PROFETAS E SÁBIOS
RABBI ISAAC LURIA, UMA ESTRELA COM BRILHO PRÓRPIO


Foto Ilustrativa

Chamado também de Leão Sagrado, foi um dos grandes estudiosos da Cabala do século 16. Viveu apenas dois anos em Safed, para onde mudou-se atendendo a determinação do profeta Eliahu. Seus ensinamentos foram divulgados através das obras de seu fiel discípulo, rabino Chaim Vital.
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Após a expulsão dos judeus da Espanha (1492) e da Provença, na França, muitos sábios dirigiram-se para Safed, na região da Alta Galiléia, uma das quatro cidades sagradas do Israel antigo. Nessa cidadezinha encravada no topo de uma montanha, adotaram um estilo de vida totalmente dedicado à Torá. Por acreditarem que a Cabala revelava o sentido mais profundo dos livros sagrados, levaram-nos ao seu florecimento e Safed tornou-se um grande centro onde viveram, estudaram e transmitiram seus ensinamentos, entre outros, personalidades como o rabino Moisés Cordovero (1522-1570), que fundou a Academia de Cabala em Safed; o rabino Solomon Alkabetz, autor da prece Lecha Dodi; e o rabino Chaim Vital.

Apesar de ter vivido em Safed apenas dois anos, são inegáveis as marcas da presença do rabino Isaac Ben Shlomo Luria, cujo acrônimo Ari originou-se no seu anagrama - Ashkenazi Rav. Na sinagoga que o Ari freqüentava, ainda são realizados serviços religiosos tradicionais. Próximo à parede onde costumava rezar, há um pequeno vão. As velas estão acesas e alguns alunos estudam o Zohar, uma obra fundamental para a Cabala, tão importante e sagrada quanto o Talmud e a Torá.

Ha-Ari, o Leão Sagrado, é considerado por muitos o maior cabalista de todos os tempos. Dizem os estudiosos que após o desaparecimento do rabino Joseph Caro, autor do Shulchan Aruch, uma nova estrela surgiu no firmamento, com um brilho próprio: o Ari. Segundo Aryeh Kaplan, o rabino Isaac Luria fazia parte daquele "número seleto de indivíduos que vivem em um plano espiritual tão elevado que, se comparados ao resto da humanidade, parecem seres completamente diferentes, uma espécie mais elevada. Eles nos ensinam, mas conseguimos aprender somente uma pequena parte do que é transmitido. Mas, mesmo desta pequena parte, podemos construir montanhas".

A grandeza e a sabedoria do Ari foram reconhecidas enquanto viveu e, mesmo o grande rabino Joseph Caro, que já tinha escrito e divulgado seu código Bet Joseph e era considerado um dos grandes líderes da época, costumava consultá-lo, assim como um aluno consulta o mestre.

Vida e obra

O Ari nasceu em 1534 em Jerusalém e conta-se que o profeta Eliahu presenciou seu brit-milá. Aos oito anos já era considerado um prodígio tendo estudado o Talmud e memorizado dezenas de volumes. Perdeu o pai ainda menino, sendo então levado pela mãe para o Egito, onde foram acolhidos pelo tio, o rabino Mordechai Francis. Na terra das pirâmides, o jovem Isaac cresceu estudando com os rabinos Bezalel Ashkenazi (1520-1592), conhecido por seus comentários Shita Mechbetzete; e David Ben Zimrach, também conhecido como Radbaz. Segundo uma carta do rabino Chaim Vital, aos 15 anos, o Ari conhecia o Talmud melhor do que todos os sábios do Egito. Aos 17, o Ari descobre o Zohar, obtendo sua própria cópia manuscrita.

Tal era sua dedicação aos estudos, que seu tio decidiu torná-lo seu genro. Sob a influência de Radbaz, um grande místico, rabino Luria dedicou-se inteiramente à Cabala, isolando-se cada vez mais do mundo, inclusive da própria família. Chegava a passar a semana inteira estudando e meditando em uma cabana próxima ao rio Nilo, retornando à sua casa apenas para o Shabat. Com a esposa, conversava somente em hebraico, o mínimo necessário, para não desviar a mente de sua concentração. Ao final do descanso religioso, retornava ao seu retiro, aprofundando-se cada vez mais nos segredos cabalísticos.
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