Morashá
Italianos agraciados por Yad Vashem Foto Ilustrativa

Italianos agraciados por Yad Vashem

Desde sua fundação, em 1953, até hoje, o Yad Vashem agraciou 22 mil pessoas com o título de ‘Justo entre as Nações do Mundo’. Foram homens e mulheres não-judeus que colocaram suas vidas em risco para salvar nosso povo das garras nazistas.Entre eles, muitos italianos.

Edição 59 - Dezembro de 2007


Na Itália, a vida dos 57 mil judeus que viviam no país mudou drasticamente a partir de 1938, quando foram outorgadas as "leis raciais". Além do governo fascista instituir um regime de segregação, judeus considerados "perigosos"- assim como a maioria dos 10 mil refugiados - foram enviados para campos de internamento ou obrigados a viver sob controle policial, em cidadezinhas da Itália central. Entretanto, por mais difíceis que fossem as condições, não corriam perigo de vida, pois Mussolini não acatou a exigência de Hitler de dar início às deportações.

A situação mudou radicalmente no dia 8 setembro de 1943, quando a Alemanha viu a Itália, seu antigo parceiro, render-se aos Aliados. No dia seguinte, tropas nazistas invadiram a península, dominando rapidamente grande parte do norte e do centro. A região se torna uma república neo-fascista, com Mussolini supostamente no comando, enquanto o sul está em mãos aliadas. Dias de terror iniciavam-se para os judeus na zona ocupada pelos alemães, pois, a Gestapo, ajudada pela polícia fascista, iniciou internamentos em massa e deportações. Dos 40 mil judeus que ainda viviam na Itália, em 1943, 8 mil foram assassinados pelos nazistas. O número não foi maior porque não houve, como em outros países, a cooperação ativa da população.

A seguir, as histórias de alguns italianos aos quais Yad Vashem concedeu o título de "Justo entre as Nações".

Giorgio Perlasca

Durante a pior fase do Holocausto na Hungria, o italiano Giorgio Perlasca, fazendo-se passar por adido comercial da Espanha, em Budapeste, conseguiu salvar 3 mil judeus.

Nascido em 1910, Perlasca lutou na Guerra Civil Espanhola com o contingente italiano ao lado das forças de Franco. De volta à Itália, passou a trabalhar numa empresa de importação de carne e foi enviado à Iugoslávia, onde testemunhou, em abril de 1941, a invasão alemã e a deportação de judeus. Nunca mais esqueceria o que presenciou.

Estava na Hungria quando o país foi invadido pela Alemanha, em março de 1944. Temendo ser preso por se recusar a obedecer a ordem de retornar à Itália, ocupada pelos alemães desde setembro 1943, Perlasca foi até a embaixada espanhola e apresentou ao embaixador Angel Sanz Briz uma espécie de certificado que recebera do regime de Franco, ao término da Guerra Civil espanhola, com os seguintes dizeres: "Querido irmão de armas, não importa onde você esteja, pode retornar à Espanha".

Sanz Briz escondeu-o numa vila da embaixada, onde Perlasca ficou dez dias, entregando-se, em seguida, às autoridades húngaras. Permaneceu preso por algum tempo, mas conseguiu fugir no dia 13 de outubro de 1944, dois dias antes do golpe que colocara no poder Férenc Szalasi, líder do partido fascista e anti-semita da "Cruz Flechada". Sem ter para onde ir, apelou para Sanz Briz, que lhe entregou um passaporte espanhol e convidou-o a trabalhar com ele. Sua principal função seria lidar com os casos de judeus de ascendência espanhola, que a Espanha se comprometera a proteger e estavam abrigados em casas-seguras que pertenciam à embaixada. A tomada do poder do partido pró-nazista teve terríveis conseqüências para os judeus de Budapeste. Várias centenas foram brutalmente assassinados e os 70 mil judeus da capital, confinados no Gueto Central.

Em 29 de novembro 1944, com o Exército Vermelho perto de Budapeste, Sanz Briz recebeu a ordem de deixar a cidade e ir para Suíça. Antes de o fazer, procurou Perlasca para lhe dizer que lhe conseguira um visto de saída alemão. Aconselhou-o a deixar o país e encontrar-se com ele na Suíça, dizendo-lhe: "Acredite-me, infelizmente, não há mais nada que possamos fazer aqui". Mas Perlasca já havia tomado a decisão de ficar na cidade. Apesar dos riscos, não queria abandonar os milhares de judeus cuja segurança e sobrevivência dependiam da presença de um diplomata espanhol credenciado. Os nazistas, ajudados pelos fascistas húngaros, haviam enviado milhares de judeus às Marchas da Morte, sob o rigoroso inverno daqueles nefastos meses de novembro e dezembro.

No dia seguinte, "Jorge" Perlasca apresentou suas "credenciais" às autoridades húngaras. Sem que Madrid soubesse nada a respeito, o italiano Perlasca se tornara o representante "oficial" do governo espanhol em Budapeste. Desempenhou o papel até 16 de janeiro de 1945, quando os russos ocuparam a área de Budapeste na qual estavam localizadas as casas sob proteção da Espanha.

Após a guerra, Perlasca chegou a admitir: "No início, não sabia o que fazer... mas, logo me senti à vontade em meu novo papel; continuei a dar salva-condutos e a cuidar dos judeus refugiados nas casas-seguras espanholas". Como representante da Espanha fascista, Perlasca tinha acesso às mais altas autoridades húngaras. E, em várias ocasiões, confrontou fascistas húngaros que queriam arrancar os judeus das casas para matá-los. Seu tom autoritário e suas ameaças sempre confundiam os fascistas, que se retiravam de mãos vazias.

Em seu diário, chegou a registrar suas atividades: "Dia 2 de dezembro. Novos raids nesta manhã. Eles renderam todos que não têm cartas de salva-conduto espanholas, mas consegui levá-los para nossas casas, prometendo que, até o final do dia, terei emitido para cada um deles uma carta de proteção". As anotações do dia 3 revelam sua ousadia em lidar com as autoridades húngaras: "Sucesso total! Fui recebido pelo vice-ministro do Exterior...Eu o lembrei que milhares de húngaros vivem em paz na Espanha, mas se, não importa a razão, a embaixada da Espanha e o governo húngaro não conseguirem chegar a uma solução satisfatória sobre os judeus sob proteção espanhola, o governo de Franco iria ter que rever suas relações com a Hungria. O vice-ministro me perguntou se deveria considerar isto como uma ameaça; respondi que sim! Em pouco tempo chegamos a um acordo, por escrito, obrigando todas as unidades militares húngaras a respeitarem as cartas de proteção emitidas pela embaixada de Espanha". No dia 25 de dezembro anotou suas recomendações a todos que viviam nas casas refúgios: "No mês passado pedi que guardassem suas armas, hoje peço que as mantenham prontas para se defenderem, no caso de serem atacados".

Perlasca e outros diplomatas, como Raoul Wallenberg e o Núncio Apostólico Angelo Rotta, que ainda estavam em Budapeste, tentaram interromper a deportação de judeus, apelando à consciência do regime húngaro. Num encontro com Monsignor Angelo Rotta, Perlasca lhe revelou a verdade. No início, o Núncio não acreditou, mas depois ficou feliz em saber como Perlasca enganara os nazistas. Disse-lhe, então, que, se um dia os nazistas descobrissem a verdade, sempre poderia encontrar refúgio com ele ou com a delegação suíça.

Quando o exército soviético tomou Budapeste, em16 de janeiro de 1945, Perlasca foi preso. No entanto, conseguiu fugir e, antes de voltar para a Itália, judeus que havia salvo lhe entregaram cartas de agradecimento. Uma delas dizia: "Soubemos que está deixando a Hungria para retornar a seu país. Queremos expressar a afeição, o reconhecimento e a consideração de milhares de judeus perseguidos pelos nazistas alemães e pelos fascistas húngaros, que ficaram sob a proteção da delegação espanhola. Nunca esqueceremos que você trabalhou, incessantemente, dias e noites, não só para nosso abrigo e sustento, mas, também, tomou conta dos velhos e dos doentes, com uma bondade que é difícil expressar com palavras... Seu nome nunca será omitido em nossas preces. Pedimos a D'us que o abençoe, pois somente Ele poderá justamente recompensá-lo".

Perguntado sobre as razões que o levaram a agir desta forma, dizia: "Eu me encontrei em uma situação e agi. Não podia ignorar o que acontecia a minha volta. Não podia ver pessoas sendo tratadas como animais... Não fui um herói... De repente, eu era um diplomata, com muita gente dependendo de mim. Acredito que o fato de ser um diplomata 'falso' foi uma vantagem, porque pude fazer coisas que um verdadeiro diplomata não poderia fazer...". E, ingenuamente, ele concluiu: "Qualquer um no meu lugar teria agido da mesma forma".

Em 1988, Giorgio Perlasca recebeu o título de "Justo entre as Nações". O governo italiano também o honrou, nomeando-o Commendatore Grand' Ufficiale e lhe garantiu uma pensão anual. Perlasca morreu em 1992.

Padre Arrigo Beccari e Giuseppe Moreali

Em julho de 1942, padre Arrigo Beccari ensinava no Seminário Católico de Nonantola, cidadezinha perto de Modena, quando chegaram à cidade 50 crianças judias originárias de toda a Europa, lideradas por Josef Itai. Rapidamente surgiria uma forte amizade entre Josef Itai e padre, os dois eram vistos freqüentemente juntos, debatendo até altas horas da madrugada sobre todo tipo de assunto.

Com a ajuda da organização judaica italiana Delasem, Delegazione Assistenza Emigranti, as crianças haviam deixado a Dalmácia (Iugoslávia), palco de combates entre o exército italiano e os partisans, para se refugiar em Nonantola, pois a cidade era um lugar seguro e tranqüilo.

A Delasem alojou as crianças em uma mansão abandonada, a Villa Emma, providenciando alimentos e outras necessidades e, em pouco tempo, o número foi aumentando até chegar a cem crianças.

Naquele fatídico setembro de 1943, com as tropas nazistas no poder, as crianças de Villa Emma voltaram a correr perigo. Padre Beccari e Giuseppe Moreali, o médico da cidade, sabiam que precisavam agir rapidamente para conseguir salvá-las. O primeiro passo foi escondê-las. O padre convenceu o reitor do Seminário, Ottaviano Pellatti, a permitir que parte dos jovens ficasse lá e os demais ele alojou nas casas de aldeões amigos. No seminário ficavam, também, armazenados alimentos e outras provisões, fornecidos pela Delasem. Mas, os nazistas e seus colaboradores sabiam que em Nonantola havia um grande grupo de crianças judias, e não tardou até irem ao seminário à sua procura. Pellatti assegurou-lhes que não havia nenhuma criança naquele local. Mas, era apenas uma questão de tempo até que os nazistas voltassem. Assim, era urgente tirá-las da cidade.

A primeira idéia foi embarcar os pequenos num trem como se fossem órfãos em direção a uma instituição no sul do país. Itai, vestido de padre, as acompanharia, e o grupo tentaria alcançar os aliados que estavam no sul. O plano demasiado arriscado foi descartado, optando-se por tentar levá-las para a Suíça. Moreali conseguiu documentos falsos para todas as crianças e seus responsáveis, num total de umas 120 pessoas. Os documentos assinados por Moreali, como suposto prefeito da cidade, identificavam-nos como italianos de Larino, cidade ao sul da Itália já em mãos aliadas. Mesmo esse plano era arriscado, pois a maioria mal falava italiano e seus documentos não passariam por um controle policial mais rígido, mas não havia outra opção - as crianças precisavam deixar a cidade e a Itália o mais rápido possível. Com os documentos, todos embarcaram em um trem rumo à fronteira suíça. Felizmente, a viagem correu sem contratempos e, na véspera de Yom Kipur de 1943, o grupo atravessou a fronteira da Suíça.

Ao descobrir a fuga das crianças, a Gestapo prendeu o padre Beccari, em Bolonha. Ele era, também, acusado de ajudar a resistência italiana, os partigiani. Durante meses foi torturado, mas manteve-se calado, não revelou os nomes de quem o havia ajudado ou informações sobre outros judeus escondidos. Acabou sendo libertado após a intervenção de seus superiores religiosos. Anos depois, padre Beccari escreveu: "Seria difícil apagar da memória o terror e o sofrimento daqueles dias, ou a minha felicidade em fazer o pouco bem que era minha obrigação fazer e que devia ser feito."

Em 1964, o padre Arrigo Beccari e o doutor Giuseppe Moreali receberam o título de "Justo entre as Nações". No ano seguinte, plantaram uma árvore na Avenida dos Justos, no Yad Vashem.

Bispo Giuseppe Nicolini e os padres Aldo Brunacci e Rufino Nicacci

Na pacata cidade de Assis, localizada na Itália central, um grupo de religiosos cristãos desafiou os nazistas. Um dia após receber a notícia da invasão alemã, o bispo de Assis, Giuseppe Nicolini, chamou o padre Aldo Brunacci e lhe disse: "Devemos organizar-nos para ajudar todos aqueles que estão sendo perseguidos, principalmente os judeus. Tudo deverá ser realizado com o máximo segredo. Ninguém, nem mesmo os padres que não estão diretamente envolvidos, devem saber algo sobre nossas atividades". A partir de então foi montada uma operação de resgate que fez da cidade um refúgio seguro para todos os perseguidos pelos nazistas.

O bispo Nicolini autorizou o uso dos mosteiros e conventos nos arredores da cidade, inclusive os locais para clausura, sendo ele mesmo quem presidia o comitê de ajuda para conseguir artigos de primeira necessidade. Sua residência, que já estava sendo usada como centro de ajuda para refugiados, passou a acolher judeus em fuga e a esconder seus objetos religiosos por trás de paredes falsas. Era o próprio bispo quem durante a noite se encarregava de rebocá-las.

Quem estruturava os detalhes da operação era o padre Brunacci. Era ele quem encontrava lugar nos mosteiros e conventos, quem providenciava que judeus fossem vestidos como monges e freiras e lhes fosse ensinado como parecerem "bons cristãos". Judeus relataram à comissão do Yad Vashem que o padre providenciava para que eles pudessem observar o Yom Kipur dentro dos mosteiros e conventos onde se escondiam. Num deles, as freiras prepararam a refeição para os judeus no final do dia de jejum. Sobre aquele momento, padre Brunacci escreveu: "Ao se sentarem para comer sua refeição após o jejum, os judeus não se sentiam mais como estranhos, entenderam que eram bem-vindos, que haviam sido recebidos com amor, como irmãos e irmãs. Foi um dia de intensa emoção".

A família Viterbi, originária de Pádua, composta pelo professor de química Emílio, sua esposa e suas duas filhas, foi uma das inúmeras a quem o padre Brunacci ajudou. Eles atestaram que, assim como inúmeros outros judeus, viveram abertamente em Assis, sob nomes falsos, suas filhas freqüentando as escolas locais. A população, que suspeitava da verdade, sempre se manteve calada.

O padre franciscano Rufino Nicacci, guardião do Mosteiro de São Damiano, foi outra das peças-chave no esquema montado. Procurava suprir todas as necessidades de seus protegidos, ministrando aulas para crianças, arrumando documentos falsos, providenciando até, quando possível, comida casher.

O esquema estruturado, que durou de setembro de 1943 até a liberação de Assis, em 17 de junho 1944, contou com a ajuda de 26 mosteiros e conventos na região e salvou 200 judeus. Após a guerra, o padre Brunacci afirmou que "nenhum dos judeus que a Divina Providência nos confiou, nenhum sequer caiu em mãos de seus perseguidores".

Em 1977 o bispo Giuseppe Nicolini e o padre Aldo Brunacci receberam o título de "Justo entre as Nações". O mesmo título havia sido outorgado, em 1974, ao padre Rufino Nicacci.

Lorenzo Perrone

Quem conseguiu sobreviver ao inferno que foi Auschwitz, precisava ter muita sorte. Para o prisioneiro judeu italiano Primo Levi, a estrela da sorte foi outro italiano que trabalhava no campo, Lorenzo Perrone. Em sua obra, Primo Levi descreve os rigores do campo e o homem a quem credita sua sobrevivência.

Primo Levi (ver Morashá nº 41 e 57), preso pelas forças fascistas em Turim em dezembro 1943, chegou a Auschwitz em fevereiro de 1944. Alguns meses depois passou a trabalhar ao lado de Perrone, um pedreiro italiano enviado para Auschwitz a serviço da empreiteira italiana que executava as obras em Auschwitz 3. Ao descobrir que moravam em cidades próximas, Perrone decidiu ajudar Levi a sobreviver. Deu ao amigo alguns trapos para usar debaixo do uniforme e, assim, aquecer-se, e todas as manhãs, durante seis meses, levava-lhe uma tigela de sopa que pegava escondido, à noite, na cozinha dos italianos.

Os trabalhadores italianos gozavam de privilégios impensáveis para os prisioneiros. Além de serem pagos e estar melhor alojados e nutridos, podiam se corresponder e receber pacotes de roupa e comida. Foi graças a Perrone que Primo Levi conseguiu mandar notícias para a mãe, escondida em Turim e, em agosto de 1944, receber uma carta e um pacote enviado por ela, contendo chocolate, biscoitos e leite em pó.

Quando, em janeiro de 1945, o campo dos trabalhadores italianos foi desmontado, Perrone decidiu voltar para casa a pé. A caminhada durou quatro meses. Em maio chegou a Turim e procurou a mãe de Primo, a quem disse para preparar-se para o pior, pois tivera informações de que este adoecera e era improvável que os alemães deixassem os doentes vivos. Mal sabia que na pressa de evacuar o campo, os guardas haviam abandonado os enfermos, que foram os primeiros a serem libertados pelos russos. Primo Levi estava entre eles.

Sobre Perrone, escreveu Primo Levi em suas obras: "Ninguém sabe o que devo a ele. Era um homem bom e simples, não fazia o bem para receber algo em troca...Um homem ajudando outros homens por puro altruísmo era incompreensível, estranho, como um salvador vindo do céu"...

Perrone voltou a Fossano, onde vivia antes da guerra. Sempre fora solitário e taciturno, mas depois de Auschwitz, ficou ainda mais. Primo Levi o visitava constantemente, trazia-lhe roupas e remédios, pedindo-lhe que parasse de beber, mas Perrone morreu pouco tempo depois, vítima de tuberculose.

Primo Levi acreditava que depois do que vira em Auschwitz, Lorenzo não queria mais viver. Antes de morrer contou para Primo que ajudou outros prisioneiros no campo de concentração, mas que não achava que devia falar do assunto.

Sua bondade deixou profunda marca em Levi, como o escritor disse em sua obra Se este é um homem: "Acredito que é graças a Lorenzo que hoje estou vivo; não tanto por sua ajuda material, quanto por ele me lembrar, constantemente, com sua presença, com sua natural e simples maneira de ser bom, que ainda existia um mundo justo fora de Auschwitz, alguma coisa e alguém ainda puro e íntegro, não corrupto...pelo qual valia a pena sobreviver. Graças a Lorenzo, consegui não esquecer que eu era um homem".

Até sua morte, em 1987, Primo Levi nunca deixou de mencionar a dívida que tinha com Lorenzo Perrone, o homem a quem devia a vida. Em 1998 o Yad Vashem conferiu o título de "Justo entre as Nações" a ele, que tanto o mereceu.

Notas:

1.Dawidowicz, Lucy, The War Against The Jews, 1933-1945, Editora Bantam, 1986, pág 369

2. ibid - pág. 403

Bibliografia:

· Paldiel, Mordecai, The Rightheous Among The Nations, Rescuers of Jews During The Holocaust, Yad Vashem - The Holocaust Martyrs' and Heroes' Remembrance Authority.

· Dawidowicz, Lucy, The War Against The Jews, 1933-1945, Editora Bantam, 1986.