o papel fundamental que desempenharam em cada uma das vitórias israelenses. Naquele local vive o espírito das divisões de blindados, de seus comandantes e de seus soldados.

Um dos pontos mais importantes de Yad La-Shiryon é um tanque instalado no topo de uma torre. Este é, também, o logotipo do Museu. Em 1979, por decisão do major general (Res.) Moshe Peled, o veículo foi içado ao alto da torre originalmente usada como um reservatório de água. O veículo escolhido foi um M4 Sherman, um dos primeiros tanques usados pelas FDI. Como a torre fora projetada para suportar apenas 25 toneladas e o tanque pesava 34, o motor e as engrenagens de transmissão tiveram que ser retirados.

Yad LaShiryon não é apenas um local de visitação turística, mas também uma oportunidade de se aprender um pouco mais sobre os desafios enfrentados por Israel, ao longo de sua história. Mais do que apenas conhecer um ponto turístico de Israel, os que lá vão desejam render suas homenagens aos combatentes que deram a vida pelo país.

1        Emmaus existiu como uma aldeia na antiga Palestina até 1967, localizada a uns 30 km a oeste de Jerusalém, no limite entre as montanhas da Judeia e o Vale de Ayalon.

BIBLIOGRAFIA

www.yadlashiron.com
www.tankmuseum.org
www.zionism-Israel.com