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O Dia do Perdão

Os cabalistas revelam que uma centelha da alma de Moisés se encarna em cada um dos judeus. Moisés vive em todos nós. E, portanto, em certa medida, cada um de nós contém alguma de suas características e de seu poder.
No Yom Kipur, dia mais sagrado do calendário judaico, agimos como o fez

Moisés no Monte Sinai. E como Moisés, que rezou por todo o nosso povo, assim o fazemos nós. As orações da liturgia de Yom Kipur são todas pronunciadas no plural, pois não rezamos apenas por nós, mas por toda a congregação de Israel. E seguindo os ensinamentos de D’us a Moisés, invocamos os Treze Atributos de Misericórdia Daquele que é Rei Misericordioso.

Moisés jejuou 40 dias e 40 noites para obter o perdão para seu povo. Os sábios nos explicam que durante esse período, Moisés viveu como um anjo.

Em Yom Kipur, nós também jejuamos, abstendo-nos de comer e beber. Não realizamos nenhuma das atividades proibidas no Shabat, pois que Yom Kipur é o “Sábado dos Sábados”. Não usamos sapatos de couro, não nos banhamos nem tampouco usamos perfumes e cremes, e não temos relações conjugais.

Assim agindo, durante todo o Yom Kipur, deixamos para trás nossos afazeres mundanos, nossos desejos e nossas preocupações. Ao nos elevarmos espiritualmente, aproximamo-nos de D’us, estando desta forma mais aptos a obter o favor Divino sobre nós e sobre todos os nossos irmãos – o Povo Judeu, o Povo de Israel.

Nos Pirkei - comentários - de Rabi Eliezer (capít. 46), este sábio cita Satã, o anjo do pecado e aquele que iniciou a instigação que terminaria no incidente do bezerro de ouro, quando se coloca diante de D’us, em Yom Kipur: Satã percebeu que não havia pecado entre o povo, em Yom Kipur. Disse então a D’us: “Tens diante de Ti um povo único, como os anjos que Te auxiliam nos Céus. Como os anjos, que não comem nem bebem, assim o fazem os judeus, no Yom Kipur”. Este é o único dia do ano em que Satã não tem poder de acusação sobre o povo judeu. Assim sendo, é o dia em que podemos obter o perdão Divino sem enfrentar quaisquer impedimentos espirituais.

D’us decide o destino de cada uma das pessoas em Rosh Hashaná, mas Ele apenas confirma os Seus desígnios ao término do Yom Kipur. Ensinaram-nos que o arrependimento, a prece e a caridade podem reverter o destino infausto. “Agora, deixa-Me!”, D’us ordenou a Moisés. “Deixa-Me só, pois tu podes anular Meus decretos”. Devemos lembrar-nos que foi o Criador – e não Moisés – quem escreveu a Torá. E portanto, foi D’us, Ele Próprio, quem decidiu registrar esse incidente em Sua Torá – em que um ser humano prevaleceu sobre Seus decretos – para ensinar a todas as gerações futuras que o destino do povo judeu está assentado sobre os atos e orações de cada um de nós.

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Os treze atributos de misericórdia

Quando D’us escreveu a Sua Torá, revelou a Moisés e, subseqüentemente, a todas as gerações do povo judeu, o texto de uma ora-
ção que serviria para sempre invocar a Sua misericórdia. Esta prece, conhecida como os Treze Atributos da Misericórdia, somente pode ser recitada por uma congregação composta de um mínimo de dez homens. Algumas congregações a recitam diariamente, exceto no Shabat e nos Dias Santos. Outras, apenas em dias de jejum ou em momentos de crise. Mas todas a recitam no Yom Kipur. A prece é repetida várias vezes e constitui o tema central nos serviços religiosos deste dia sagrado.

Seguem-se os Treze Atributos e uma breve explicação sobre cada um:

O Eterno – este Nome denota o atributo Divino da Misericórdia e os milagres feitos por Ele para anular até mesmo as leis da natureza por Ele criado. Seu Nome aparece duas vezes nos atributos. Na primeira significa que D’us tem piedade dos pecados do homem, apesar de Ele saber que a pessoa cometerá atos indignos no futuro.

O Eterno – a segunda menção de Seu Nome denota que mesmo que alguém tenha pecado, D’us misericordiosamente aceita seu arrependimento.

El (D’us) – este Nome denota o infinito poder do perdão Divino. Nele está implícito um grau de misericórdia que ultrapassa o indicado pelo Nome de Seu primeiro e segundo atributos.

Rachum (Compassivo) – D’us alivia o castigo dos culpados e ajuda as pessoas a evitar situações penosas.

Ve-Chanun (e Gracioso) – D’us é gracioso mesmo com os que não o merecem.

Erech Apayim (Tardio em irar-se) – D’us é paciente com os justos e com os iníquos. Ao invés de logo punir os pecadores, Ele lhes dá tempo para se recuperarem e se arrependerem.

Ve-Rav Chessed (e Magnânimo em Sua Bondade) – D’us é bondoso mesmo com os que não têm o mérito de praticar o bem. E se o comportamento de alguém se equilibra entre a virtude e o pecado, D’us inclina a balança do julgamento para o lado do bem.

Ve-Emet (e Verdadeiro) – A verdade é o próprio Selo Divino. D’us jamais volta atrás em Suas palavras de recompensar os que o merecem.

Notzer Chessed Le-alafim (Preservador da Bondade para milhares de gerações) – D’us preserva as boas ações das pessoas em benefício de seus descendentes. É por isso que constantemente invocamos os méritos dos patriarcas do povo judeu: Abrahão, Itzhak e Jacob.

Avon (Iniqüidade) – Esta é uma das três categorias de pecado e se refere a um pecado intencional, perdoado por D’us se houver arrependimento sincero.

Va-Pesha (Pecado Rebelde) – Este é o tipo mais sério de pecado, cometido com a intenção de causar a Ira Divina. Mesmo uma transgressão tão séria é perdoada quando há arrependimento.
Ve-Hatê (e Erro) – Este é o pecado cometido pela apatia e pela insensibilidade, também perdoado por D’us, mediante o arrependimento.

Ve-Nakê (Aquele que purifica) – Quando alguém se arrepende, D’us purifica o seu pecado, fazendo desaparecer o efeito do mesmo.

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Bibliografia:
The Chumash - The Stone Edition (Artscroll Mesorah)
Rashi - The Sapirstein Edition (Artscroll Mesorah)
The Midrash Says - The Book of Shemos, Rabbi Moshe Weissman
(Benei Yacov Publications)

 

 

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