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Os judeus estão adaptados à vida no Irã. Perfazem a maior comunidade do Oriente Médio, excetuando-se obviamente Israel. Vivem relativamente bem e podem transmitir suas tradições para as gerações futuras. Entretanto, eles são ao mesmo tempo vigiados pelo governo e eventualmente podem ser usados como moeda de troca na delicada relação existente naquela região. Em 1998, treze judeus foram presos e condenados sob acusação de espionagem. Dois deles foram soltos no ano passado. Mais um foi libertado em janeiro deste ano de 2002. Os dez remanescentes aguardam julgamento numa prisão próxima a Shiraz.

Em junho de 2001, houve eleições presidenciais no Irã. O candidato vencedor foi Khatami, atual presidente. Desde que assumiu o poder em 1998, tem disputado, com braço de ferro, com os conservadores aliados do Aiatolá. Mas mesmo o liberal Khatami nada pode fazer com relação aos judeus presos, pois o Poder Judiciário é independente do Executivo e do Legislativo (que, aliás, abriga um judeu como um de seus vogais). Além disso, esse Judiciário é dominado pela ala política conservadora, apoiada pelo Aiatolá e seus seguidores. Esta é a grande disputa política que existe hoje no Irã, um embate entre conservadores – que querem manter as estruturas revolucionárias – e reformistas, que buscam mudanças sensíveis e necessárias à sociedade iraniana.

Michel Gordon
São Paulo, 2001
(As fotos pertencem ao autor)
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