Profetas e sábios
 

ITZHAK, O SEGUNDO PATRIARCA


Foto Ilustrativa

Edição 38 - Setembro de 2002

A sua história é marcada por milagres e júbilo, lágrimas e triunfo.
Itzhak, filho de Abrahão e Sara, é o segundo e o mais enigmático dos patriarcas judeus

Menu Completo
Morashá.com HOME
Revista Morashá
Clique acima e consulte as edições anteriores.

Seu nome significa, em hebraico, “ele rirá”, e segundo os místicos, o nome revela a essência de uma pessoa. Mas em seu caso, ao menos nominalmente, não há nada que sugira riso ou alegria. Muito pelo contrário, ele é mais lembrado pela Akeidá, impropriamente traduzida como “o sacrifício de Itzhak”, já que ele, em última instância, não foi sacrificado.

De acordo com a Cabalá, o patriarca Itzhak personificava o atributo Divino da guevurá – intensa justiça, auto-controle e disciplina. Ele dificilmente se encaixa na descrição de um homem cujo nome signifique “riso”. Teriam seus pais escolhido para ele o nome errado? Não. Itzhak não teve seu nome dado por seus pais, mas por D’us, Ele mesmo, em toda a Sua grandeza.
Dos três patriarcas, ele é o menos mencionado na Torá. Parece ironia, pois inúmeras obras foram escritas sobre sua pessoa. Ao longo de mais de dois milê-nios, a Akeidá tem intrigado e assombrado eruditos e leigos, judeus e não judeus.

Nossos sábios nos ensinam que as vidas dos patriarcas prenunciavam os acontecimentos que iriam ocorrer a seus descendentes. O que quer que lhes tocasse vivenciar, tocaria ao povo judeu em dias futuros. Por conseguinte, a Torá descreve episódios específicos da vida dos patriarcas com o intuito de nos ensinar lições, tanto como indivíduos quanto como nação.

Um nascimento milagroso

Sua vida iniciou-se com um verdadeiro milagre. Seu pai, Abrahão, o primeiro patriarca do povo judeu, personificava o atributo Divino de chessed – amor, bondade e generosidade. Foi um grande profeta de D’us, enquanto Sara, sua mulher, como nos contam nossos sábios, ultrapassou os poderes proféticos do marido. Durante toda a sua vida, o casal foi posto à prova pelo Criador, tendo sempre prevalecido a obediência e o temor a Ele. Em troca, foram abençoados por D’us – espiritual e materialmente – com uma única exceção, no entanto: Sara não conseguia engravidar. Para dar a seu marido uma descendência, ela lhe oferece Hagar, sua serva egípcia, a quem o Midrash identifica como sendo filha de um faraó egípcio. Abrahão estava com 86 anos quando Hagar dá a luz a seu primeiro filho, Ishmael.

Mas Sara não poderia deixar este mundo sem ter tido filhos. Treze anos após o nascimento de Ishmael, D’us promete a Abrahão que sua mulher, já com 90 anos, iria conceber e dar à luz uma criança. O Eterno até atribui o nome ao filho do casal, ainda por nascer: “É certo que Sara, tua mulher, dará á luz um filho, e chamarás seu nome Itzhak”. Um ano mais tarde, quando Abrahão tinha 100 anos de idade, Sara dá à luz a Itzhak. Trata-se claramente de um milagre o fato de uma mulher de idade tão avançada conceber. Com estas palavras, Sara celebra o milagre: “Preparou-me D’us riso e alegria, e todo aquele que isto ouvir se alegrará e se rirá comigo” – uma afirmação que se casa perfeitamente com o nome hebraico de seu filho.

Quando Itzhak nasceu, encheu-se de júbilo a casa de Abrahão. Para comemorar o nascimento do filho, o primeiro patriarca judeu ofereceu um suntuoso banquete e inúmeras festas abertas a todo o povo. Acorreram convidados de todas as partes, inclusive os homens mais importantes de então. E entre estes, contava-se, disfarçado, um visitante inesperado: o acusador dos homens, inimigo da humanidade, o anjo da morte e da destruição. Sim, o próprio Satã.

A Akeidá

Conta o Midrash que, após voltar das comemorações, Satã passa a difamar Abrahão perante D’us. Descreve o banquete e as festividades em grande detalhe, plantando a semente da intriga: “Sabes que Teu servo fiel, Abrahão, esqueceu-se de Ti... ao buscar somente sua alegria olvidou-se de Ti, Aquele que o abençoou com um filho...sim, de fato alimentou seus convivas, mas negligenciou ao não Te oferecer sequer um animal em sacrifício, como um modesto sinal de sua gratidão”. D’us não se deixa convencer. Jamais houvera ou haveria um homem que amasse tanto D’us quanto Abrahão. “Erras ao suspeitar dele, responde o Criador a Satã. “Tivesse Eu algo a lhe pedir e ele Me daria tudo o que é seu – até mesmo seu filho”. E, ao ouvir isto, Satã desafia o Senhor do Universo: “Testa-o, se tão certo estás disso”.

A prova veio muitos anos mais tarde, quando Itzhak era um homem de 37 anos. Encontramos este relato assombroso na Torá: “...E foi depois destas palavras que D’us experimentou a Abrahão. E disse-lhe, ‘Toma, rogo, teu filho, teu único filho, a quem amas – Itzhak, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali como oferenda de elevação, sobre um monte que te indicarei” (Gênese 22:1-2).

 

Próxima Página>>