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| Judeus de Brasília lutam pela continuidade |
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| Foto Ilustrativa |
A Associação Cultural Israelita de Brasília (Acib) é o
centro cultural,
social e religioso das estimadas 120 a 150 famílias judias que
vivem em Brasília.
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| Edição 41 - Junho de 2003 |
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"Brasília é a capital do Brasil e deve ter uma representatividade judaica à sua altura", afirma o carioca Samuel Goldner, presidente da (Acib).
Palestras, encontros, almoços, além das festas judaicas e cerimônias semanais de Cabalat Shabat são conduzidos na instituição.
Uma grande menorá identifica a entrada da Acib. No entanto, quem passa pela Entrequadra não enxerga nada além do símbolo judaico. É que o prédio da Acib foi construído num grande terreno rebaixado, um verdadeiro "buraco". A idéia
era construir uma sinagoga no andar térreo. Não é raro o visitante desavisado chegar corretamente ao endereço, mas simplesmente não encontrar a
Acib e dar meia-volta. Além disso, para se chegar ao prédio é preciso descer
uma íngreme escadaria, um obstáculo a mais para os idosos. A casa tem um
amplo salão, onde é realizada a maioria dos eventos, além de algumas salas,
entre as quais uma sinagoga provisória, onde o jovem paulistano Daniel Fligentaub conduz regularmente as cerimônias de Cabalat Shabat. Aos 22 anos,
este estudante de Direito é também o professor de Bar Mitzvá e coordenador
da Chevra Kadisha. De forma esporádica, o rabino Yossef Simonowits, do Beit Lubavitch do Rio de Janeiro, realiza um Shabat na Acib, que dispõe também de uma mikvê (da qual Fligentaub é o mashguiach, ou seja, o supervisor). "É
bastante difícil viver numa cidade onde não há um rabino para se consultar
ou com quem estudar", observa o rapaz. Atrás da casa da Acib há um espaço de terra batida, de cor avermelhada, onde a sucá é montada à sua época e que
serve de estacionamento ao longo do ano. De fato, espaço não é problema para a única instituição judaica de Brasília, há quase quatro décadas ainda inacabada. O que é falta é o interesse em investir na instituição.
O também carioca Samuel Szerman é o diretor cultural da Acib e uma das suas
mais importantes vozes. Ele também lamenta a falta de investimentos para as
melhorias necessárias e o baixo engajamento comunitário. Quanto aos
projetos, é categórico: "Que projetos? Com quem? Com que dinheiro?",
desabafa. "Ninguém se preocupa conosco. Nem mesmo muitos daqui", completa.
As resposta pessimistas, no entanto, não representam o verdadeiro espírito
batalhador de Szerman, um incansável profissional de Relações Públicas
aposentado, que é um dos pilares da comunicação da comunidade.
Histórico
Embora o Distrito Federal tenha uma comunidade judaica relativamente pequena, os judeus sempre estiveram vinculados, de alguma forma, à região, mesmo antes da construção de Brasília. Já em 1953, era criada a Comissão de
Localização, cujo objetivo era delimitar a área do então estado de Goiás, onde seria construído o futuro Distrito Federal. Nessa comissão, havia um judeu, o geógrafo e historiador Salomão Serebrenick z"l.
O ano de 1958 tem uma grande importância histórica para os judeus de Brasília, quando foi realizada a primeira manifestação de religião judaica
na 'Cidade Livre', como era chamado aquele aglomerado urbano com cara de "faroeste", em pleno cerrado brasileiro. Numa parte reservada do restaurante italiano Adele, embora sem as condições ideais, foi celebrado um seder de Pessach.
Pode-se dizer que esse período imediatamente posterior à inauguração de Brasília (21 de abril de 1960) representa, de fato, o estabelecimento de uma comunidade judaica, no sentido mais exato da palavra. Não só aumentou o número de judeus, como as pessoas passaram a se reunir, festejando as datas
religiosas e discutindo as questões judaicas. Também nessa época a cidade
passou a receber um outro tipo de judeu: o brasileiro, funcionário público,
que vinha transferido do Rio de Janeiro para a nova capital. Este era o
caso, por exemplo, de Salomão Bensusan e Germano Galler, que tiveram uma
participação muito ativa na formação da Associação Cultural Israelita de Brasília, em 1964. Galler contava que, em 1960, havia uma associação informal chamada Grupo de Amigos de Israel (GAI), que se reunia em sua casa.
Esse núcleo foi o embrião do grupo que, anos depois, criou a Acib.
Em 1961, Brasília recebe pela primeira vez a visita de um Rabino, Michel Leipziger. "A pedido de um grupo de três casais judeus liderados por Jedydia Worcman, fui a Brasília encaminhado pelo Rabino Lemle, z"l, do Rio de Janeiro. Havia entre os casais um que acabara de ter um menino, talvez o primeiro judeu nascido na nova capital", conta.
Consolidação do ishuv
O ano de 1964 representa um marco histórico na presença dos judeus no Distrito Federal. A coletividade ainda era bastante reduzida, mas já havia um sentimento de integração entre os pioneiros que se radicaram no Núcleo Bandeirante, a partir de 1957, e os que chegaram posteriormente à cidade. Começou, então, a amadurecer a criação de uma entidade que congregasse os
judeus de Brasília e cidades-satélites. Foi quando surgiu a Associação Cultural Israelita de Brasília. Vale a pena frisar que as mulheres da coletividade já haviam criado um núcleo da Wizo, entidade de caráter filantrópico, na nova Capital.
Se fundar a Acib foi relativamente fácil, difícil foi mantê-la ao longo dos anos e, mais difícil ainda, construir a atual sede. Naquele primeiro ano de existência, a Acib debateu-se com um problema de identidade: era uma associação cultural e recreativa ou uma organização religiosa? Mas, uma reunião realizada em 21 de outubro de 1964 definiu a questão: a Acib não tinha caráter predominante religioso. Já nessa época, a comunidade judaica de Brasília enfrentava dois problemas principais: além de ser reduzida, seus integrantes eram obrigados a fazer constantes viagens para cuidar de suas obrigações profissionais ou mesmo para tratamento de saúde.
Por volta de 1970, a população judaica era extremamente rarefeita: apenas 80
famílias. Talvez isso tenha dificultado não só a expansão da Acib, mas também da própria B'nai B'rith. A entidade foi fundada em Brasília em 1973, no mesmo dia em que foi lançada a pedra fundamental da Embaixada de Israel. Mas não prosperou. Em 1982, o rabino Michel Leipziger volta a conviver com a comunidade judaica de Brasília. Sua estada em Brasília se encerrou em abril de 1984 e muitos membros da comunidade se lembram dele.
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