Revitalização do judaísmo português



Foto Ilustrativa

Os judeus portugueses estão eufóricos, neste começo do século XXI. O centenário da Sinagoga de Lisboa, oficialmente chamada Shaaré Tikvá (Portas da Esperança), tornou-se um marco para a comunidade judaica não só da capital, mas de todo Portugal, servindo como mola propulsora para a concretização de antigos anseios.

Edição 38 - Setembro de 2002
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Os preparativos para o primeiro Congresso das Comunidades Judaicas Portuguesas, agendado para 2004, vêm também recebendo atenção especial dos líderes comunitários. A criação de uma Confederação das Comunidades Judaicas Portuguesas é igualmente um próximo passo a ser alcançado, além da criação do Museu Judaico, a ser instalado na Sinagoga de Lisboa, que está sendo totalmente restaurada. O museu terá enfoque pedagógico e turístico, visando a divulgar e valorizar a história dos dois séculos da Comunidade Israelita de Lisboa, suas origens, a luta ao longo do século XIX pela sua unificação e reconhecimento oficial, o trabalho em prol dos refugiados da Segunda Guerra, os rabinos, as mulheres e os homens que deram ao ishuv vida e alma.

Shaaré Tikvá: 100 anos de judaísmo

Em 2 de junho passado, numa solenidade carregada de emoção e simbolismo, a Shaaré Tikvá estava completamente cheia para a comemoração dos seus 100 anos, com convidados da África do Sul, Estados Unidos, Israel e de vários países da Europa. Também marcaram presença líderes de outras religiões, além de representantes oficiais do Estado português entre estes o próprio presidente da República, Jorge Sampaio, que, embora não sendo judeu, poderia, segundo a Lei do Retorno, fazer aliá e tornar-se cidadão israelense, já que sua avó materna era a judia Bensliman Bensaúde. Representando o Estado de Israel estava seu Embaixador em Lisboa, Shmuel Tevet. Impossibilitado de comparecer, o presidente de Israel, Moshe Katsav, enviou seus cumprimentos por escrito.

A cerimônia teve momentos altos: o cortejo dos Sifrei Torá [rolos da Torá], a entoação dos salmos 100, 111 e 150 - os mesmos recitados 100 anos atrás, na cerimônia da colocação da primeira pedra da edificação a evocação dos nomes dos rabinos e ofi-ciantes que serviram a comunidade ao longo do século, e os cânticos do Jerusalem Cantors Choir - um coro de chazanim, vindos especialmente de Jerusalém, conta Esther Mucznik, a hiperativa vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, ou apenas CIL.

O cântico Chishki Chizki, entoado por ocasião da inauguração da Sinagoga Portuguesa de Amsterdã, em 1675, e a presença do rabino Abraham Levy, líder espiritual da Spanish and Portuguese Congregation of London, por sua vez ligada à Sinagoga de Bevis Marks, fundada por judeus portugueses no século XVII, foram um traço de união com o passado. As mensagens do Presidente do Estado de Israel e do Presidente da República de Portugal, conclamando à paz e à tolerância, representam um compromisso para o futuro, completa Esther.

A Shaaré Tikvá é a maior sinagoga de Portugal, em número de assentos; o Templo do Porto é o maior em tamanho e número de ambientes. Inaugurada em 1904, a Sinagoga de Lisboa segue o rito ortodoxo sefaradita português, mas com influência marroquina, explica o rabino israelense Shlomo Vaknin, líder espiritual da congregação, figura amplamente solicitada pela imprensa portuguesa. Vaknin lamenta que não se tenham os dez homens para compor o minian diário para as orações. No Shabat é diferente, frisa. A Sinagoga de Lisboa foi a primeira a ser construída depois das conversões forçadas e da destruição oficial do judaísmo português, em 1497. Por isso, tem um especial simbolismo para os judeus portugueses.

A cerimônia de 2 de junho marcou os 100 anos da colocação da pedra fundamental da sinagoga, em 1902. Os judeus de Lisboa davam, então, o primeiro passo para a concretização de um sonho: a construção de uma sinagoga que os reatasse com o passado da presença judaica em Portugal, antes da expulsão, abrindo simultaneamente uma porta de esperança para o futuro, explica a vice-presidente da CIL.

Ajuda brasileira

As necessidades do ishuv vinham se tornando maiores e o brasileiro Marcos Prist, 33, ex-assessor executivo do departamento de juventude da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) foi contratado, em janeiro deste ano, para assumir o cargo de Diretor Executivo da CIL, visando a otimizar, potencializar, coordenar e desenvolver o trabalho e as atividades nas áreas institucional, social, educacional e administrativa dessa comunidade.

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