"Faremos e Ouviremos", Naassê Venishmá! (Êxodo 24:7).
Com estas palavras, o povo de Israel expressa sua prontidão para servir a D'us, por livre
escolha e com devoção absoluta.
A formação da Nação Judaica
Após a Revelação Divina no Monte Sinai, as Doze Tribos de
Israel se tornam a Nação Judaica um povo definido por um código
de leis morais e espirituais ditadas por D’us. As leis promulgadas pelo
Eterno fundamentam a responsabilidade do homem perante outros homens e Seu Criador.
São leis espirituais que uma vez trazidas à Terra, assumiram forma
física e cotidiana. Sua moral e ética transcendem o tempo e o espaço
e mudam para sempre os caminhos não apenas do povo de Israel mas de toda
humanidade.
A formação do povo judeu, em conseqüência da outorga
da Torá, difere totalmente de como outros grupos de indivíduos
se tornaram uma nação. Teriam todos os franceses, por exemplo,
decidido, num determinado dia e ao mesmo tempo, tornar-se franceses?
Acreditar na legalidade de ter um rei a governar seu país, a França,
ou optar pelos ideais da Revolução Francesa? Certamente que não!
Essa transformação foi um processo longo e trabalhoso e, por vezes,
sangrento, marcado por lutas internas e externas. Assim como com todas as outras
nações, tal processo envolveu habitantes de uma determinada área
geográfica, que lá viveram por longo tempo, durante o qual desenvolveram
idioma e cultura comuns, calcados em uma experiência histórica compartilhada.
Até que acabaram por definir o que consideravam suas fronteiras, desenvolvendo
uma entidade política, com um governo e um nome nacional, no caso, França.
Suas leis mudaram inúmeras vezes antes e depois de completar o processo
de auto-definição como cidadãos franceses.
No caso do povo de Israel, o embrião desse processo nacional criou corpo
quando estavam apartados da terra de seus ancestrais, subjugados pela escravidão
e sujeitos às mais adversas condições criadas justamente
para anular sua identidade histórica e cultural. E é concluído
quando reunidos aos pés do Monte Sinai afirmaram a D’us Naassê Venishmá.
Pois, ao prometer seguir os mandamentos da Lei Divina, eles se tornam a Nação
Judaica.
A Torá atesta que nunca antes e nunca mais após aquele evento D’us
se revelaria a outro povo. De fato, todos os outros relatos existentes sobre
algum tipo de Revelação Divina referem-se a experiências
de um indivíduo ou de um pequeno grupo. Outros códigos de leis,
inclusive as de Noé, nunca foram abertamente declarados por D’us
diante de todo um povo. As leis originadas ou transmitidas unicamente por seres
humanos mesmo as semelhantes aos mandamentos da Torá estão sujeitas
a mudanças. Mas as Leis promulgadas pelo Todo-Poderoso são absolutas.
Como a Fonte que as origina é Infinita, Imutável e Perfeita, também
o são Suas Leis. Nenhum ser humano pode mudá-las, nem tampouco
as mesmas deixam de existir com o passar do tempo.
O rabino Adin Steinsaltz escreve que a importância dos Dez Mandamentos
não é tanto o seu conteúdo, mas a sua Origem. Tanto os Mandamentos
quanto todos os preceitos da Torá foram promulgados por D’us e é isto
o que lhes confere força e significado. Os judeus seguem a Palavra Divina,
a Torá, não pelos milagres ocorridos ou outros fenômenos
sobrenaturais, mas porque o povo de Israel estava presente no Sinai quando D’us
se pronunciou diante deles e Sua mensagem continua, até hoje, a ser transmitida
de pai para filho. A história da sobrevivência do povo judeu é a
própria história do processo ininterrupto de transmissão
da Torá de uma geração a outra, através dos séculos.
Desde o recebimento da Lei Divina, os judeus têm um relacionamento específico
com D’us que não se limita apenas a religiosidade e espiritualidade. É,
na verdade, uma visão que abarca tudo e que nos orienta como viver cada
minuto de nossa vida e esta relação é única. Ser
judeu é ser parte de uma nação que tem uma missão
frente ao mundo. A identidade nacional judaica foi forjada pela vivência
no Monte Sinai, pois lá nos comprometemos com essa missão como
indivíduos e como nação. E para cumpri-la temos a Torá que
recebemos. Assim como Abraão declarou, muitas gerações antes...
Escolhi viver e, se necessário for, morrer pela realidade Divina, também
seus descendentes, no Sinai, se comprometeram a fazê-lo.
E nós, nesta alvorada do século 21, continuamos a honrar o compromisso
de nossos antepassados.
Bibliografia:
• The Call of the Torah – An anthology of interpretations and commentaries
on the Five Books of Moses ,Rabbi Elie Munk, ArtScroll Mesorah Series.
Os eventos ocorridos há milhares de anos ao pé do Monte Sinai são
celebrados a cada Shavuot. Esta festividade, que é comemorada durante dois dias,
começa no sexto dia do mê de Sivan do calendário hebraico. Ocorre 50 dias
após o primeiro dia de Pessach, que marca o êxodo do povo judeu do Egito. Este
ano Shavuot será celebrada dia 6 e 7 de junho (6 e 7 de Sivan).
Em Shavuot há o costume de ficar acordado toda a noite estudando a Torá. A Cabalá
enfatiza a importância desse ritual chamado de Tikun Leil Shavuot. No dia seguinte, o primeiro
dia de Shavuot, em todas as sinagogas ao redor do mundo, os Dez Mandamentos são lidos perante a Congregação.
As sinagogas costumam ser decoradas com flores porque na hora da Revelação, no Monte Sinai,
uma montanha seca e árida, explodiu em flores. Alimentos feitos de leite e queijo são
característicos desta festa.
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