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29/4/2002
Marcus
Moraes, especial para o Morashá.com

Manifestação
inédita une ishuv, na Hebraica
Numa
manifestação que surpreendeu a muitos pela força e pelo
entusiasmo, cerca de dois mil judeus cariocas - jovens,
em sua maioria - lotaram o Salão Nobre da Hebraica-Rio
para o "Ato em Solidariedade ao Estado de Israel", realizado
na noite deste domingo, dia 28.
Sob
o comando de Victor Dweck, um dos organizadores da manifestação,
a noite começou com um brado coletivo, em hebraico, com
os dizeres "Am Israel, Anachnu Itchem" (Povo de Israel,
nós estamos com vocês). A cena, simplesmente emocionante,
foi filmada e será enviada diretamente a Israel.
"Conseguimos
trazer as duas mil pessoas esperadas. Estou maravilhado
em ver que realizamos talvez o primeiro evento nos últimos
dez anos onde a principal mensagem era para os jovens
e para as famílias, e não uma mensagem política, mas sim
de esperança", declara Dweck, ex-mazkir da Chazit Hanoar.
Lideranças:
representatividade
Salão
Nobre da
Hebraica ficou lotado
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O
deputado estadual judeu Carlos Minc foi o primeiro
dos convidados a falar ao público. "Neste momento,
temos que estar unidos entre nós, vigilantes, mas
também de olho na comunidade maior", alerta. Ele lembrou
que os cidadãos do Estado do Rio de Janeiro contam
com o Centro de Combate ao Racismo e ao Anti-Semitismo,
que, em seu primeiro ato, fechou um centro nazista
no município de Nova Iguaçu. "Cada um de nós tem que
fazer a sua parte", avisa. |
"Paz,
nós queremos paz. Shalom está nos nossos cumprimentos,
está nas nossas canções, está nas nossas orações e está
nos nossos corações", afirma Berel Aizenstein, secretário-geral
da Confederação Israelita do Brasil (Conib). "É preferível
receber críticas do que receber condolências", complementa,
citando a ex-primeira-ministra israelense Golda Meir.
Ex-presidente
da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj),
Ronaldo Gomlevsky abriu seu discurso elogiando o fato
de a federação ter se unido ao Conselho Juvenil pela primeira
vez em 30 anos. "É o maior exemplo de que a comunidade
judaica é imbatível", frisa. "E se alguém não vai encostar
um dedo na Federação Israelita ou nas instituições judaicas
ou em cada um de vocês, é porque nós todos, em conjunto,
não vamos deixar", acrescenta.
Gomlevsky
era a única pessoa completamente vestida de preto, em
sinal de luto à morte de uma menina de cinco anos com
um tiro no coração, em Israel, no sábado. "Foi também
um tiro nos nossos corações", explica. "Que Jerusalém
nunca deixe de se chamar Yerushalaim", finaliza, bastante
aplaudido.
O
vereador Gerson Bergher mencionou que concedeu ao cônsul
de Israel no Rio, Eitan Surkis, na semana passada, a "Medalha
Pedro Ernesto" em homenagem aos 54 anos do Estado de Israel.
Roberto Saulo Stryjer, atual presidente da Fierj, leu
um manifesto que foi entregue a Surkis, que também discursou.
"Os
países árabes foram míopes em não reconhecer o Estado
de Israel, não contribuindo em nada para a criação do
Estado palestino", lamenta o jornalista Osias Wurman.
"Somos a única nação que tirou negros
da África não para escravizá-los, mas para torná-los livres",
completa, referindo-se aos judeus etíopes, desejando
ainda que "os nossos primos palestinos e os nossos irmãos
israelenses possam viver lado a lado e não morrer lado
a lado".
Para
Wurman, a comunidade judaica do Rio de Janeiro está
acordando agora para uma nova realidade. "O anti-semitismo
é um câncer que vive dentro de um organismo. Quando o
sistema imunológico fracassa, ele volta. E a comunidade
está preocupada com isto", explica, alegando também
que "a mídia não está tratando os dois lados com eqüidade".
A
voz da juventude
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Vídeos
gravados nos movimentos juvenis sabiamente intercalaram
as falas da noite, nos quais os chanichim deram
opiniões espontâneas sobre o que o Estado de Israel
representa em seus corações e como enxergam os conflitos
no Oriente Médio. A maioria surpreendeu pela maturidade
das respostas.
Outra
atração da noite foi a música do jovem saxofonista
Rodrigo Chá, que entoou uma linda versão de "Yerushalaim
Shel Zahav" (Jerusalém de Ouro), enquanto o mar
de bandeirinhas de Israel era suavemente agitado
pela platéia.
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Crianças
e adolescentes
compareceram em peso,
com ampla adesão dos
movimentos juvenis
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Para
Sergio Rosenboim, boguer (veterano) do Bnei Akiva, "a
manifestação deveria ter sido um movimento aberto, na
praia, para mostramos a nossa força aos outros e não só
para a gente". Muitos outros também afirmaram compartilhar
da mesma opinião de Rosenboim. Segundo os organizadores,
porém, "é preciso que antes a comunidade esteja bastante
unida para irmos às ruas", conforme explicou Victor
Dweck ao Morashá.com na sexta-feira anterior ao ato.
Presidente
do Departamento de Hagshamá da Organização Sionista Mundial
no Brasil, Claudio Mandelblatt sugere que os judeus da
Diáspora estejam sempre em perfeita sintonia com os judeus
israelenses. "Temos que estar juntos com o Estado de Israel
na paz, na guerra, sempre".
Representantes
dos seis movimentos juvenis cariocas - Avtan, Betar, Bnei
Akiva, Chazit Hanoar, Habonim Dror e Hashomer Hatzair
- marcaram presença ao ato no Rio de Janeiro, assim como
rabinos de todas as correntes.
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