TRADIÇÕES MÁGICAS DOS JUDEUS OTOMANOS


Coroa de noiva com pedras azuis e vermelhas

O artigo mostra alguns hábitos e superstições dos judeus otomanos. Estas crenças fazem parte de uma “tradição mágica” comum às comunidades judaicas do Império Otomano. Este estudo não reflete todos os aspectos destas crenças e muitas estão fadadas ao desaparecimento.


Edição 37 - Junho de 2002
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Para evitar o mau-olhado

– Pendurar na entrada da casa ou de uma loja uma ferradura na qual se amarra um dente de alho e pedras de cor azul.
– Amarrar uma corda azul para balançar o berço de um bebê.
– Colocar em evidência pedras de cor azul ou vermelha no chapéu ou vestido de uma pessoa.
– Dizer “alho para teus olhos” porque se acredita que o alho tem um poder mágico.
– Dizer mashalá, expressão turca que significa “que D’us guarde”.
– Cuspir ou simular que se está cuspindo.
– Colocar um prego no bolso.

O casamento

– Durante a cerimônia de casamento o noivo coloca seu pé sobre o da noiva para expressar a submissão da mulher. Se, por sua vez, a noiva se apressar e colocar seu pé sobre o de seu marido, caberá a ela o controle do lar.
– Quando uma moça sem recursos se casava, emprestavam-lhe jóias antes dela ir para a mikvé. A noiva, então, usava estas jóias durante oito dias depois do casamento.
– Na visita que se costumava fazer no primeiro Shabat, presenteava-se os recém-casados com pequenos objetos de prata. O recém-casado colocava as peças em um prato e passeava com este ao redor da sala. Isto significa que se for escrito que um dia o recém-casado vai precisar pedir tsedaká, seu destino mudará já que ele cumpriu este ato.
– Era costume os noivos não saírem de casa por uma semana após o casamento. Durante o dia rece-biam visitas, conforme a crença de que se os recém-casados ficassem sempre sozinhos poderiam ser atingidos por forças negativas.
– No oitavo dia, o recém-casado saía de casa pela primeira vez e comprava peixes vivos que eram colocados numa panela grande cheia de água no meio do quarto. Nesta ocasião, trazia um presente para a noiva. Esta, por sua vez, vestia um de seus melhores vestidos e pulava três vezes sobre a panela. A cada vez que pulava pronunciava as seguintes bênçãos: “Que sejas abençoada com muitos filhos, assim como os peixes do mar, e que vivas muitos anos com teu marido e filhos até a velhice e o fim da vida (shivá)”. Este dia era chamado de “Dia dos Peixes”.

Para ajudar o amor matrimonial

– Se um marido se desinteressava da esposa, ela pegava a camisa dele, molhava nas ondas do mar e a preparava para que ele a vestisse.
– A esposa escrevia o nome do marido sobre três folhas de mirta, misturando-as, em seguida, ao vinho de Shabat e lhe dava para beber. (Este procedimento era usado também quando a esposa não amava seu marido).
– A mulher pegava o leite de uma mulher que estava amamentando uma menina e misturava com o leite que seu marido iria beber.
– Se o marido não gostava de ficar em casa, a esposa colocava pregos ao lado de sua cama.
– Se a mulher não queria que o marido desconfiasse dela, colocava sua camisa sobre um burro e depois a dava para que ele a vestisse.

Para ajudar a engravidar

– A mulher pegava um ovo de uma galinha, cozinhava-o em uma panela nova, cortava-o em dois com um fio de cabelo, comia a metade e jogava fora a outra.
– Uma mulher que não conseguia engravidar encostava sua barriga na barriga de uma mulher grávida.
– Dizia-se que ajudava engravidar se a mulher comesse um etrog, mais especificamente engolir a parte saliente do etrog.
– A esposa deveria dar a seu marido três ovos ralados para comer.
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