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| Um ano após a morte, mundo homenageia Daniel Pearl |
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| Foto Ilustrativa |
“Sou americano, sou judeu,
minha família do lado de meu pai é sionista”. As palavras, pronunciadas
sob a pressão vil do terrorismo, transformaram-se em um símbolo
de um dos episódios mais nefastos da história do jornalismo: a morte
de Daniel Pearl, o correspondente do Wall Street Journal seqüestrado e brutalmente
assassinado por militantes islâmicos no Paquistão, em fevereiro de 2002.
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| Edição 40 - Março de 2003 |
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Um ano depois da tragédia, a memória do repórter é
homenageada nos quatro cantos do planeta.
Nos Estados Unidos, a Fundação Daniel Pearl, o Centro Simon Wiesenthal,
a Liga Anti-difamação, entre outras entidades, realizaram diversas
cerimônias. A Fundação, criada pelos familiares do jornalista
assassinado, definiu como seu objetivo a promoção do “entendimento
transcultural através do jornalismo, da música e da comunicação
inovadora”. Destacam-se entre os apoiadores e integrantes da organização
o ex-presidente norte-americano Bill Clinton e o escritor Elie Wiesel, Prêmio
Nobel da Paz.
Houve também eventos em Israel que homenagearam a memória de Pearl,
como cerimônias religiosas e debates sobre os riscos envolvidos no trabalho
de um correspondente internacional. O mundo jornalístico também
se mobilizou. O Press Club de Los Angeles e a Associação de Jornalistas
do Sul da Ásia instituíram prêmios anuais que levam o nome
do correspondente do Wall Street Journal.
No âmbito comunitário de diversos países também ocorreram
homenagens a um profissional destacado por seu talento e brilho. Um exemplo: uma
comunidade judaica de East Brunswick (Nova Jersey) resolveu colocar o nome do
jornalista assassinado em seu centro educacional. O site britânico JewishComment
elegeu Pearl a “personalidade do ano de 2002”.
Escreveu a editora Carol Gould, do Jewish Comment, ao explicar a escolha: “Acima
de tudo, escolhemos Danny porque ele não tinha medo de dizer ‘sou
judeu’ com orgulho e com a antiga coragem de seus antepassados, num momento
em que ele devia saber que estava enfrentando uma prematura jornada à Eternidade”.
O texto prossegue: “Seus últimos dias devem ter sido insuportavelmente
solitários e terríveis, mas a partir das poucas fotos que o mundo
recebeu de seus captores, ele manteve sua dignidade e parecia tão merecedor
de ser chamado de um homem de valor”.
Terroristas islâmicos seqüestraram Daniel Pearl a 23 de janeiro de
2002, na cidade paquistanesa de Karachi. O correspondente do Wall Street Journal
havia abandonado sua base, em Bombaim, na Índia, para, em mais uma missão
jornalística envolta em riscos, tentar repetir os passos de Richard Reid,
o extremista que, levando explosivos em seu sapato, tentou explodir em dezembro
de 2001 um avião que fazia o trajeto Paris-Miami. A reação
rápida da tripulação impediu que ele acendesse o pavio.
Após contato com militantes islâmicos na portuária Karachi,
Pearl desapareceu. Passaram-se várias semanas sem sinal do jornalista.
Sua morte foi confirmada em 21 de fevereiro de 2002.
Quatro dos seqüestradores foram condenados, por assassinato, em 15 de julho,
num tribunal paquistanês. O principal executor do plano, Omar Saedd Sheik,
recebeu a pena de morte e seus asseclas, a prisão perpétua. O número
3 da organização terrorista Al Qaeda, Khalid Sheikh Mohammad, preso
no Paquistão no começo de março, é tido como o responsável
pelo golpe fatal que ceifou a vida de Daniel Pearl.
Em um dos depoimentos gravados em vídeo pelos terroristas e obtidos por
autoridades norte-americanas, Pearl afirmava: “Minha família segue
o judaísmo. Fizemos inúmeras visitas a Israel. Na localidade de
Bnei Brak, existe uma rua que leva o nome de meu bisavô, Chaim Pearl, que
foi um dos fundadores da cidade”. O antepassado do jornalista deixou Ostrowitz,
na Polônia, e com mais de vinte famílias fundou, na década
de 20, Bnei Brak.
O pai de Daniel, Yehuda, mudou-se de Israel para os Estados Unidos nos anos 60,
a fim de empreender uma carreira acadêmica de sucesso e voltada ao estudo
de inteligência artificial. Seu filho nasceu em Princeton, mas quando tinha
dois anos de idade, a família se mudou para Los Angeles. O futuro correspondente
do Wall Street Journal se graduou na Universidade de Stanford, em 1985, e foi,
antes de tornar-se chefe do escritório na Índia do principal jornal
de negócios do mundo, seu correspondente em Londres, Paris e no Oriente
Médio.
Judeu e portador de dupla cidadania (norte-americana e israelense, por conta da
origem de seus pais), Daniel Pearl nunca deixou de cumprir missões jornalísticas
por temer riscos provocados por sua origem. Depois da tragédia, o correspondente
brutalmente assassinado transformou-se num símbolo luminoso da luta contra
a barbárie.

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