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Em sua obra Reincarnations - Reencarnações - revela a lista de sábios judeus que teriam retornado para este mundo.

O legado

A primeira metade do século 16 presenciou o surgimento de dois grandes nomes em Safed: o rabino Moisés Cordovero e o rabino Isaac Luria. Enquanto Cordovero desenvolveu conceitos abstratos sobre a natureza de D’us e a Criação, mais ligados à Cabala teórica, Luria concentrou-se no homem e suas ações, no arrependimento e no controle das necessidades do corpo, enfocando também a Cabala prática.

O Ari desenvolveu um novo sistema para a compreensão dos mistérios do Zohar chamado de Método Luriânico. O sistema cabalístico do Ari cobre literalmente milhares de páginas e aborda praticamente todo tipo de pensamento. É, portanto, absolutamente impossível resumi-lo de forma adequada. Contudo, os elementos básicos do sistema são as Dez Sefirot, os quatro universos e os cinco níveis da alma.

Luria meditava sobre a questão do princípio, de como teria começado o processo de Criação. Em termos simplistas, após o Tsimtzum, a contração da Luz Divina no momento do Ato da Criação, e do Shevirá (estilhaçamento), centelhas divinas ficaram retidas na existência material e a tarefa do homem é elevar, liberar estas centelhas para devolvê-las à Divindade. Este processo é chamado de Tikun (reparo ou emenda) e é a idéia principal do misticismo de Luria - a doutrina da restauração e salvação do mundo.

Segundo os princípios do Tikun, o homem é o centro da Criação e o destino do universo depende dele. Suas ações podem ser decisivas para a salvação. Segundo o Ari, todas as gerações podem redimir-se, basta quererem do fundo do coração e transformarem os desejos em ação. Em termos gerais, esta não foi uma teoria totalmente nova, mas afirmar que a salvação dependeria inteiramente da ação do homem foi, com certeza, uma idéia inédita.

Quando perguntado sobre o que o homem deveria, então, fazer, para alcançar a redenção, o Ari respondia prontamente: arrepender-se e retornar ao caminho certo - teshuvá. E a teshuvá, segundo o Ari, deve incluir jejuns, atos de penitência, controle dos instintos humanos, não ingerir carne ou beber vinho durante os dias da semana, servir a D’us sempre, estudar e orar com fé, lamentar profundamente a destruição do Templo. Segundo ele, era indispensável renunciar aos prazeres terrenos para servir a D’us integralmente e estabelecer uma comunicação total com o Supremo Criador.

As marcas do Ari em todos os níveis do judaísmo são inegáveis. A partir do século 17, as idéias luriânicas e inovações rituais haviam-se disseminado em grande parte do mundo judaico. Os livros do rabino Chaim Vital são muito famosos em meio às comunidades sefaraditas, que os estudam com profundo respeito e devoção. Posteriormente, no século 18, a Cabala Luriânica exerceu forte influência sobre o chassidismo, que divulgou as idéias cabalísticas. O conceito de "elevar as centelhas", a idéia de que toda a existência material é animada pela divina, que mesmo a atividade mais mundana pode servir de oportunidade para-se descobrir D’us, impregnou o pensamento e a vida judaica.

Bibliografia

Gutwirth, Israel, "The Kabbalah and Jewish Mysticism".
Seltzer, Robert M., "Povo Judeu, Pensamento Judaico II"
Kaplan, Aryeh, "Meditation and Kabbalah"
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