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| A MENTIRA QUE NÃO QUER MORRER |

Cartão postal anti-semita na Alemanha, 1898
A farsa da teoria da conspiração judaica para dominar o mundo, descrita no texto forjado dos Protocolos dos Sábios de Sion, ainda mostra sua força, apesar de passado um século desde a sua publicação, pela primeira vez.
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A juíza israelense Hadassah Ben-Itto presidiu a sua última sessão no dia 31 de outubro de 1991. Alguns meses antes, ela tomou uma atitude que chocou os seus companheiros: anunciou a decisão de antecipar a sua aposentadoria, para dedicar-se a um novo objetivo escrever um livro para demonstrar a falsidade presente em cada palavra de Protocolos dos Sábios de Sion, um panfleto que vem sendo usado há décadas para disseminar o anti-semitismo em todo o mundo. Um tema que, para ela, tornou-se uma obsessão.
Em abril de 1998, sete anos após afastar-se do cargo de juíza da Suprema Corte, chegou às livrarias a obra de Ben-Itto The lie that wouldnt die A mentira que não quer morrer, da Editora Dvir. Tendo emigrado da Polônia para Israel, com a família, em 1935, aos nove anos, Ben Otto escreveu no prefácio de seu livro a seguinte dedicatória: "Em memória de todos os meus parentes que foram mortos no Holocausto e cujo túmulo é desconhecido. Que esse seja o seu monumento". Em um artigo no The Jerusalem Post Magazine, de maio de 1998 , ela fala de seu projeto.
"Infelizmente, os judeus conhecem muito pouco sobre os Protocolos, um texto que influenciou de forma muito dolorosa sua história nos últimos cem anos. A maioria dos judeus jamais o leu, poucos conhecem o seu conteúdo e a sua história e um número menor ainda está informado sobre a tentativa de bani-los em tribunais. Quando ouvimos falar sobre o tema, costumamos não dar muita atenção ou, então, pensar: Quem vai acreditar nesta bobagem? Quem vai acreditar que um grupo de judeus se reuniu e elaborou um plano para dominar o mundo? Mas as pessoas realmente acreditam nisso e continuam espalhando esta história", afirma Ben-Itto.
Como exemplo, cita o fato de o presidente da Malásia ter falado sobre uma conspiração mundial judaica para desvalorizar a moeda de seu país. Homens-bomba palestinos são encontrados com partes do texto em seus bolsos. Além disso, o panfleto completo está disponível na Internet, com vários escritos explicativos.
Na década de 30, houve tentativas por parte dos judeus, para desacreditar o panfleto em tribunais, entre as quais uma ocorrida em Berna, Suíça, que considerou o texto literatura indecente e plágio de um outro documento, além de ter multado os responsáveis por sua publicação. A outra ação ocorreu em Port Elizabeth, África do Sul. Ben-Itto utilizou os documentos referentes a estas ações para escrever seu livro.
Ao longo dos anos, várias outras ações foram apresentadas aos tribunais e diferentes fóruns. Uma subcomissão do Senado americano, por exemplo, declarou que os Protocolos são uma farsa. Em 1993, uma corte russa determinou que o panfleto era uma farsa anti-semita. "No entanto, os Protocolos sempre encontram solo fértil", afirma Ben-Itto.
Diferença essencial
Segundo a juíza, há uma diferença fundamental entre a farsa de Os Protocolos e as outras calúnias anti-semitas, que surgiram através dos séculos. Ela explica sua afirmação, dizendo que os Protocolos são, primeiramente e acima de tudo, um documento político e que se apresenta como um documento autêntico escrito por um suposto governo secreto de judeus. Como se não bastasse a acusação, não se trata mais apenas o dizer de que os judeus matam crianças para beber seu sangue, os anti-semitas passaram ainda a dizer que, para "saber" o que pensam os judeus, basta ler o que "eles mesmos escreveram: uma receita para controlar o mundo".
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