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Uma história verdadeira: quando
Moisés subiu ao Monte Sinai, encontrou-se com o Santo, Bendito
Seja, que escrevia em Sua Torá Sagra-
da: ...o Eterno, o Eterno, tarda em irar-se
Moisés,
então, completou: ...com os justos. Mas lhe respondeu
o Todo-Poderoso: ...também com os iníquos,
ao que Moisés retruca: Senhor do Universo, deixa perecer
os iníquos. E o Santo, Bendito Seja, fez uma promessa
a Moisés: Juro, por tua vida, que há de chegar
o dia em que implorarás por Meu perdão, até
mesmo para os perversos.
Moshé Rabeinu, nosso Mestre Moisés,
foi um homem muito completo e espiritual, o que não o impediu,
no entanto, de ser também o ser humano mais humilde jamais
visto. A Torá, criada e escrita por Dus, mas trazida
à Terra por ele, leva seu nome: Torat Moshê, a Torá
de Moisés. Primeiríssimo dentre os profetas de Dus,
escolhido para pastor de Seu Povo, Moisés liderou a libertação
dos judeus do jugo egípcio. Cinqüenta dias após
o Êxodo, no 6º; dia do mês de Sivan do calendário
hebraico, Dus revelou-Se a todo o povo judeu, fazendo a proclamação
dos Dez Mandamentos. No dia seguinte, Moisés subiu ao Monte
Sinai para receber as Tábuas com os Mandamentos e para aprender
o conteúdo da Torá. Informou ao povo que lá
ficaria por 40 dias, retornando na manhã do quadragésimo
dia. Supondo que o dia de sua subida contaria como o primeiro dos
quarenta dias, o povo esperava que Moisés retornasse no 16º
dia do mês de Tamuz. Mas Moisés lhes dissera que estaria
ausente durante 40 dias e 40 noites. Isto significava que ele só
estaria de volta no dia 17 de Tamuz.
Explicam nossos sábios que após
vivenciar a Revelação Divina no 6º dia de Sivan,
o povo judeu tinha alcançado o zênite espiritual. Quando
Moisés descesse do Monte Sinai portando as Tábuas
da Lei, o objetivo da Criação estaria realizado e
não mais haveria morte ou maldade no mundo. Ter-se-ia iniciado
a era messiânica. Mas Satã, o anjo da morte que tem
por missão tentar os homens com o pecado, lutaria com todas
as suas forças malignas, até o final, para evitar
que tal momento se concretizasse.
O sol nasceu e se pôs no dia 16
de Tamuz e Moisés não retornou. A apreensão
tomou conta do povo. O que teria sucedido ao homem que os conduzira
da escravidão para a liberdade? Estaria morto? O pânico
apossou-se deles. O erro no cálculo, ainda que por um único
dia, levou-os ao desespero e a trágicas conse-qüências.
O Midrash revela que Satã, aproveitando-se da oportunidade,
criou a ilusão de escuridão e tumulto e mostrou ao
povo a imagem de Moisés já morto, sendo carregado
nos Céus.
Em sua fuga do Egito, o povo judeu foi
seguido pelos Eirev Rav egípcios que, tendo aceito
a liderança de Moisés, abandonaram sua terra durante
o Êxodo. Cerca de três mil deles se aproximaram de Aarão
irmão de Moisés e o primeiro Cohen Gadol, Sumo
Sacerdote exigindo um ídolo para substituir o líder
judeu: Faze-nos deuses que sigam à nossa frente, pois
quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito
não sabemos o que lhe terá sucedido (Êxodo
32:1).
Aarão percebe que os Eirev Rav estavam
instigando o povo judeu a cometer um erro deplorável. Mas
temia que fosse morto, caso resistisse; um homem chamado Hur, um
dos líderes judeus, recusara-se a fazer o tal ídolo
e o tinham assassinado. Aarão, que sempre preferira a morte
sobre a idolatria, percebeu que caso morresse, assim extemporaneamente,
seria uma catástrofe para seu povo. E, por outro lado, esperava
o pronto retorno de seu irmão. Buscando ganhar tempo, pede
que lhe tragam muito ouro, certo de que o povo se negaria a abrir
mão de sua riqueza. Mas o povo responde, de imediato, a seu
pedido. Tiraram das orelhas as argolas de ouro e as trouxeram
a Aarão (Êxodo 32:3). Este, então, junta
o ouro todo e o atira ao fogo, esperando que de lá emergisse
uma massa disforme, para assim dar mais tempo para que Moisés
retornasse. Porém, os feiticeiros egípcios que se
encontravam entre os Eirev Rav, com suas bruxarias fazem emergir
do fogo um bezerro de ouro. E aquele bezerro de ouro os Eirev Rav
entregam aos judeus: É este o teu deus, Ó Israel,
que te tirou da terra do Egito (Êxodo 32:4).
Em sua última tentativa de evitar
que os judeus adorassem o bezerro de ouro, Aarão edifica
um altar e proclama a seu povo: Amanhã será
a festa ao Senhor (Êxodo 32:5). Com suas palavras, deixa
claro que a festividade seria para reverenciar o Senhor, Dus
do Universo, e não o bezerro. Esperava, de fato, que quando
seu irmão retornasse do Monte Sinai, juntos celebrariam a
dádiva Divina, a entrega da Torá ao povo judeu. Mas
Moisés não voltou na manhã do dia seguinte
e o povo continuou a adorar o bezerro de ouro, cometendo atos imorais
diante da estátua.
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