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Durante
a infância, Hannah teve pouco contato com o judaísmo,
pois seus pais, assim como muitos judeus húngaros, haviam-se
assimilado totalmente ao meio circundante.
Hannah era uma criança especial. Desde pequena demonstrava
a força de caráter que moldou sua vida, sempre dizendo
que queria fazer uma diferença, no mundo. Brilhante
desde a infância, logo demonstrou um notável talento
literário especialmente para a poesia, primeiro em húngaro
e, posteriormente após se tornar uma ardente sionista
em hebraico. Com 13 anos iniciou um diário no qual
registrou seus pensamentos e os acontecimentos que marcaram sua
curta vida. É através de suas palavras no diário
e de suas poesias que Hannah se revela.
Sua vida em Budapeste
Hannah e seu irmão receberam uma excelente educação,
freqüentando as melhores escolas de Budapeste. Até completar
dez anos, a menina, excelente aluna, estudou em escola pública
de Budapeste, até conseguir ser aceita em uma escola particular
protestante, só para meninas. A escola havia recentemente
aberto suas portas a católicos e judeus, desde que pagassem
uma mensalidade maior. No caso de uma jovem católica, a escola
cobrava o dobro da mensalidade normal e, quando se tratava
de uma judia, o triplo. Apesar do crescente anti-semitismo na Budapeste
da década de 30, a mãe de Hannah nunca cogitou colocar
os filhos em uma escola judaica.
Foi nesta escola protestante que Hannah começou a conhecer
e amar o judaísmo. Um de seus professores era o rabino-chefe
de Budapeste, Imre Benoschofky. Grande estudioso e ardente sionista,
o rabino Benoschofky teve uma profunda influência sobre o
nascente interesse da jovem pelo judaísmo e sionismo, por
tudo que dizia a respeito de seu povo. Foi também nesta escola
que Hannah teve seus primeiros contatos com o anti-semitismo e com
a discriminação imposta aos judeus.
A década de 1930 foi difícil para os judeus da Europa,
um prelúdio do terrível pesadelo que iria abater-se
sobre a população judaica da região. Após
a Primeira Guerra Mundial, um crescente sentimento anti-semita começava
a tomar conta da Hungria. Assim como em outras partes da Europa,
os judeus eram vistos como os grandes responsáveis
por todos os males do país. O crescente anti-semitismo oficial
resultara na promulgação de uma dura legislação
antijudaica .
Na época, Hannah era uma jovem bonita, talentosa e decidida.
Ao completar 17 anos foi eleita presidente da sociedade literária
da escola, mas não assumiu o posto, pois foi informada de
que jamais uma judia poderia assumir a presidência de tal
ou de qualquer outra sociedade. Na ocasião,
a jovem escreveu em seu diário: Você precisa
ser alguém excepcional para lutar contra o anti-semitismo...
Só hoje comecei a realmente entender o que significa ser
judeu em uma sociedade cristã. Mas eu não me importo.
É porque temos sempre que lutar muito por tudo que queremos;
é porque é sempre mais difícil para nós,
judeus, atingirmos nossos objetivos que acabamos desenvolvendo qualidades
excepcionais... Se eu fosse cristã, todas as profissões
estariam abertas para mim.
Hannah sabia que se tornar cristã, como lhe havia sido sugerido
e como outros haviam feito, não era uma opção
para ela. Ao invés de se converter, abandonou a sociedade
literária, cortando todos os vínculos que tinha com
a entidade. Na mesma época tornou-se membro de um grupo sionista
jovem e muito ativo, os Macabim. No final de outubro de 1938, escreveu
em seu diário: Tornei-me sionista e esta palavra tem
para mim inúmeros significados. Agora sinto de uma forma
consciente e profunda que sou judia e muito orgulhosa de o ser.
Minha meta é ir para Eretz Israel e tudo farei para consegui-lo.
Em março de 1939 Hannah se formou. Era uma das melhores alunas
da classe e seus professores tentaram fazê-la desistir da
idéia de deixar a Hungria e ir para Eretz Israel, pois acreditavam
que ela devia tornar-se cristã e, com suas notas,poderia
ingressar na universidade e ter um futuro promissor.
Mas a jovem estava mais do que decidida. Assim que recebeu a resposta
de sua admissão em uma escola agrícola em Nahala,
embarcou rumo ao seu sonho a Terra de Israel. Era setembro
de 1939 e a Alemanha já iniciara sua campanha mortífera
contra a Europa e os judeus.
Sonho realizado
Ao chegar em Eretz Israel, Hannah escreveu sua primeira carta para
a mãe revelando sua felicidade por lá estar: Estou
em casa. Aqui é para onde me trouxe a minha ambição
de vida poderia dizer minha vocação, porque
sinto que, por estar aqui, estou cumprindo uma missão, não
apenas vegetando; aqui cada vida é o cumprimento de uma missão.
Para completar sua alegria, seu irmão Giora juntou-se a ela
poucos meses depois.
Em 1941 Hannah integrou-se ao Kibutz Sdot Yam, perto de Cesáreia,
e se alistou na Haganá. No ano seguinte, entrou para o Palmach,
braço armado da Haganá. Enquanto estava em Sdot Yam,
Hannah escreveu várias poesias e uma peça sobre a
vida no kibutz. Mas as terríveis notícias sobre a
situação dos judeus na Europa a deixavam angustiada
e preocupada. Assim como todos em Eretz Israel, ela sentia que devia
fazer algo para ajudar os judeus europeus. Estava também
preocupada com sua mãe, que ainda vivia em Budapeste. Hannah
queria de alguma forma voltar para a Hungria para salvar a mãe
e ajudar a organizar a saída de judeus especialmente
os jovens do país e da Europa. Em 1943, um milhão
e duzentos e cinqüenta mil judeus ainda estavam vivos na Hungria,
Eslováquia, Romênia e Bulgária.
Em 1943, Hannah se alistou no exército britânico para
poder participar da luta contra os nazistas, voluntariando-se para
uma operação de salvamento. O projeto se originara
nas pesadas perdas sofridas por bombardeiros aliados durante os
ataques. Os britânicos estavam convencidos de que havia necessidade
de mais informações sobre as defesas alemãs.
Diante disso, a liderança da Haganá fez uma proposta
à Grã Bretanha: judeus com ligações
nessas regiões poderiam ser lançados de pára-quedas,
sobre a Europa, para exercer a dupla função de agentes
secretos, ajudando os Aliados na Europa, e, ao mesmo tempo, tentar
organizar alguma forma de resistência nas comunidades judaicas.
Depois de muita hesitação, os britânicos aprovaram
o plano e 32 judeus palestinos 30 homens e 2 mulheres
foram aceitos para a missão. Hannah estava entre os primeiros
a se alistar. Os britânicos levaram os jovens para o Cairo,
no Egito, onde foram treinados. Todos que haviam-se voluntariado
para a missão eram nativos das regiões para as quais
seriam eventualmente enviados, falavam as línguas fluentemente
e ainda tinham parentes nesses países. Ninguém punha
em dúvida a coragem e a bravura dos jovens; todos sabiam
que a missão era muito perigosa e que poucos retornariam
com vida. Hannah incentivava seus companheiros, dizendo: Somos
os únicos a poder ajudar, não temos o direito de pensar
em nossa própria segurança; não temos o direito
de hesitar, de ter medo... é melhor morrer com a consciência
do dever cumprido do que voltar sabendo nem haver tentado.
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