|
|
| CARTA DE ELIE WIESEL |
Em uma carta especial dirigida à Morashá, o Prêmio Nobel da Paz faz uma análise do anti-semitismo atual e conclama a uma mobilização geral contra o preconceito a judeus e a Israel.
|
|
| Clique acima e consulte as edições anteriores. |
 |
 |
 |
|
|
| Edição 39 - Dezembro de 2002 |
 |
Considerado pelos historiadores como o mais antigo preconceito coletivo da história documentada, o anti-semitismo voltou à tona em vários países, nos últimos meses, particularmente na Europa, onde se tornou uma ameaça às comunidades judaicas lá residentes.
Acompanhados por ideologias anti-is-raelenses, muito provavelmente neles arraigadas, os intelectuais de esquerda invocam razões políticas, ao passo que a direita racista apela a seu tradicional ódio étnico-religioso contra os judeus.
O tom em ambos os campos é violento e ultrajante. Sua magnitude jamais alcançara tal ponto desde o final da II Guerra Mundial. Falsas acusações, antigas e novas, algumas verdadeiros libelos de sangue, levantam-se contra Israel e contra os judeus. Seu objetivo é deslegitimizar Israel através da distorção da história judaica. Estão-se apossando das palavras do vocabulário do Holocausto para acusar-nos de brutalidade, crueldade e assassinato.
Os soldados do Tzahal são comparados às SS e o sionismo, ao nazismo. O português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, comparou Ramallah a Auschwitz. Um professor de Oxford declarou ser adequado matar todos os colonos judeus provenientes dos Estados Unidos. Apelos indecentes foram feitos pedindo a exclusão de todos os cientistas is-raelenses das conferências internacionais. Um documento oficial do Hamas inclui referências aos "Protocolos dos Sábios de Sion".
Em vários círculos de propagandistas mal-informados, desvirtuados e vulgares, os judeus são tidos como os responsáveis diretos pela catástrofe de 11 de setembro.
Nunca, desde 1945, tantas mentiras vis tinham sido disseminadas, em tantos países e culturas, a respeito de Israel e dos judeus. Não é de surpreender que tivessem dado origem a tanta violência sistemati-camente organizada. Sinagogas foram incendiadas, com perda total, na França. Insultos públicos aos judeus ecoaram em Berlim e em outras cidades da Europa. Cemitérios foram violados. Muçulmanos e seus inúmeros aliados marcharam pelas ruas, aos brados de "morte aos judeus".
Confrontados por tanto ódio e tantas ameaças, cabe-nos mobilizar nossos amigos, onde quer que estejam, e reagir de todas as formas a nosso alcance. Programas educativos, conferências, petições, pronunciamentos na mídia e reuniões públicas têm que ser realizadas para evitar que os 'traficantes do ódio' realizem seus sonhos de humilhar e eliminar o Estado de Israel e o Povo de Israel da face da Terra.
Não fazê-lo fará cair sobre nós o manto da vergonha, pois o silêncio apenas servirá para tornar os anti-semitas mais fortes.
E vitoriosos.
Elie Wiesel
|
|