YOM KIPUR
A história do Yom Kipur




“Ao Eterno, nosso D’us, pertence a misericórdia e o perdão...”
(Daniel 9:9)

Edição 38 - Setembro de 2002
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Uma história verdadeira: quando Moisés subiu ao Monte Sinai, encontrou-se com o Santo, Bendito Seja, que escrevia em Sua Torá Sagra-
da: “...o Eterno, o Eterno, tarda em irar-se …” Moisés, então, completou: “...com os justos”. Mas lhe respondeu o Todo-Poderoso: “...também com os iníquos”, ao que Moisés retruca: “Senhor do Universo, deixa perecer os iníquos”. E o Santo, Bendito Seja, fez uma promessa a Moisés: “Juro, por tua vida, que há de chegar o dia em que implorarás por Meu perdão, até mesmo para os perversos”.

Moshé Rabeinu, nosso Mestre Moisés, foi um homem muito completo e espiritual, o que não o impediu, no entanto, de ser também o ser humano mais humilde jamais visto. A Torá, criada e escrita por D’us, mas trazida à Terra por ele, leva seu nome: Torat Moshê, a Torá de Moisés. Primeiríssimo dentre os profetas de D’us, escolhido para pastor de Seu Povo, Moisés liderou a libertação dos judeus do jugo egípcio. Cinqüenta dias após o Êxodo, no 6º; dia do mês de Sivan do calendário hebraico, D’us revelou-Se a todo o povo judeu, fazendo a proclamação dos Dez Mandamentos. No dia seguinte, Moisés subiu ao Monte Sinai para receber as Tábuas com os Mandamentos e para aprender o conteúdo da Torá. Informou ao povo que lá ficaria por 40 dias, retornando na manhã do quadragésimo dia. Supondo que o dia de sua subida contaria como o primeiro dos quarenta dias, o povo esperava que Moisés retornasse no 16º dia do mês de Tamuz. Mas Moisés lhes dissera que estaria ausente durante 40 dias e 40 noites. Isto significava que ele só estaria de volta no dia 17 de Tamuz.

Explicam nossos sábios que após vivenciar a Revelação Divina no 6º dia de Sivan, o povo judeu tinha alcançado o zênite espiritual. Quando Moisés descesse do Monte Sinai portando as Tábuas da Lei, o objetivo da Criação estaria realizado e não mais haveria morte ou maldade no mundo. Ter-se-ia iniciado a era messiânica. Mas Satã, o anjo da morte que tem por missão tentar os homens com o pecado, lutaria com todas as suas forças malignas, até o final, para evitar que tal momento se concretizasse.

O sol nasceu e se pôs no dia 16 de Tamuz e Moisés não retornou. A apreensão tomou conta do povo. O que teria sucedido ao homem que os conduzira da escravidão para a liberdade? Estaria morto? O pânico apossou-se deles. O erro no cálculo, ainda que por um único dia, levou-os ao desespero e a trágicas conse-qüências. O Midrash revela que Satã, aproveitando-se da oportunidade, criou a ilusão de escuridão e tumulto e mostrou ao povo a imagem de Moisés já morto, sendo carregado nos Céus.

Em sua fuga do Egito, o povo judeu foi seguido pelos Eirev Rav – egípcios que, tendo aceito a liderança de Moisés, abandonaram sua terra durante o Êxodo. Cerca de três mil deles se aproximaram de Aarão – irmão de Moisés e o primeiro Cohen Gadol, Sumo Sacerdote – exigindo um ídolo para substituir o líder judeu: “Faze-nos deuses que sigam à nossa frente, pois quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito – não sabemos o que lhe terá sucedido” (Êxodo 32:1).

Aarão percebe que os Eirev Rav estavam instigando o povo judeu a cometer um erro deplorável. Mas temia que fosse morto, caso resistisse; um homem chamado Hur, um dos líderes judeus, recusara-se a fazer o tal ídolo e o tinham assassinado. Aarão, que sempre preferira a morte sobre a idolatria, percebeu que caso morresse, assim extemporaneamente, seria uma catástrofe para seu povo. E, por outro lado, esperava o pronto retorno de seu irmão. Buscando ganhar tempo, pede que lhe tragam muito ouro, certo de que o povo se negaria a abrir mão de sua riqueza. Mas o povo responde, de imediato, a seu pedido. Tiraram “das orelhas as argolas de ouro e as trouxeram a Aarão” (Êxodo 32:3). Este, então, junta o ouro todo e o atira ao fogo, esperando que de lá emergisse uma massa disforme, para assim dar mais tempo para que Moisés retornasse. Porém, os feiticeiros egípcios que se encontravam entre os Eirev Rav, com suas bruxarias fazem emergir do fogo um bezerro de ouro. E aquele bezerro de ouro os Eirev Rav entregam aos judeus: “É este o teu deus, Ó Israel, que te tirou da terra do Egito” (Êxodo 32:4).

Em sua última tentativa de evitar que os judeus adorassem o bezerro de ouro, Aarão edifica um altar e proclama a seu povo: “Amanhã será a festa ao Senhor” (Êxodo 32:5). Com suas palavras, deixa claro que a festividade seria para reverenciar o Senhor, D’us do Universo, e não o bezerro. Esperava, de fato, que quando seu irmão retornasse do Monte Sinai, juntos celebrariam a dádiva Divina, a entrega da Torá ao povo judeu. Mas Moisés não voltou na manhã do dia seguinte e o povo continuou a adorar o bezerro de ouro, cometendo atos imorais diante da estátua.

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