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A comunidade judaica portuguesa de hoje é formada por sefaraditas e asquenazitas. Inclui judeus do Marrocos, que chegaram no final do século XIX, russos e poloneses que fugiram dos pogroms da primeira metade do século XX e judeus da Romênia. Chegaram ainda judeus durante o período nazista, mas muitos não puderam ficar no país devido à rigidez da lei, que não o permitia. Asquenazitas e sefaraditas rezam nas mesmas sinagogas, explica Samuel Levy, presidente da CIL. A comunidade está estabilizada em seu número e, a cada ano, ocorrem um ou dois casamentos, completa.

Segundo Levy, cerca de 1.200 judeus vivem hoje em Portugal, embora o número seja contestado. Lisboa, Porto, Belmonte e Algarve formam o grupo das comunidades judaicas organizadas no país. Esther Mucznik afirma que o Congresso de 2004 e a conseqüente criação da almejada Confederação visa exatamente a englobar os quatro ishuvim. A tônica das relações intercomunitárias é a solidariedade e cooperação. Os elos são bem fortes e Lisboa, por ser a maior e mais organizada, presta assistência a todas as outras, explica. De acordo com Levy, Lisboa abriga cerca de 1.000 judeus, no Porto há em torno de 50, cerca de 100 em Belmonte e aproximadamente 40 no Algarve.

Tais números podem parecer ínfimos se comparados aos do Brasil, cuja maior congregação judaica a Congregação Israelita Paulista (CIP) tem sozinha 1.800 famílias associadas, totalizando mais de 7.000 judeus. No entanto, a CIL e o ishuv português como um todo vêm dando claros exemplos de que apostam num futuro próspero, baseado não em números, mas no fortalecimento da estrutura comunitária.

A criação da Confederação das Comunidades Judaicas Portuguesas pretendedar ao judaísmo português uma representatividade única, consistente e forte, perante a sociedade portuguesa. Deve ser uma confederação de comunidades, não de pessoas, declara Esther, a vice da CIL, que também diz que um censo para contar os judeus de Portugal deve ser realizado em breve. Levy, o presidente da comunidade, completa dizendo que nosso relacionamento com o governo português, assim como com a Igreja e com os muçulmanos, é respeitoso e muito bom. Eu não vejo preconceito anti-judaico no Portugal moderno, garante. Existe uma forte ligação entre a comunidade judaica portuguesa e o Estado de Israel.

Para o Embaixador de Israel em Lisboa, Shmuel Tevet, devemos parabenizar todos os esforços que vêm sendo feitos em prol do enriquecimento do judaísmo português. Minha esposa Nava e eu nos sentimos em casa.

Juventude: nova geração

Em março de 2002, o judaísmo português ganhou o primeiro movimento juvenil (tnuá) da sua história, o Dor Chadash (nova geração). Os jovens já contam com atividades para a ampla faixa etária de 4 a 25 anos.

Segundo Marcos Prist, seu coordenador, a idéia de estabelecer a tnuá partiu dele mesmo, que levou de São Paulo experiência suficiente no assunto - a comunidade judaica paulista possui doze movimentos juvenis e Prist foi responsável por um dos maiores, o Hashomer Hatzair. Mas não se trata de uma idéia isolada, e sim parte do projeto global de reestruturação da CIL que apresentei à comunidade, conta. Na sua opinião, para se conseguir continuidade, auto-gestão e formação de novos líderes não há modelo melhor do que o de um movimento juvenil.

Tikvá: comunicação

O boletim Tikvá é o principal veículo de comunicação entre os judeus portugueses, anunciando eventos religiosos e culturais, divulgando todas as atividades da comunidade, além de dar espaço a mensagens diversas, opiniões, sugestões, comentários. O casal Patricia Nanteuil e Joseph Lustigman, imigrantes franceses, foram os bravos idealizadores da publicação e seus mantenedores iniciais.

Quando foi lançado, apenas 200 cópias do Tikvá eram distribuídas. Este número rapidamente cresceu, e hoje o boletim já chega a mais de 2.500 leitores em Portugal, França, Suíça, Canadá, EUA, África do Sul, Brasil etc. Para Marcos Prist, o casal Lustigman fez um trabalho brilhante. Hoje, porém, não está mais à frente do boletim, que passou a ser coordenado pela própria direção da CIL. Renovado, ganhou novo formato com qualidade gráfica esmerada. E continua, o boletim acompanha o ishuv, vive um momento de abertura e de mobilização, de nova idéias e de grandes projetos.

Marcus Moraes
Jornalista responsável pelas notícias do site Morashá.com e correspondente da JTA (Jewish Telegraphic Agency) no Brasil e Portugal.
Colaboração: Esther Mucznik e Marcos Prist.


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