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Antes da Declaração da Independência

Antes mesmo da Declaração da Independência, havia um consenso entre os líderes militares sobre a necessidade de assumir o controle sobre o território no qual, segundo as determinações da Partilha da Palestina, deveria ser criado o Estado de Israel. A situação de fato da presença judaica em algumas áreas permitiria às comunidades locais estarem melhor preparadas para enfrentar o inevitável ataque dos exércitos árabes.

Dentro dessa perspectiva deu-se início, então, à chamada Operação Nachshon, nos dias 5 e 6 de abril de 1948. Seu principal objetivo seria restabelecer o contato com Jerusalém. Por ser a primeira grande ofensiva, foi assim denominada em lembrança ao personagem bíblico Nachshon Ben Aminadav, o primeiro he-breu a entrar no Mar Vermelho após a saída do Egito. Foi a primeira grande missão da Haganá e também a primeira realizada por uma brigada. Contando com 1.500 homens, foi coordenada pelo comandante Shimon Avidan, da Brigada Givati.

Saindo do Kibutz Nachshon, os combatentes partiram em direção a Jerusalém, capturando o campo de Wadi a-Sarrar, o povoado de Hulda e Deir Muheisin. Simultaneamente, o vilarejo de Beit Machsir, na região de Bal el-Wad, foi atacado por forças da Palmach, também auxiliando no desbloqueio da estrada para Jerusalém. Apesar de alguns contra-ataques árabes, no dia 13 de abril um comboio judaico partiu de Hulda para Jerusalém e retornou em segurança. A estrada estava, finalmente, liberada para a passagem de suprimentos para a população judaica da Cidade Santa, pelo menos durante algum tempo. Segundo estudiosos, a Operação Nachshon simbolizou a transição de uma luta de guerrilha para operações militares de grande escala capazes de infligir pesadas perdas aos inimigos ou para capturar territórios.

Ainda em abril de 1948, as forças judaicas fizeram alguns avanços no sentido de sedimentar sua presença, desta vez na região da Galiléia. Assim, no dia 18 de abril, unidades do Palmach e da Brigada Golani dividiram em duas partes a cidade de Tiberíades, na qual a comunidade judaica vinha sendo fortemente atacada. Os árabes decidiram deixar a cidade, sendo evacuados pelos britânicos. No dia 21 de abril, quando estes últimos começaram a reunir suas forças para partir de Haifa, iniciou-se a luta entre judeus e árabes pelo controle da cidade. Em menos de 24 horas, Haifa também já estava sob controle judaico e, apesar de os comandos garantirem aos árabes que não seriam molestados, eles preferiram partir.

No dia 30 de abril de 1948 foi lançada a Operação Yiftach, com o objetivo de capturar a estratégica cidade de Safed, na Galiléia. No entanto, desde 15 de abril começara a infiltração de unidades do Palmach para fortalecer a defesa do bairro judaico. No dia 3 de maio, mais uma unidade chegou à cidade, mas o primeiro ataque judaico, de fato, a Tiberíades terminou no dia 6 de maio, com um fracasso. Novo ataque foi feito no dia 10 de maio, levando à conquista de pontos estratégicos. Os cerca de dez mil árabes que viviam em Tiberíades preferiram fugir, apesar das constantes garantias dos comandantes judeus de que não corriam riscos. Assim, o êxito da Operação Yiftach permitiu às forças judaicas o controle sobre uma área contínua na região da Alta Galiléia.

A área de Yaffo e Tel Aviv também foi palco de uma ação especial que permitiu às tropas judaicas a conquista de posições que as favoreceriam no decorrer do conflito que estava prestes a eclodir. Denominada de Operação Hamez, foi realizada às vésperas de Pessach pelas Brigadas Alexandroni, Kiryati e Givati e foi comandada por Dan Even. Seu objetivo era capturar os vilarejos árabes a leste de Yaffo, entre os quais Hiriya, Sakiya, Salame e Yazur, que constituíam uma ameaça à passagem para a estrada de Jerusalém. O cerco à área de Yaffo completou-se em 29 de abril e a maioria dos 70 mil árabes que lá viviam optaram por deixar a cidade. A rendição de Yaffo e de seus arredores ocorreu em 13 de maio, quando as tropas britânicas partiram. No dia seguinte, a delegacia de Beit Dajan foi assumida pelas forças judaicas, permitindo a abertura da estrada de Ramlah rumo ao sul.

Em 15 de maio, conforme todas as previsões, os exércitos árabes atacaram o recém-criado estado de Israel, dando início à Guerra da Independência, de fato. Iniciava-se, então, uma nova etapa do conflito, que já durava anos.

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