Nascido em 1865 em Grieve, na Rússia, foi o personagem principal do movimento religioso sionista na Palestina. Chamado simplesmente de Rav ou Rav Kook, foi o primeiro Rabino-Chefe da Palestina. Aos nove anos, era considerado uma criança prodígio. Estudou na conhecida Yeshivá de Volozhin, na Lituânia, sob orientação de Naftali Zvi Berlin, de quem se tornou o aluno preferido. Foi também muito influenciado pelo chassidismo, principalmente pela corrente da escola de Radzin.
Kook não se limitava aos estudos talmúdicos. Antes mesmo de demonstrar sua independência de pensamento, já se interessava pelo filosofia e pelo misticismo judaico em geral, além da Bíblia e da língua hebraica, disciplinas que não eram estimuladas em grupos tradicionais.
Ocupou o cargo de rabino em comunidades judaicas da Lituânia e de Latvia. Em 1904, aos 39 anos, imigrou para a então Palestina, tornando-se o rabino de Jaffa, agindo como mediador em várias situações. Em 1909, por exemplo, membros da comunidade local apresentaram-lhe um problema referente às determinações bíblicas para o uso da terra durante o ano sabático, segundo as quais esta deve permanecer em repouso.
Para solucionar o dilema, ele permitiu que a terra fosse vendida nominalmente a um não judeu. Sua determinação liberal permitiu aos judeus a continuidade do cultivo. Embora alguns colegas discordassem de sua decisão, naquele momento, a regulamentação tem sido obedecida desde então em Israel.
Kook passou a I Guerra Mundial na Europa, para onde fora, em 1914, para participar de uma conferência rabínica, que acabou não sendo realizada. Devido ao conflito, foi proibido de retornar à Palestina até o final da guerra. Durante esse período, viveu em vários lugares, entre eles a Suíça e Londres, onde se tornou rabino da Congregação Mahzikei Hadas.
Mesmo afastado da Palestina, continuou envolvido com os problemas da região, auxiliando nas negociações para a elaboração da Declaração Balfour, em 1917. Em 1919, retornou à Palestina, onde tornou-se Rabino-Chefe ashquenazi de Jerusalém. Lá fundou uma academia rabínica denominada Merkaz haRav (O Centro dos Rabinos), na qual orientou seus alunos tomando como base a religião e o judaísmo nacionalista. Conquistou o respeito da população secular devido à sua erudição, devoção e profunda sensibilidade pelos ideais socialistas e nacionalistas dos jovens pioneiros.
Rav Kook sobressaía-se no estudo da Torá e tornou-se uma figura controvertida. Muitos judeus ortodoxos opunham-se ao sionismo devido à sua recusa básica de esperar pela Divina Redenção para o retorno dos judeus à sua terra e, assim, fundaram sua própria instituição rabínica. Kook, no entanto, acreditava que o sionismo era sagrado e esta convicção tornou-o popular entre os judeus não-religiosos da Palestina. Para ele, alguém que tivesse emigrado para Israel, teria sido inspirado pelo Divino, desde que criasse sustentação para a redenção messiânica.
Em 1921, Kook tornou-se o primeiro rabino-chefe ashquenazi da comunidade da Palestina, ajudando a formar esta nova instituição, por acreditar que auxiliaria os judeus a se auto-governarem. Manteve esta posição até a sua morte, aos setenta anos, em 1935. |