Wiesenthal se aposenta, mas caça a nazistas continua

Wiesenthal: vida dedicada a uma causa

Apesar dos 94 anos de idade, ele, um sobrevivente do Holocausto, vai ao trabalho diariamente. O mais célebre caçador de nazistas da história, Simon Wiesenthal, continua a freqüentar seu escritório em Viena com uma perseverança ímpar e com uma impecável pontualidade.
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Edição 41 - Julho de 2003
A rotina, no entanto, não é mais a mesma. Wiesenthal já deixou de mergulhar nas investigações que o mobilizaram durante décadas e, agora, dedica-se a transportar para o computador seu vasto e rico arquivo, recheado de documentos e de dossiês que ajudaram na captura de mais de mil criminosos de guerra.

“ Encontrei os assassinos que buscava, e vivi mais do que eles”, declarou Wiesenthal em abril passado à Format, uma publicação austríaca. “Se há alguns poucos que eu não busquei, eles estão muito velhos e frágeis para enfrentar um julgamento”. O célebre caçador, gradualmente, sai de cena, diz que se aposenta, mas os esforços para fazer justiça não desaparecem. Nos últimos anos, outros investigadores assumiram o comando das buscas, entre eles Serge Klarsfeld, em Paris, e Eli Rosenbaum, diretor do Escritório de Investigações Especiais do Departamento de Justiça dos EUA.

No entanto, é Efraim Zuroff, chefe do escritório em Jerusalém do Centro Simon Wiesenthal, que desponta como o principal herdeiro do maior caçador de nazistas da história. “Ainda há centenas, talvez milhares, de pessoas em liberdade que participaram da perseguição aos judeus”, avaliou Zuroff. Segundo ele, existem cerca de 400 investigações em curso, 180 delas iniciadas no ano passado e especialmente nos países bálticos: Lituânia, Letônia e Estônia.

O norte-americano Eli Rosenbaum revelou que seu departamento registrou, em 2002, um número recorde de casos. Mas as investigações hoje se voltam principalmente para nazistas de escalões mais baixos, em contraste com o trabalho de décadas passadas, que visava capturar os principais arquitetos da barbárie.

No entanto, um dos integrantes da cúpula nazista conseguiu escapar à Justiça. Simon Wiesenthal relatou recentemente: “Há uma pessoa que sabemos ter sido responsável pela morte de 130 mil judeus e que vive na Síria: Alois Brunner”. Nascido em 1912, Brunner, braço direito do coordenador da “Solução Final”, Adolf Eichmann, se entrincheirou em Damasco nos anos 50, sob a proteção do regime sírio e com o nome falso de Georg Fischer.


Em abril, Efraim Zuroff anunciou que o Centro Simon Wiesenthal renovaria pressões na tentativa de conseguir a extradição de Alois Brunner. “Não há dúvida de que os Estados Unidos deveriam incluir a questão Brunner como um dos temas a serem negociados com os sírios”, disse Zuroff. “Vamos pedir que a questão seja colocada na agenda, especialmente se houver um diálogo significativo entre Washington e Damasco”.

Enquanto Zuroff leva adiante a herança de Wiesenthal, o caçador de nazistas mais célebre da história organiza seu arquivo, no qual a captura de Eichmann ocupa lugar especial. Em 1953, Wiesenthal descobriu que o coordenador da “Solução Final” havia se escondido na Argentina. Passou a informação a autoridades israelenses, que conseguiram, em 1960, capturar o criminoso em solo argentino e levá-lo para ser julgado em Israel. Eichmann foi condenado à morte e enforcado em 1962.

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