Sabedoria e ética
De onde viemos?



Foto Ilustrativa

Edição 38 - Agosto de 2002


A questão sobre a origem do Cosmo é tão
velha quanto à própria existência do homem. Um filho adotivo procura saber quem foram seus pais biológicos e se esforça em rastrear sua aparição no mundo. Por mais alegre e satisfeito que esteja em viver com seus pais adotivos, o enigma de seu passado e ascendência o intriga.

 

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Qualquer um de nós ficaria entusiasmado ao encontrar traços de seus ancestrais e se empenharia em melhor conhecer sua cultura, suas tradições e seus empreendimentos. É natural, portanto, que toda a humanidade esteja curiosa em descobrir a sua procedência.
Consta no Midrash que Avraham Avinu, Abrahão, nosso patriarca, procedente de uma família de idólatras, pesquisou bastante sobre a origem da existência. Naquela época a idéia de Um Ser Supremo, Criador do Universo e Gerador das leis da natureza era totalmente descartada. O Midrash revela como foi a busca e o raciocínio de Avraham e quais foram suas descobertas.
Avraham começou por adorar a terra. Sendo esta a fonte da vida, pois é desta que surgem o alimento e o sustento do ser humano, o certo seria adorá-la e venerá-la. Porém, ao refletir melhor, resolveu idolatrar os céus. Pois, pensou, já que sem chuvas não é possível ter plantações e a terra necessita obrigatoriamente da benevolência dos céus, seria mais lógico, portanto, reverenciar esta fonte.

Assim, Avraham começou a venerar o sol, o astro maior e mais poderoso, visto a olho nu. Após analisar profundamente o ciclo do sol e da lua, Avraham concluiu que não era aceitável que estes astros se alternassem por si só. Por que de noite a lua dominava os céus, fazendo desaparecer o sol, enquanto, de dia, ela própria desaparecia? Certamente havia Alguém atrás de todos estes movimentos. Nesse exato momento, o Todo-Poderoso se revela a Avraham, confirmando-lhe estar correto o seu raciocínio e, como que a ratificar a descoberta, diz-lhe: “Sou Eu o Autor de todo este mecanismo”.
Com suas reflexões, Avraham legou a toda a humanidade as conclusões para determinar qual seria a fonte de nossa existência:

1) O Criador é aquele que dá existência e sustento – como no caso da terra.

2) O Criador é totalmente independente e não necessita da ajuda nem da bondade alheia – diferentemente da terra que necessita da chuva.

3) O Criador é imutável – contrariamente ao movimento do sol e da lua.
Nós, descendentes do patriarca Avraham, sem sombra de dúvida, acreditamos em uma Força Extrema Superior que gerou todo o Universo. Porém, existem muitos indivíduos que têm opiniões diferentes e confusas a respeito da existência de D’us. Eles argumentam, para garantir sua comodidade, que o mundo surgiu por si só e baseiam-se em certos estudos científicos que, de acordo com muitos estudiosos, não têm coerência nem fundamento.
Eis o que Rabi Akiva insistia em ensinar: “Assim como a casa serve de testemunha da presença do engenheiro, e assim como a roupa é testemunha da existência do alfaiate, assim o Universo é uma evidência óbvia da existência de um Ser Supremo”.

Algo tão simples e lógico que, no entanto, a ciência se nega a reconhecer e a aceitar. Se não é possível ter uma roupa sem alfaiate e um edifício sem seu construtor, por que o mundo pode ser uma obra sem Autor?

A resposta é relativamente simples, porém muito significativa. O fato de acreditar que o alfaiate é o autor da roupa não afeta nem atrapalha ninguém. Porém, crer que há um Criador do Universo e que há um propósito em sua existência, compromete e exige um certo domínio por parte do ser humano. O homem fica “assustado” em saber que há Alguém acima dele, que tem conhecimento de todos os seus atos e pode controlar até mesmo seus pensamentos. Prefere acomodar-se com a idéia de que não há Criador e assim ninguém o perturba em seu modo de viver.

Uma visão distorcida

No século XIX, Charles Darwin lançou a teoria de que a vida teria surgido de maneira espontânea, sem Criador. Segundo ele, os sistemas vivos apareceram a partir de elementos da química inorgânica que, após longos períodos, formaram, aleatoriamente, um sistema “primitivo” de vida. Portanto, os seres vivos deviam sua existência à teoria da evolução e à “seleção natural” das espécies.

De acordo com sir Fred Hoyle, mesmo a vida mais primitiva é ainda bastante complexa. Ele ilustra isto usando como exemplo as enzimas – que são um tipo de proteína essencial à vida. Há cerca de duas mil enzimas, diferentes umas das outras e cada uma com estrutura e característica próprias. Segundo Hoyle, a probabilidade de se obter todas as duas mil enzimas aleatoriamente é de uma em 1040000. De acordo com outros peritos no assunto, a possibilidade de que a primeira molécula orgânica tenha aparecido ao acaso é de 10252. Esta probabilidade quase nula é o resultado da molécula “primitiva” que surgiria.

Mas, deste ponto até a formação de seres vivos e o nascimento do homem, a distância é ainda muito longa.

Algumas observações

Imaginemos se Neil Amstrong, o primeiro astronauta a pousar na lua, ao descer da aeronave espacial, encontrasse um relógio. Ainda assim acreditaria ser o primeiro ser inteligente a ter pisado na lua? Ele não concluiria que os russos tinham sido mais rápidos e já teriam passado por ali, antes?
Porque, de fato, é difícil crer que todas as peças e as engrenagens que constituem o relógio pudessem simplesmente ter-se juntado, levadas por uma tormenta de vento, formando assim um mecanismo perfeitamente harmonioso.

Porque é simplesmente ilógico pensar que um objeto, relativamente simples como um relógio, aparecesse espontaneamente, sem a intervenção de alguém que o tenha concebido e outros que o tenham fabricado. Em outras palavras, o projeto de algo é uma prova concreta de que houve um autor que o idealizou com um determinado objetivo.
Na verdade, este princípio já está atuando nas mentes dos astrônomos que acreditam que haja vida inteligente em algum lugar fora da terra. Se tais criaturas racionais se aproximassem da Terra à procura de outros seres inteligentes, de acordo com o destacado astrônomo Carl Sagan, encontrariam logo uma “prova convincente de inteligência na Terra”. Pois ao verem habitações bem organizadas, rodovias e cruzamentos urbanos, plantações e jardins, poderiam logo deduzir que há inteligência por trás de todas essas obras.
(Levítico 23:40).

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