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Qualquer um de nós ficaria entusiasmado
ao encontrar traços de seus ancestrais e se empenharia em
melhor conhecer sua cultura, suas tradições e seus
empreendimentos. É natural, portanto, que toda a humanidade
esteja curiosa em descobrir a sua procedência.
Consta no Midrash que Avraham Avinu, Abrahão, nosso patriarca,
procedente de uma família de idólatras, pesquisou
bastante sobre a origem da existência. Naquela época
a idéia de Um Ser Supremo, Criador do Universo e Gerador
das leis da natureza era totalmente descartada. O Midrash revela
como foi a busca e o raciocínio de Avraham e quais foram
suas descobertas.
Avraham começou por adorar a terra. Sendo esta a fonte da
vida, pois é desta que surgem o alimento e o sustento do
ser humano, o certo seria adorá-la e venerá-la. Porém,
ao refletir melhor, resolveu idolatrar os céus. Pois, pensou,
já que sem chuvas não é possível ter
plantações e a terra necessita obrigatoriamente da
benevolência dos céus, seria mais lógico, portanto,
reverenciar esta fonte.
Assim, Avraham começou a venerar
o sol, o astro maior e mais poderoso, visto a olho nu. Após
analisar profundamente o ciclo do sol e da lua, Avraham concluiu
que não era aceitável que estes astros se alternassem
por si só. Por que de noite a lua dominava os céus,
fazendo desaparecer o sol, enquanto, de dia, ela própria
desaparecia? Certamente havia Alguém atrás de todos
estes movimentos. Nesse exato momento, o Todo-Poderoso se revela
a Avraham, confirmando-lhe estar correto o seu raciocínio
e, como que a ratificar a descoberta, diz-lhe: Sou Eu o Autor
de todo este mecanismo.
Com suas reflexões, Avraham legou a toda a humanidade as
conclusões para determinar qual seria a fonte de nossa existência:
1) O Criador é aquele que dá
existência e sustento como no caso da terra.
2) O Criador é totalmente independente
e não necessita da ajuda nem da bondade alheia diferentemente
da terra que necessita da chuva.
3) O Criador é imutável
contrariamente ao movimento do sol e da lua.
Nós, descendentes do patriarca Avraham, sem sombra de dúvida,
acreditamos em uma Força Extrema Superior que gerou todo
o Universo. Porém, existem muitos indivíduos que têm
opiniões diferentes e confusas a respeito da existência
de Dus. Eles argumentam, para garantir sua comodidade, que
o mundo surgiu por si só e baseiam-se em certos estudos científicos
que, de acordo com muitos estudiosos, não têm coerência
nem fundamento.
Eis o que Rabi Akiva insistia em ensinar: Assim como a casa
serve de testemunha da presença do engenheiro, e assim como
a roupa é testemunha da existência do alfaiate, assim
o Universo é uma evidência óbvia da existência
de um Ser Supremo.
Algo tão simples e lógico
que, no entanto, a ciência se nega a reconhecer e a aceitar.
Se não é possível ter uma roupa sem alfaiate
e um edifício sem seu construtor, por que o mundo pode ser
uma obra sem Autor?
A resposta é relativamente simples,
porém muito significativa. O fato de acreditar que o alfaiate
é o autor da roupa não afeta nem atrapalha ninguém.
Porém, crer que há um Criador do Universo e que há
um propósito em sua existência, compromete e exige
um certo domínio por parte do ser humano. O homem fica assustado
em saber que há Alguém acima dele, que tem conhecimento
de todos os seus atos e pode controlar até mesmo seus pensamentos.
Prefere acomodar-se com a idéia de que não há
Criador e assim ninguém o perturba em seu modo de viver.
Uma visão distorcida
No século XIX, Charles Darwin lançou a teoria de que
a vida teria surgido de maneira espontânea, sem Criador. Segundo
ele, os sistemas vivos apareceram a partir de elementos da química
inorgânica que, após longos períodos, formaram,
aleatoriamente, um sistema primitivo de vida. Portanto,
os seres vivos deviam sua existência à teoria da evolução
e à seleção natural das espécies.
De acordo com sir Fred Hoyle, mesmo a vida
mais primitiva é ainda bastante complexa. Ele ilustra isto
usando como exemplo as enzimas que são um tipo de
proteína essencial à vida. Há cerca de duas
mil enzimas, diferentes umas das outras e cada uma com estrutura
e característica próprias. Segundo Hoyle, a probabilidade
de se obter todas as duas mil enzimas aleatoriamente é de
uma em 1040000. De acordo com outros peritos no assunto, a possibilidade
de que a primeira molécula orgânica tenha aparecido
ao acaso é de 10252. Esta probabilidade quase nula é
o resultado da molécula primitiva que surgiria.
Mas, deste ponto até a formação
de seres vivos e o nascimento do homem, a distância é
ainda muito longa.
Algumas observações
Imaginemos se Neil Amstrong, o primeiro astronauta a pousar na lua,
ao descer da aeronave espacial, encontrasse um relógio. Ainda
assim acreditaria ser o primeiro ser inteligente a ter pisado na
lua? Ele não concluiria que os russos tinham sido mais rápidos
e já teriam passado por ali, antes?
Porque, de fato, é difícil crer que todas as peças
e as engrenagens que constituem o relógio pudessem simplesmente
ter-se juntado, levadas por uma tormenta de vento, formando assim
um mecanismo perfeitamente harmonioso.
Porque é simplesmente ilógico
pensar que um objeto, relativamente simples como um relógio,
aparecesse espontaneamente, sem a intervenção de alguém
que o tenha concebido e outros que o tenham fabricado. Em outras
palavras, o projeto de algo é uma prova concreta de que houve
um autor que o idealizou com um determinado objetivo.
Na verdade, este princípio já está atuando
nas mentes dos astrônomos que acreditam que haja vida inteligente
em algum lugar fora da terra. Se tais criaturas racionais se aproximassem
da Terra à procura de outros seres inteligentes, de acordo
com o destacado astrônomo Carl Sagan, encontrariam logo uma
prova convincente de inteligência na Terra. Pois
ao verem habitações bem organizadas, rodovias e cruzamentos
urbanos, plantações e jardins, poderiam logo deduzir
que há inteligência por trás de todas essas
obras.
(Levítico 23:40).
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