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| O Maguid de Mezeritch |
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| Foto Ilustrativa |
O Rabi Dov Ber de Mezeritch nasceu há cerca de 300 anos.
Quando partiu de sua morada terrena, quase 70 anos mais tarde,
deixou atrás de si um mundo completamente mudado.
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| Edição 40 - Março de 2003 |
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O Grande Maguid, como passou a ser chamado, deixou sua marca em todo um povo
e nas gerações que se seguiram. Ninguém conseguia ficar
indiferente a ele. E depois dele, o judaísmo e o povo judeu jamais voltaram
a ser como dantes.
Dov Ber, filho de Abraham e Chavah, nasceu numa pequena aldeia russa, Lukatz,
na Volhínia, atualmente Ucrânia. Pouco se sabe sobre seu passado
ou seus antepassados. Sabe-se, no entanto, que desde jovem era um extraordinário
estudioso da Torá. Abençoado com uma mente brilhante, dominava
profundamente o Talmud e os trabalhos sobre as Leis judaicas. Mesmo à época
em que viveu, em que florescia o estudo da Torá, ele já se destacava
por sua notável erudição.
Numa fase posterior de sua vida, o Rabi Dov Ber ficou sendo conhecido como o
Grande Maguid de Mezeritch. A palavra “Maguid” significa pregador.
E Mezeritch foi o lugar onde ele fincou suas raízes – e não
onde nasceu. Mas qual a razão para o chamarem de “o Grande Maguid”?
Talvez tenha sido porque, apesar de seu extraordinário conhecimento da
Torá, ele não tenha optado por uma vida de conforto e regalias
e aceitado um dos inúmeros convites para ser o líder religioso
de uma comunidade importante. Em vez disso, escolheu vagar de um lugar a outro,
distribuindo palavras de conforto e bênçãos a judeus carentes.
Era um grande orador e nunca censurava ou condenava os atos de ninguém.
Com suas palavras e seu exemplo, servia de inspiração àqueles
de quem se aproximava.
Sabe-se que se casou ainda jovem e se sustentava com o magro salário que
recebia pelas aulas que dava às crianças. Ao confortar os pobres,
conhecia na própria carne o que representava a extrema pobreza. Mas, em
vez de considerá-la uma praga, fazia da pobreza uma virtude. Isto combinava
com sua vida. Tinha por propósito dificultar as condições
em que vivia, nunca procurando atenuá-las. Jejuava com freqüência
e praticamente não dormia. Acreditava que castigando seu corpo, fortalecia
o espírito. Mas sua busca pela extrema espiritualidade custou-lhe um preço
elevado. Por negligenciar seu corpo, adquiriu doenças que o perseguiram
por toda a vida, mas que também o levaram ao encontro que iria mudá-la – e
a história judaica – de uma maneira extremamente significativa.
O Mestre do Maguid
O Rabi Israel Ben Eliezer, o Baal Shem Tov, era um visionário que revolucionou
o pensamento e a história judaica. Ainda jovem, juntou-se aos Nistarim – um
grupo de místicos itinerantes e sigilosos que se dedicavam a estudar e
disseminar os princípios do misticismo judaico. Foram os precursores do
movimento do Chassidismo e não tardou muito para que o Rabi Israel se
tornasse o seu líder.
O Baal Shem Tov era mestre na Cabalá. Fazedor de milagres e maravilhas,
era um rebelde religioso e um revolucionário em defesa de seus semelhantes.
A história de sua vida parece poesia – romântica, extraordinária,
repleta de dramaticidade e de relatos inspiradores. Dizem que quem acredita em
todas as histórias que contam sobre ele é tolo. Mas aquele que
não crê que qualquer uma delas bem poderia ser verdade é um
descrente – pois nada é impossível para os poderes de um
Tzadik – um verdadeiro justo do calibre dele.
Mesmo iluminando e inspirando um número incalculável de judeus,
o Baal Shem Tov também despertava uma acirrada oposição,
especialmente entre os principais estudiosos da Torá da época.
Era condenado por difundir o misticismo judaico. Desde que a Torá fora
entregue a Moisés, a Cabalá tinha sido transmitida apenas a um
seleto grupo, entre os quais se contavam uns poucos. Seus preceitos eram por
demais preciosos e a revelação dos mesmos, por demais perigosa.
Muitos dos eruditos judeus ficavam consternados com os ensinamentos do Baal Shem
Tov. Ele amava igualmente todos – santos e pecadores, eruditos e analfabetos.
Conta-se que ele disse, certa vez, que “os pequenos Tzadikim amam os pequenos
pecadores, mas um grande Tzadik ama um grande pecador”. Era um verdadeiro
homem do povo, adorava os simples e os humildes, dizendo-lhes que D’us
os amava independentemente de seu conhecimento sobre a Torá. Dizia-lhes
que tinham como única obrigação servir ao Criador com tudo
o que estivesse a seu alcance. Ensinava que devemos amar e cuidar do próximo,
seguir a Torá com alegria e servir a D’us com grande louvor.
O Rabi Dov Ber de Mezeritch, austero e culto, estava entre os muitos que, a princípio,
opuseram-se ao recém-formado movimento chassídico. Mas, como já vimos
mais acima, o seu devotado enlevo espiritual fez com que desenvolvesse sérios
problemas físicos. Os médicos não conseguiam livrá-lo
do sofrimento, até que alguém o convenceu de buscar ajuda com um
homem de Medzebozh, que tinha fama de ser um curandeiro milagroso. E quem era
o homem? Ninguém menos do que o Rabi Israel ben Eliezer, o Baal Shem Tov.
O Maguid foi a Medzebozh para ver o Baal Shem Tov, mas seu primeiro encontro
foi desalentador. O grande Mestre chassídico meramente lhe contou uma
história sobre cavalos e cocheiros. De fato, o Baal Shem Tov é muito
conhecido por suas histórias – aparentemente simples, mas que revelam
os mistérios mais profundos para aqueles que têm a capacidade de
desvendá-los. Mas o Maguid – fisicamente abatido pela doença – aparentemente
não pode apreciar a história. Não viera de tão longe
para ouvir falar de cavalos. Portanto, preparou-se para voltar para casa. Mas
quando estava prestes a sair, chega um mensageiro do Baal Shem Tov e o Rabi Dov
Ber decidiu dar uma segunda chance ao Mestre.
Já era meia-noite quando se encontraram. O Baal Shem Tov fez-lhe a pergunta: “Você é bem
versado no estudo da Torá?”, à qual o Maguid não pôde
negar. “Pois sim, de fato ouvi dizer que você é um grande
estudioso da Torá”, retrucou o Mestre. E passou a consultar o Maguid
acerca de uma passagem muito difícil da Cabalá que fazia menção
a vários anjos. O Maguid prontamente deu a explicação, mas
o Mestre não se deu por satisfeito: “Você não sabe
tudo!” O Maguid, então, desafia o Baal Shem Tov a dar a sua versão.
E o Mestre, começa, então, a revelar seus poderes. Enquanto falava,
a casa se encheu de luz, com uma aura de fogo em seu redor, enquanto os dois
homens viam os anjos aos quais se referia a passagem. Posteriormente, o Mestre
disse ao seu mais recente discípulo: “O significado da passagem
era, realmente, o que você apresentou. Mas não havia espírito
algum no que você tinha aprendido”. Imediatamente, o Maguid dirigiu-se
a seu cocheiro, despachando-o de volta para casa. Mas ele lá permaneceu
para aprender os ensinamentos do Baal Shem Tov – o homem, talvez o único,
que poderia guiá-lo a conquistas espirituais ainda mais elevadas.
O Maguid passou a estudar com o Baal Shem Tov. Mais tarde diria que o Mestre
lhe ensinara tudo – as palavras mais profundas da Cabalá e também “a
língua dos pássaros e das árvores”. Tornou-se seu
maior discípulo. O Mestre chegou mesmo a ponto de chamá-lo de “colega” e
a ele se referir como “o Príncipe da Torá”. Portanto,
quando chegou a hora da partida física do Rabi Israel Baal Shem Tov deste
mundo, não houve dúvidas quanto a quem assumiria a liderança
do recém-criado movimento do Chassidismo.
A liderança do Maguid
Era o primeiro dia de Shavuot. O Baal Shem Tov falecera exatamente naquele dia,
um ano antes. Seus alunos estavam ao redor de uma mesa presidida por Rebe Hersh,
filho do Mestre, que se tornara o líder dos Chassidim após a morte
do pai. Subitamente, Rabi Hersh pôs-se de pé e tirou as vestes brancas,
as mesmas que tinham pertencido a seu pai e que simbolizavam a liderança.
Colocando o robe de seda branca sobre os ombros do Rabi Dov Ber, põe-se
a lhe desejar mazal tov, mazal tov. Explicou, então, que o espírito
de seu pai acabara de lhe aparecer, ordenando-lhe que transferisse a liderança
do movimento ao Maguid.
Em seu testamento, o Baal Shem Tov pedira que seu sucessor se estabelecesse em
outro lugar, não em Medzebozh. Por isso, o Maguid retornou à Mezeritch,
cidade que passou a ser o novo centro de estudos para alguns dos mais talentosos
eruditos e místicos judeus. O Maguid teve trezentos discípulos.
Trinta e nove destes se tornariam líderes e fundadores de dinastias chassídicas.
Entre seus alunos contavam-se alguns dos mais distintos nomes do povo judeu:
Shneur Zalman de Liadi, Elimelech de Lizensk, Israel de Kozhenitz, Zusia de Hanipoli,
Levi Yitzhak de Berditchev e até alguns dos companheiros do Baal Shem
Tov. O Maguid ensinou e revelou a Torá a alguns deles; a outros revelou
seus segredos mais profundos. O Rabi Shneur Zalman de Liadi contou, certa vez,
que apesar de em Mezeritch os milagres serem abundantes, ele e os outros discípulos
estavam muito ocupados e absortos em seu estudo para fazer caso de milagres.
Fascinava-lhes muito mais a erudição do Maguid do que seus poderes
sobrenaturais.
Conta-se uma história acerca da forma de ensinar do Maguid. Certa vez,
durante a primeira refeição do Shabat, o Maguid pediu que cada
um dos discípulos recitasse um versículo do trecho da Torá a
ser lido no dia seguinte. Ouviu, então, todas as perguntas que lhe foram
feitas e as reuniu em forma de uma bela preleção. E enquanto falava,
cada um dos discípulos tinha a certeza de que o Maguid se dirigia exclusivamente
a ele.
Mas, apesar de toda a sua grandeza, o Maguid continuou agindo como um simples
ser humano. Era míope e mancava. Durante toda a vida perseguiram-no as
doenças e as dores. Ensinava que o jejum e o auto-flagelo não eram
a maneira adequada de se servir a D’us. No entanto, ele próprio
continuava comendo e dormindo cada vez menos. Já no final de sua vida
precisou usar muletas. Ao que tudo indica, seus males físicos nunca sararam
por completo.
O Baal Shem Tov tinha inspirado amor; o Maguid inspirava reverência e respeito.
Era rigoroso e exigente com os discípulos. Para os que se auto-flagelavam,
ensinava que mutilar o corpo era pecar contra o Criador. Mas para aqueles que,
segundo seus padrões, viviam em demasiado conforto, ele pregava um temor
ainda maior a D’us. O bisneto do Maguid, Rebe Israel de Ruzhin, contava
que “quando o Maguid, já muito doente, contava uma história,
a cama sobre a qual jazia sacudia com violência, bem como sentiam-se sacudidos
os poucos privilegiados que presenciavam a cena”.
No entanto, embaixo dessa disciplina extraordinária, havia um homem e
um pai bom e caloroso. Sabia o que dizer e quando e a quem dizê-lo. Certa
vez, um estudioso do Talmud foi vê-lo atrás de um conselho. Temia
estar perdendo a fé. O Maguid não se pôs a lhe fazer um sermão
nem entrou em um debate filosófico. Simplesmente pediu que o homem repetisse
com ele, inúmeras vezes, uma prece – a primeira oração
que uma criança judia aprende. E aquilo bastou.
Em Mezeritch, o objetivo do Maguid não era simplesmente conquistar os
discípulos e ensinar-lhes, mas treiná-los para a liderança
espiritual. Antes dele, os Chassidim tinham sido personificados por um único
homem, apenas: o Baal Shem Tov – um contador de histórias, um operador
de milagres que nunca tomava notas de nada. O Mestre fora um visionário
que levava uma vida que era praticamente um mito; enquanto o Maguid era um homem
prático, estrategista brilhante e administrador excelente. E assim, graças
ao Rabino Dov Ber, os ensinamentos do Baal Shem Tov foram divulgados em toda
a Europa Oriental. O Maguid distribuía seus discípulos por regiões
específicas para melhor disseminar os ensinamentos dos Chassidim. Eles
tinham por tarefa levar esperança e consolo aos que viviam em desespero
e humilhação. Seus alunos – os primeiros líderes chassídicos – recebiam
ordem de extinguir todas as barreiras sociais, econômicas ou religiosas
entre os judeus, ensinando-lhes a Torá e lembrando a eles que eram, todos,
igualmente amados por D’us.
Mas, como ocorrera com o Baal Shem Tov e com o Grande Maguid, os primeiros líderes
chassídicos também se defrontaram com uma ferrenha oposição.
Eram perseguidos e humilhados tanto pela liderança judaica secular quanto
pela religiosa. Aqueles que se opunham ao Chassidim – os Mitnagdim – acabaram
conseguindo convencer o grande sábio, o Gaon de Vilna, a excomungá-los.
Os líderes chassídicos pensaram em retaliar com um contra-banimento,
mas o Maguid os impediu. Em hipótese alguma permitiria que se aprofundassem
as diferenças entre judeus.
Mas as medidas anti-chassídicas acabaram por se tornar insuportáveis.
Foi então que, certa noite, dez líderes Chassidim se reuniram e
pronunciaram um encantamento, excomungando seus oponentes. De repente, no meio
da cerimônia, ouviram o som de muletas que se aproximavam. “Vocês
perderam a cabeça”, foi tudo o que o Maguid lhes disse. Ele não
falava só em sentido figurado: deixaria de ser a cabeça do movimento,
partiria dentro em breve. Mas, ofereceu-lhes algum consolo, na forma de uma promessa:
a partir de então, sempre que houvesse um conflito entre Chassidim e Mitnagdim,
prevaleceriam os Chassidim.
Ele faleceu poucos meses mais tarde, em 19 de Kislev do ano de 5533 (1772). Anos
depois, nessa mesma data, um de seus mais ilustres discípulos, Rabi Shneur
Zalman de Liadi, foi libertado de uma prisão russa, dando início
a sua própria dinastia, o movimento Chabad-Lubavitch. O dia 19 de Kislev
ficou conhecido como sendo o Rosh Hashaná do Movimento Chassídico.
Mas isto é uma outra história...
Nevava no dia em que o Maguid ascendeu aos Céus. Estava envolto em seu
talit – o xale de orações dos judeus – e usava os seus
tefilin, os filactérios. Ro-deado por seus amados discípulos, suas últimas
palavras foram: “Fiquem juntos, unidos para sempre”.
Juntos não poderiam ficar. Fundaram suas próprias dinastias, cada
uma com uma liderança distinta. Mas permaneceram unidos, para sempre.
E, com o passar do tempo, conseguiram influenciar todo o seu povo. Chassidim
ou não, todos compartilhamos a herança do Baal Shem Tov e do Maguid:
seus ensinamentos e suas histórias, seus presentes eternos de júbilo,
amor e esperança sem limites.
O legado do Maguid
O Talmud ensina que nosso antepassado Jacob nunca morreu: “Assim como estão
vivos os seus filhos, também ele está vivo”. O Maguid não
foi um dos pa-triarcas do povo judeu, mas ele, também, permanece espiritualmente
vivo. Sua herança é eterna, sua influência não conhece
limites. Basta sair à rua de qualquer cidade grande, em qualquer parte
do mundo, e lá haverá uma sinagoga ou uma escola chassídica.
Todas são heranças do Maguid e nelas se encontram seus descendentes
espirituais.
O compilador da Mishná, Rabeinu Hakadosh, o Rabino Yehuda Ha-Nassi, ensinou-nos
que “devemos conhecer Aquele que está acima de nós – D’us,
em Sua Plenitude”: “Da Ma Lemála Mimach”. Pois foi o
Maguid quem revelou a explicação mística dessa afirmação:
Saiba que tudo o que ocorre nas Alturas – a interação Divina
com o nosso mundo origina-se de dentro de nós mesmos. O Firmamento reage
aos atos dos homens. Cada palavra ou ato, ainda que da pessoa aparentemente a
mais simples, tem significado cósmico. Portanto, está em nossas
mãos mudar não apenas o nosso destino, mas o de todo o mundo.
Ao fundar o Movimento Chassídico, o Baal Shem Tov deu vida a uma poderosa
centelha espiritual. O Maguid de Mezeritch desdobrou-se em uma gigantesca chama
inextinguível, que se disseminou por toda a Europa, levando esperança
e consolo aos judeus em suas horas mais negras e difíceis. “O homem
nunca está só”, ensinavam os Mestres do Chassidismo. Não
importa quão destituído, desesperado ou abandonado esteja, todo
judeu precisa saber que D’us está a seu lado, sempre e em todas
as partes.
Os chassidim têm uma preferência especial pelas histórias,
portanto, nada mais próprio do que concluir este artigo com uma delas.
Trata-se de uma história verdadeira que se conta sobre o renomado Rebe
Avraham Kalisker. Na tentativa de se tornar ainda mais espiritual, ele se abstraiu
totalmente deste mundo, até que um dia sentiu-se inspirado por um ensinamento
do Grande Maguid: o de que a terra está repleta de situações
que permitem que o homem se torne parceiro de D’us. Resolveu então
ir a Mezeritch para estudar com o Rabi Dov Ber. Posteriormente, relataria suas
experiências ao grande sábio e líder dos Mitnagdim, o Gaon
de Vilna: “O que aprendi em Mezeritch? Uma simples verdade: a Torá é dada
ao homem para que ele possa celebrar a vida e tudo o que faz da vida uma fonte
de celebração”.
Tev Djmal
Bibliografia:
•
The Great Maggid – The Life and Teachings of Rabbi Dov Ber of Mezherich,
Rabbi Jabob Immanuel Schochet – Kehot Publication Society
•
Souls on Fire – Portaits and Legends of Hasidic Masters, Elie Wiesel – Jason
Aronson Inc.
•
Chasidic Masters – History, Biography and Thought, Rabbi Aryeh Kaplan – Moznaim
Publishing Corporation
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