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OS SÁBIOS ENSINAM |
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UM CONTO SOBRE OS DEZ ESPIÕES |
 Foto Ilustrativa
Trata-se de um dos relatos da Torá que mais perplexos nos deixam. Pouco antes de o povo judeu adentrar a Terra Prometida, Moisés enviou 12 homens um representante de cada uma das tribos de Israel para espiar a Terra,...e vereis a terra, que tal é; e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se são poucos ou numerosos.
| Edição 37 - Junho de 2002 |
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Quarenta dias mais tarde, retornam os 12 es-piões. Como lhes ordenara Moisés, trouxeram consigo frutos da Terra, magníficos. Eles confirmaram a promessa de D'us: de fato, a Terra era boa,... e dela emana leite e mel. Mas havia um problema muito grave: o povo que nela habitava era forte e suas cidades, fortificadas.
Dois espiões mantiveram-se firmes e resolutos, confiantes de poder conquistar a Terra: Caleb ben Yefune e Yehoshua ben Nun. No entanto, os outros dez espiões... difamaram a terra que tinham espiado, diante dos filhos de Israel, dizendo: A terra pela qual passamos para espiar é uma terra que consome seus moradores.... O povo judeu acreditou nas palavras dos dez espiões e, após ouvir seu relato,... levantaram-se e ergueram suas vozes, e choraram; e o povo de Israel chorou toda a noite.
Dus enfureceu-se com essa reação. Antes mesmo de libertá-los do Egito, Ele lhes prometera conduzi-los à Terra de onde emanava leite e mel. Até quando Me irritará este povo?, disse o Eterno a Moisés. E até quando não acreditará em Mim, com todos os sinais que realizei, em seu meio?
O Todo Poderoso ameaça aniquilar o povo, mas Moisés intercede em seu favor, implorando a D'us para que não aniquilasse Seu amado povo. D'us se enternece e condescende em não destruí-lo, no entanto, Ele decreta que toda a geração que chorara naquele noite jamais haveria de pisar na Terra Prometida. E...errareis no deserto quarenta anos...Segundo o número dos dias em que espiastes a Terra quarenta dias por cada dia um ano um ano por cada dia.... Ironicamente, apenas os filhos deles iriam conquistar a Terra de Israel, aqueles poucos, aqueles que, segundo alegara o povo, iriam servir de presa aos habitantes da Terra.
A Torá nos apresenta, textualmente, um relato estarrecedor. Dez príncipes judeus, líderes das tribos de Israel, blasfemam sobre a Terra Prometida, tentando difamá-la. Revelam, ao que tudo indica, que apesar de todos os milagres e maravilhas ocorridos no Egito e no deserto, os judeus não confiavam em D'us. E se estudarmos os comentários de nossos mestres, a história ainda é mais espantosa. Quando os dez espiões retornaram da Terra, disseram ao povo que... Não poderemos contra aquele povo, porque ele é mais forte do que nós. Os Rabinos explicam, no Talmud, que eles fizeram uma alegação ainda mais forte. A palavra hebraica para do que nós também pode ser traduzida como do que Ele. Os espiões alegaram que as nações cananéias que habitavam a Terra, eram poderosas demais, até mesmo para o Onipotente!
E, contudo, esses mesmos dez espiões nos ensinaram uma lei fundamental no judaísmo. D'us se refere a eles como uma congregação má; e nossos sá-bios deduzem daí que uma congregação judaica é composta de um mínimo de dez homens. Muitas de nossas mais importantes orações e obrigações religiosas não podem ser realizadas sem a presença de dez homens. Devemos este conhecimento espiritual aos dez espiões. Pois como é possível que uma congregação má merecesse bênção e honra eternas de tamanho valor?
Trata-se, sem dúvida, de uma história muito estranha. Um acontecimento que suscita tantos questionamento óbvios, e, no entanto, tão difíceis de serem respondidos. Os místicos judeus os abordaram e nos forneceram uma história, interna e privilegiada, bastante diferente do que se pode depreender de uma leitura literal do texto sagrado. Vejamos: |
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