Abba Eban, símbolo de uma geração

Foto Ilustrativa

Morreu aos 87 anos, no dia 17 de novembro de 2002, Abba Eban, o último sobrevivente dos líderes da velha guarda israelense. Orador eloqüente, diplomata brilhante e negociador eficaz, ajudou a moldar o destino de sua Pátria nas difíceis três primeiras décadas que seguiram a independência, ganhando a simpatia e admiração do mundo por Israel.
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Edição 40 - Março de 2003
Expressou, de forma elegante e apaixonada, o direito de Israel à existência, instilando orgulho e solidariedade entre os judeus da diáspora e debatendo habilidosamente com os inimigos de sua nação. Como afirmou o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e atual ministro das finanças, Eban foi o fundador da diplomacia israelense.

Tinha somente 32 anos quando foi nomeado delegado da Agência Judaica nas Nações Unidas, para defender a causa sionista na disputa pela partilha da Palestina em dois estados soberanos. Logo em seguida, enfrentou o desafio ainda maior de convencer os membros da Assembléia Geral da ONU a reconhecer o Estado de Israel. Após verdadeira maratona diplomática, a independência do Estado de Israel foi declarada, em 14 de maio de 1948, com o reconhecimento simultâneo dos Estados Unidos e da União Soviética.

Eban lembrava-se desse período com emoção e lucidez. Afirmava que no início de 1947 a Nação se encontrava em seu pior momento; fechada à imigração, era uma comunidade estrangulada e sufocada. Dois anos depois, tudo havia mudado. As portas estavam abertas, o país fazia parte da família das nações, com acesso às organizações internacionais e aos fundos monetários. Havia sobrevivido a uma guerra contra seus vizinhos. Em meados da década de 1950, sua população havia dobrado. Eban estava maravilhado com a velocidade dessas transformações e achou muito triste que nas décadas seguintes as pessoas pensassem que tudo já estivesse garantido para sempre.

Além de culto e articulado, Eban era um fervoroso sionista. Seu pai, morto quando ele ainda era criança, foi membro ativo do movimento na África do Sul, onde Aubrey, seu nome de registro, nasceu em 1915. Sua mãe, uma jovem viúva, voltou à Inglaterra com os dois filhos e casou-se com o dr. Isaac Eban. Abba desenvolveu uma forte identidade judaica graças ao avô materno, que lhe ensinava a Torá e o hebraico.

Estudioso e professor de árabe na Universidade de Cambridge até 1940, Eban teria seguido a carreira universitária e permanecido em Cambridge se não fosse completamente obcecado com o destino de seu povo. Após servir no exército britânico na Palestina e no Cairo onde conheceu sua esposa, Suzy entrou para a Agência Judaica. Escolhi a opção poética , costumava afirmar, e nunca me arrependi de minha decisão.

Entre 1950 e 1959, Eban assumiu, ao mesmo tempo, os cargos de embaixador de Israel para os Estados Unidos e de delegado-chefe de seu país nas Nações Unidas. Aos historiadores que afirmam que nesse período houve oportunidades de paz com os árabes que não foram perseguidas por Israel por causa da política mais agressiva de David Ben-Gurion, Eban respondia que desde aquela época e até os acordos de Oslo, em 1993, jamais a paz esteve ao alcance de Israel. Isto porque seus vizinhos estavam convencidos de que poderiam destruí-lo e anular a decisão internacional que ratificara sua criação.

Nos anos em que a sobrevivência de Israel parecia estar sendo posta à prova, a atenção do mundo todo estava centrada nas Nações Unidas, de cuja tribuna Abba Eban defendia com orgulho sua nação com argumentos repletos de referências históricas e imagens idealizadas de um Oriente Médio pacífico.

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