MILAGRE EM OHIO


Foto Ilustrativa

Há algumas décadas, Lilian Miller era uma jovem ativa, espirituosa e corajosa, que adorava dirigir seu carro por longos percursos, não se cansava facilmente e apreciava qualquer oportunidade de realizar uma boa ação.


Edição 37 - Junho de 2002
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Esta combinação incomum de características tornavam-na freqüentemente requisitada para realizar favores aos outros.

Devido a sua natureza bondosa, foi escolhida para levar dois jovens soldados a Fort Sill, em Oklahoma, partindo de sua cidade natal, New Castle, na Pensilvânia. Tendo cumprido fielmente sua missão e deixado os soldados na base, ela voltou imediatamente para casa.

Seguindo pela estrada, Lilian refletia. “Agora, você não está sendo muito realista”, puniu-se. “Você tem uma boa viagem de 18 horas pela frente. É melhor tomar um pouco de café, primeiro.”

Viu um pequeno restaurante à beira da estrada, com um letreiro brilhante. Parou o carro. Levou sua garrafa térmica e pediu à garçonete que a enchesse. Enquanto tomava seu café, perdida em seus pensamentos, uma voz queixosa interrompeu seu devaneio. Em uma mesa, um jovem soldado fardado chorava, silenciosamente. Uma garçonete aproximou-se tentando consolá-lo com palavras, mas nada que dissesse parecia ajudar. Lilian ouvia, propositalmente.
“É meu primeiro filho e quero estar lá com minha mulher,” disse o rapaz. “Eu não acredito que vou perder o nascimento do meu bebê!”

“Você está certo de que não é um alarme falso?”, perguntou a garçonete.

“Ela acabou de telefonar do hospital. O médico tem certeza de que ela está nos primeiros estágios do parto. Deve demorar um pouco, já que é o primeiro, mas o bebê está definitivamente a caminho.”

“Não acredito que você não tenha como chegar em casa,” disse a garçonete, solidariamente.

“Não há vôo daqui para Akron, e o próximo ônibus e trem somente partirão amanhã... Amanhã provavelmente será tarde demais!”

“Desculpe-me,” disse Lilian. Levantou-se, aproximando-se do soldado. “Desculpe, mas não pude deixar de ouvir sua conversa. Você disse que precisa chegar a Akron; Akron, em Ohio?”

“É isso mesmo,” disse ele. “Bem, é uma coincidência muito interessante”, disse Lilian, sorrindo. “Estou indo a New Castle, na Pensilvânia, que está a aproximadamente uma hora e meia de distância de Akron. Posso levá-lo a New Castle e, de lá, você pode tentar encontrar uma forma de chegar a Akron. Eu ficaria feliz em lhe dar uma carona”.

Por toda a viagem, o soldado continuou renovando seu contentamento, sua gratidão, sua apreciação e sua insistência para que Lilian o deixasse pagar a gasolina, as ferramentas e a própria viagem. Mas Lilian era mais obstinada do que ele.

“Guarde seu dinheiro para o bebê”, ela aconselhou. “Eu lhe disse que de qualquer maneira iria para New Castle”.

Mas quando chegaram à cidade natal de Lilian e ela voltou-se para informar o soldado de que haviam chegado, sua expressão suavizou-se. Ele estava dormindo, estendido no banco traseiro, parecia jovem, vulnerável e doce. Seu primeiro filho, ela pensou. E se ele não conseguir uma maneira de chegar a Akron, afinal? Tendo ido tão longe, como iria se sentir se perdesse o grande evento, que era o nascimento de seu filho?

Numa questão de segundos, ela tomou a decisão. Ela não iria acordá-lo e avisar que estavam em New Castle. Ela seguira em frente para levá-lo até o hospital em Akron. “Para mim,” ela pensou, “são apenas três horas fora do meu caminho. Mas para ele, significa toda uma vida.”

Quando chegaram a Akron, Lilian acordou o soldado suavemente e disse-lhe onde estavam. Surpreso, ele a olhava fixamente, dominado por sua gentileza. “Você realmente está em apuros por minha causa,” disse ele. “Como poderei algum dia recompensá-la? Por favor, dê-me seu nome e endereço, então poderei enviar-lhe algo como prova de minha gratidão.”
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