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| Sucot, a festa das cabanas |
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| Foto Ilustrativa |
A festa de Sucot é caracterizada principalmente pela obrigação
do povo judeu de habitar em cabanas.
A sucá lembra as tendas (ou as nuvens celestiais) que serviram como habitação
para nossos antepassados durante os 40 anos que passaram no deserto do Sinai,
após o Êxodo do Egito.
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| Edição 42 - Setembro de 2003 |
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Celebramos Sucot após as festas de Rosh Hashaná (o ano novo) e Yom
Kipur. Mas não seria mais apropriado construir cabanas em Pessach, já
que o intuito desse mandamento é lembrar os milagres ocorridos na saída
do povo judeu do Egito? Muitos já se fizeram essa pergunta. Existe uma
resposta que é fundamental para se entender o significado de Sucot. Na
Terra de Israel, Pessach cai sempre na primavera. Habitar em cabanas, ao ar livre,
no verão, quando o calor dentro de casa é intenso, é agradável.
Porém, um Mandamento Divino não deve ser cumprido pelo fato de ser
agradável; não é assim que uma pessoa demonstra seu empenho
e devoção em cumprir a Vontade de D’us. Ao habitar dentro
de uma sucá durante o outono, apesar do frio, o povo de Israel demonstra
ao Eterno sua firme intenção de obedecê-Lo. A festa de Sucot
é celebrada durante o mês de Tishrei para mostrar que nem o frio,
nem o vento podem impedir-nos de cumprir a vontade de D’us.
Há ainda uma outra explicação: após Rosh Hashaná
e Yom Kipur é natural nos preocuparmos com o julgamento e os decretos Divinos.
Será que nossas preces em Yom Kipur foram aceitas? Será que fomos
perdoados? Mesmo sem saber a resposta e esperando pelo julgamento, construímos
cabanas logo após Yom Kipur.
Nossos sábios ensinam que o exílio serve como expiação
de pecados. Portanto, ao construir cabanas após Yom Kipur, é uma
forma de dizer ao Todo Poderoso: se algum de nós foi condenado ao exílio
(que D’us não o permita), que a mudança de endereço
de nosso lar para a sucá sirva como cumprimento da sentença. Assim,
ao cumprir este mandamento de D’us, possa a sentença ser considerada
como cumprida e o perdão e a absolvição, conquistados.
Sim, é inacreditável! O ato de deixar a nossa residência permanente
e mudar-nos para a sucá pode ser considerado um exílio.
Daí deduzimos o quanto nossos atos são preciosos e importantes
perante D’us. O judaísmo ensina que mesmo os atos mais simples e
aparentemente insignificantes são de grande valor para o Eterno.
Os significados das leis da sucá
As leis das sucá, além de serem bastante específicas, dão-nos
importantes lições de vida.
O Talmud ensina que a palavra sucá é derivada de schach que, em
hebraico, significa cobertura. A sucá é uma habitação
formada por paredes e teto. Para a fabricação das divisórias
pode-se usar qualquer tipo de material sólido (pedra, madeira, ferro, vegetal,
plástico e até junco). Porém, para construir a cobertura
da cabana onde se deve habitar durante Sucot só é permitido usar
material vegetal recém-cortado, como folhagem, bambu e madeira, entre outros.
As paredes da sucá simbolizam o status social do indivíduo ou da
família que a constrói. Elas representam sua posição
socioeconômica e o patrimônio adquirido ao longo dos anos. Por isso,
a construção das paredes da sucá pode ser feita com qualquer
tipo de material, do mais simples ao mais luxuoso. É até permitido
construir uma sucá com paredes de ouro ou prata. Mas a lei determina que
o schach que é o elemento fundamental da sucá seja feito de um vegetal
cortado, que praticamente não tem valor econômico.
Para cumprir o mandamento da sucá, deve-se habitar debaixo da sombra provida
pelo schach. Esta sombra representa a proteção Divina que todas
as pessoas das mais bem-sucedidas às mais humildes necessitam e almejam.
Por representar a Proteção Divina, o schach não pode ser
feito de material industrializado pelo ser humano. Ao cobrirmos a sucá
com o vegetal tal qual é encontrado na natureza, a nossa intenção
é demonstrar que somos todos parecidos e todos necessitamos da proteção
do Criador .
Outra lei referente a sucá é a exigência de que dentro da
cabana a sombra seja mais importante de que a luminosidade. Por isso, devemos
colocar bastante folhagem no schach para que a luz do sol não penetre tanto
na sucá. O sol, neste caso representa as posses materiais. Em Sucot, nossa
preocupação é com a sombra e a proteção Divina,
que aquecem muito mais que o astro-rei.
A Sucá também não pode ser construída com paredes
que tenham altura maior que 9,6 m. O Talmud explica a razão: se as paredes
da sucá fossem mais altas, a pessoa estaria sentada sob a sombra das paredes
e não do schach, como manda a lei. E esta, apesar de aparentar ser exclusivamente
técnica, tem uma simbologia significativa. A pessoa deve residir sob a
sombra do schach, ou, como vimos, a proteção Divina. Se sentasse
debaixo da sombra resultantes de paredes altas, a pessoa estaria demonstrando
que confia mais em suas posses materiais simbolizado pelas paredes da sucá,
como explicado acima do que no amparo de D’us.
É esta a finalidade explícita para a construção da
Sucá. Uma outra lei de Sucot estabelece que uma sucá que foi construída
no ano anterior perde sua validade se não for, de alguma forma, alterada.
O Talmud explica que o mandamento da sucá, como outros da Torá,
deve ser cumprido de forma ativa: Taassé veló min Heassui o que
quer dizer, em hebraico "faça e não [repita o mandamento] que já
está cumprido".
O ensinamento de "Taassé" veló min Heassui” é claro,
categórico e universal: faça você mesmo as coisas e não
espere que os outros as façam por você! Não fique de lado
olhando e criticando! Arregace as mangas e coloque a “mão na massa”!
Este conceito é a base do judaísmo e de uma vida significativa.
A prática do judaísmo não é concretizada com pensamentos
e palavras, mas apenas com atos. O ser humano costuma ter um olho crítico:
reclama do comportamento de seus semelhantes, chama a atenção de
outros e faz pouco caso das agruras alheias. Este não é o desejo
de D’us, nem o caminho da Torá. Nossos sábios ensinam que
a vontade Divina pode ser cumprida apenas com bons atos.
Conclusão
Para concluir, existe ainda um outro motivo pelo fato de comemoramos Sucot no
mês de Tishrei. A sucá, devido à fragilidade de sua estrutura,
é uma moradia provisória. De fato, a Torá exige que a sucá
seja construída como uma moradia provisória; caso contrário,
é inválida para o cumprimento do mandamento. Por que a sucá
deve ser uma cabana e não uma bela residência? Para nos lembrar que
a vida é passageira. Ao se referir à vida do ser humano, o Salmista
declara: "Yamav ketsel over"
seus dias são como uma sombra que passa. Consta no Midrash que nossa vida
na Terra não é comparável à sombra de uma parede,
nem à de uma árvore, mas à sombra de um pássaro que
voa.
Aquele que se conscientiza deste grande ensinamento do judaísmo, desde
o início do ano, saberá valorizar seu tempo e transformar cada dia
de sua existência terrestre numa vida útil e produtiva.
Rabino Avraham Cohen
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