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Aprendendo com a destruição

O Talmud nos ensina que o primeiro Templo Sagrado de Jerusalém foi destruído por causa dos atos de idolatria, homicídios e imoralidade, comuns entre os judeus. Durante a época do Segundo Templo, os judeus estudavam a Torá e respeitavam suas leis, além de praticar atos de caridade. Todavia, eles se odiavam. Nossos sábios equiparam o ódio infundado com os pecados capitais da idolatria, imoralidade e homi-cídio.

Um midrash lança mão da linguagem figurativa para relatar o seguinte conto e a lição óbvia a ser tirada: na noite de Tisha B’Av (a data que marca a destruição dos dois Templos Sagrados), a alma de nosso patriarca Avraham adentrou o “Santíssimo” – o lugar mais sagrado do Templo em que apenas o Sumo Sacerdote, o Cohen Gadol, podia entrar em Yom Kipur. O Todo-Poderoso, Bendito Seja, segurou a mão de Avraham e o fez caminhar com Ele. D´s perguntou, O que te traz, filho amado, à Minha Casa?” (Jeremias 11:15). Avraham respondeu: Meu D´us, onde estão meus filhos? D´us disse, Eles pecaram, portanto os exilei entre as nações. Avraham argumentou, Mas não havia nenhum virtuoso entre eles?
D’us explicou, …Cada um se regozijou com a ruína do outro (Midrash Eicha Rabba 1:21).

A história de Kamtza e Bar Kamtza é simbólica desse ódio infundado e de como as pessoas respeitavam “a letra” da Lei, mas desonravam seu “espírito”. A lei judaica permite violar até mesmo uma proibição da Torá por meio da oferenda de um animal maculado no Templo em prol da manutenção de boas relações com um governo não-judaico, evitando, dessa forma, o risco de perder vidas. Todas as proibições, com exceção da idolatria, assassinato e atos imorais como adultério e incesto, são permitidos quando o objetivo é o de sal- var vidas. O Talmud também ensina que a tolerância e a compaixão quando mal orientadas, como no caso demonstrado pelo Rabi Zechariah ben Avkulus, levaram à destruição do Templo. Qualquer pessoa que esteja, de forma justificada, incitando o governo contra seus irmãos judeus, pode ser condenada à morte. Por outro lado, o sábio que não permitiu o sacrifício de um animal maculado no Templo também recusou sentenciar Bar Kamtza à morte, apesar de sua trama diabólica.

Há muitas lições a serem tiradas do incidente entre Kamtza e Bar Kamtza e da guerra civil insensata que resultou na Diáspora de quase 2.000 anos. Mas, acima de tudo, há a lição do Talmud na conclusão dessa trágica história: Rabi Elazar disse: ‘Venham ver como é grande o poder da vergonha! Pois o Todo-Poderoso, Bendito Seja, permitiu que Bar Kamtza se vingasse da vergonha pela qual passou e Ele destruiu Seu Templo’” (Gittin 57a).

Nossos sábios ensinam que, como os judeus foram exilados de sua Terra natal por causa do ódio infundado, a Diáspora se encerrará quando eles praticarem o amor com desprendimento. O Primeiro Templo foi destruído porque o povo menosprezou a Torá. O Segundo Templo foi destruído porque os judeus se desprezaram. O Terceiro Templo será erigido quando os judeus aprenderem a seguir a Torá, realizando atos de caridade e bondade entre si. Há uma tradição segundo a qual o Messias, que será o construtor do Terceiro Templo, nascerá em Tisha B’Av. Este dia de luto e jejum, em que comemoramos a destruição de ambos os templos, será então revertido e o celebraremos com grande júbilo.

A prece para a reconstrução do Templo e o fim da Diáspora judaica é dita todos os dias pelos judeus do mundo inteiro. Três vezes ao dia rezamos o Shemone Esré (Amidá) com a seguinte meditação: “Que seja Tua Vontade, Senhor nosso D’us e D’us de nossos antepassados, que o Templo Sagrado seja reconstruído, rapidamente, em nossos dias. Outorga-nos nosso quinhão na tua Torá, e que possamos servir a Ti com reverência, como nos dias de outrora e nos anos passados.

Bibliografia:

• Jewish Literacy - Rabbi Joseph Telushkin; William Morrow and Company, Inc.;
• Tisha B’Av - Texts, Readings and Insights; Artscroll Mesorah, Inc.;
• Talmud Bavli - Gittin 55b-56a.
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