Wiesenthal, nascido em 1908 em Buczacz, na região da cidade de Lvov
(atual Ucrânia Ocidental), passou os últimos dias da Segunda Guerra
Mundial no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria.
Salvo por tropas norte-americanas, passou a colaborar com seus libertadores
reunindo provas das atrocidades nazistas, usadas posteriormente nos julgamentos
de Nuremberg.
Wiesenthal, após o final do trabalho com os militares dos EUA em 1947,
juntou-se a mais 13 voluntá-rios e abriu o Centro de Documentação
Histórica Judaica, em Linz, na Áustria. Já imaginava a
necessidade de continuar a busca por criminosos nazistas. Mas, em 1954, ele
e seus colegas fecharam a organização, desiludidos com a falta
de empenho da comunidade internacional na caça aos herdeiros de Adolf
Hitler. A Guerra Fria entre Washington e Moscou crescia e praticamente monopolizava
atenções.
Depois de fechar o escritório em Linz, Wiesenthal e colaboradores enviaram
seus arquivos ao instituto Yad Vashem, em Jerusalém. Mantiveram, no
entanto, um dossiê: o de Adolf Eichmann. O sucesso na captura do criminoso
nazista levou Wiesenthal a reabrir o centro de documentação,
desta feita em Viena. As investigações ganharam novo impulso,
e as capturas voltaram a ocorrer.
Em 1966, Karl Silberbauer, o homem da Gestapo que prendeu Anne Frank, foi localizado
em solo austríaco. Três anos depois, a cidade alemã de
Stuttgart iniciou o julgamento de 16 oficiais da SS responsáveis pelo
massacre de judeus em Lvov. Nove deles haviam sido encontrados por Wiesenthal.
O caçador estendeu seus tentáculos até o Brasil, auxiliando,
no final dos anos 60, na captura de Franz Stangl, comandante dos campos de
concentração de Treblinka e de Sobibor.
O extenso e minucioso trabalho de investigação de Simon Wiesenthal
modelou uma época. Deixou marcas indeléveis. E sua herança
não se limita ao Centro de Documentação de Viena. Em 1977,
criou-se uma instituição em Los Angeles que leva o seu nome,
voltada à defesa dos direitos humanos, à preservação
da memória do Holocausto e ao monitoramento de grupos de extrema direita.
As atividades do Centro Simon Wiesenthal trouxeram prestígio e reconhecimento
internacional à entidade, que conta com escritórios em Nova York,
Toronto, Miami, Jerusalém, Paris e Buenos Aires.
Para Wiesenthal, seu incansável trabalho de documentação,
hoje migrando para o computador, não se restringe aos esforços
para captura de criminosos nazistas. Ele também dedica grande importância
aos depoimentos de sobreviventes do Holocausto, a fim de preservar registros
sobre as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. Para ilustrar
a relevância de seu trabalho, Wiesenthal, nos parágrafos finais
de seu livro de memórias (Os Assassinos Entre Nós, 1967), relatou
uma conversa que manteve com um agente da SS, em 1944, quando o conflito se
aproximava de seu final. O nazista argumentou: “Você contaria a
verdade (sobre os campos de extermínio) às pessoas na América.
E sabe o que ocorreria, Wiesenthal? Elas não acreditariam em você.
Di-riam que você está louco. Poderiam até colocá-lo
num asilo. Como pode alguém acreditar nessa história terrível – a
menos que a tenha vivenciado?”n
O jornalista Jaime Spitzcovsky é diretor do site www.primepagina.com.br
e articulista da Folha de S. Paulo. Foi editor internacional e correspondente
do jornal em Moscou e em Pequim.
Centro Wiesenthal a promotor público russo: ‘Parem de vender
material racista’
Uma carta enviada ao promotor público estatal Vladimir Ustinov, o diretor
para assuntos inter-nacionais do Centro Simon Wiesenthal, Shimon Samuels, informou que “a
livraria da Duma (o parlamento russo) está atualmente vendendo livros
anti-semitas da série extremista “Livraria de Pensamentos Sociais”.
Samuels chamou a atenção para o fato de entre as publicações
disponíveis estarem inclusos “os notórios ‘Trabalhos
Selecionados na Ciência Racista’ do insuflador de ódio racista,
Hans Guenther (publicado pela editora Belye de Moscou, 2002), que, em sua introdução,
sem nenhum pudor, exalta o racismo, o nazismo e o fascismo”.
Ele acrescentou que “isto é não somente um insulto à memória
dos 25 milhões de mártires russos do nazismo, na Segunda Guerra
Mundial, mas também uma violação da Constituição
da Federação Russa e das suas moções legislativas
contra o incitamento”. O Centro pediu ao promotor que “condene
e suspenda tais vendas na Duma e que tome medidas contra aqueles que tentam
disseminar o ódio em sua vizinhança”.
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