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Protetorado Francês

Os judeus da Tunísia acolheram o Protetorado Francês com entusiasmo, certos de que sua condição melhoraria sob a égide de uma França que havia sido a primeira, na Europa, a emancipar seus correligionários. De fato, a situação econômica da comunidade prosperou em favor da economia colonial, apesar de muitas de suas expectativas num primeiro momento terem sido frustradas. Entre estas, a possibilidade de se tornarem cidadãos franceses. A França não tinha condedido aos tunisianos tal possibilidade, assim como fizera na Argélia.

Sob o Protetorado Francês outras escolas da Aliança Israelita foram abertas em Túnis, Sousse e Sfax. A escolaridade das novas gerações gerou a aculturação da população judaica. As famílias abastadas abandonaram o bairro judeu, o “hara”, para se instalar nos novos bairros “europeus”. Gráficas judaicas foram fundadas, sendo impressos livros de reza e tratados talmúdicos compostos pelos rabinos tunisianos, além de publicações em judeu-árabe.

Uma literatura popular em judeu-árabe, redigida em caracteres hebraicos, desenvolveu-se a partir dos meados do século 19. Foram produzidos aproximadamente 1.200 textos nesse período. Havia também 60 jornais. Em seu apogeu, a literatura local ultrapassou as fronteiras da Tunísia e passou a ser lida em todo o Magrebe, de Bengazi a Casablanca. A adoção da cultura e dos hábitos franceses se intensifica. A ocidentalização se reflete também nos novos costumes familiares e no enfraquecimento das práticas religiosas nas classes consideradas “evoluídas”. As publicações em judeu-árabe são deixadas de lado, em troca de jornais e revistas franceses. Depois da Primeira Guerra Mundial, os escritores judeus tunisianos publicam suas obras em francês.

Logo após a Primeira Guerra Mundial, a comunidade judaica, por um decreto de 20 de agosto de 1921, passou a ter um Conselho de Administração eleito com representação proporcional de “livornenses” e “tunisianos”. Assim, a população judaica era representada em todas as assembléias do país.

Dois anos depois, uma lei francesa permitiu a concessão da nacionalidade francesa e muitos judeus tunisianos – estima-se que aproximadamente 35 mil, de 1923 a1956 – obtiveram sua naturalização. Preconizada por muitos judeus, a naturalização foi combatida pelos “tradicionalistas”, que acreditavam que acelerava a perda de valores judaicos, assim como pelos sionistas, que acreditavam numa solução nacional para a questão judaica, e também pelos marxistas, que desejavam ver os judeus unirem o seu destino ao de seus compatriotas muçulmanos.

Os laços entre a comunidade da Tunísia e Eretz Israel se mantiveram fortes e o crescimento do movimento sionista na Europa inspirou a formação de diversas organizações sionistas, entre as quais, Agudat Sion, Yoshevet Sion e Terahem Sion que, em 1920, unificaram-se formando a Federação Sionista Oficial. Cursos de hebraico moderno proliferaram e havia um grande interesse pelos problemas sociais, econômicos e políticos da comunidade judaica da então Palestina. Em 1929 foi criado, na Tunísia, um movimento pioneiro, Hashomer Hatzair, seguido, em 1933, do movimento Betar.

A situação dos judeus deteriorou-se novamente quando a França foi ocupada pelos alemães, em 1940, e o governo de Vichy adotou as mesmas leis anti-semitas da Alemanha não apenas em território francês, mas também em todos os seus protetorados. Após a vitória dos aliados em El Alamein, em outubro de 1942, as forças alemãs ocuparam a Tunísia e assumiram o controle sobre o destino de 105 mil judeus. Imediatamente, todas as organizações comunitárias foram abolidas e todos os judeus tiveram que usar a Estrela de David amarela em suas roupas. Cinco mil jovens foram levados a campos de trabalhos forçados e a comunidade teve que pagar uma multa de vinte milhões de francos. Os bens de todos os judeus foram confiscados.

Felizmente, os alemães derrotados pelas forças aliadas na África deixaram a Tunísia em 1943, meses antes de conseguir implementar seus planos de aniquilação de toda a população judaica, como vinham fazendo na Europa.

Com o fim da ocupação alemã, os direitos dos judeus foram restaurados. Em 1945, os judeus somavam 105 mil pessoas, das quais 65 mil em Túnis. Houve um renas-cimento da vida judaica intelectual e cultural.

A Tunísia vivia também um momento especial em sua história, com o surgimento de um movimento nacionalista que passou a lutar pela independência do país. Sob o comando de Habib Bourguiba, o grupo começou a se articular em meados de 1930 e contou com a participação de inúmeros judeus, entre os quais André Barouche. A independência foi conseguida em março de 1956 e Bourguiba foi o primeiro presidente do país. Ele incluiu em seu governo o seu companheiro de luta, Barouche.

A intolerância em relação aos judeus, no entanto, continuava latente, disfarçada sob o manto de uma convivência pacífica. Bourguiba ordenou a dissolução de todas as organizações judaicas e a sua unificação em um único órgão, denominado Conselho Religioso Judaico, cujos membros eram indicados por ele. Determinou também a destruição do antigo bairro judeu, incluindo a mais antiga sinagoga de Túnis. Apesar disso, a Tunísia se destaca entre os países árabes por sua atitude moderada em relação ao Estado de Israel. Mas o crescimento da intolerância em reação aos judeus é proporcional à evolução do conflito árabe-israelense. As manifestações e atos de violência aumentaram consideravelmente durante e depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a Grande Sinagoga de Túnis foi incendiada diante dos olhos da polícia. Centenas de lojas de judeus foram atacadas e destruídas, assim como carros e outras propriedades. Bourguiba fez um apelo pelo rádio, pedindo o fim da violência e lamentando o ocorrido.

Os fatos, no entanto, trouxeram de volta à memória dos judeus o clima de intolerância tantas vezes registrado na história do país, ao longo dos séculos, e a emigração para Israel passou a ser uma séria possibilidade. Dos 105 mil judeus que havia no período da luta pela independência tunisiana, restavam apenas 23 mil, no final de 1967, e nove mil, em meados de 1990. Cerca de 53 mil foram para Israel. Atualmente, há apenas cerca de 1.500 judeus no país, que vivem principalmente em Túnis e em Djerba, uma ilha ao sul, na qual está localizada a sinagoga de Ghriba (Morasha nš 36 ).

Esta sinagoga, inclusive, foi palco de um atentado terrorista cometido pela Al-Qaeda, em abril de 2002, quando um carro com botijões de gás foi explodido em frente à instituição. Dezoito turistas alemães e dois franceses morreram. Outros atos de terrorismo foram registrados nas sinagogas de Marsa e de Sfax.n


"A vida dos judeus na Tunísia foi muito dura nessa época, em particular durante o governo dos imperadores romanos Vespasiano e Adriano"


"Uma literatura popular em judeu-árabe, redigida em caracteres hebraicos, desenvolveu-se a partir dos meados do século 19. Foram produzidos aproximadamente 1.200 textos nesse período."


Bibliografia:

• Sitton, David, Sephardi Communities Today;
• Attal, Robert e Sitton, Claude, De Carthage à Jerusalem: la communauté juïve de Tunis;
• Hadassah Magazine,Tunísia;
• Stillman, A., Norman, The Jews of Arabs Lands;
• Rosenzweig, Alexander, Los Muestros, The History of the Jews of Tunisia;
• The Jews in Arab Lands in Modern Times;
• Gubbay, Lucien e Levy, Abraham, The Sephardim;
• Shapiro, Haim, Jerusalem Post, Heat in Tunisia;
• Jewish Chronicle, Hit Singles.
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