O ROLO DE COBRE


Limpeza do Rolo de Cobre no Laboratório Valectra

Desde o início da década de 90, cerca de cem estudiosos de todo o mundo participaram das pesquisas, sob a supervisão do Departamento de Antigüidades de Israel.


Edição 36 - Março de 2002
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O resultado deste trabalho que envolveu cerca de 900 pergaminhos está sendo apresentado em 38 volumes, dois dos quais em fase final de preparação. Entre os documentos publicados está o conteúdo do Rolo de Cobre, com a suposta localização de tesouros do Templo.

Os Manuscritos foram encontrados entre 1947 e 1956 nas grutas de Qumran, região localizada ao sul da cidade de Jericó, na margem ocidental do Mar Morto. Segundo os estudos realizados, alguns são datados de aproximadamente 250 antes da era comum e outros do ano 70 da era comum. A maioria dos textos foi escrita em hebraico e sobre pergaminhos, porém há alguns em aramaico ou grego, em papiro. Entre as principais dificuldades encontradas pelos pesquisadores, está o fato de terem sido encontrados fragmentos, principalmente, e não rolos completos.

Os primeiros sete rolos foram descobertos ao acaso por um beduíno, em 1947.
Três desses foram comprados pelo arqueólogo E.L. Sukenik e quatro contrabandeados para os Estados Unidos. Foi somente em 1954 que o arqueólogo e filho de Sukenik, Yigal Yadin, conseguiu que estes últimos fossem encaminhados a Israel. Para marcar o fato, foi construído o San-tuário do Livro, um anexo do Museu de Israel, em Jerusalém, local que abriga a maioria dos fragmentos e no qual há uma exposição permanente dos Manuscritos do Mar Morto.

Entre os 900 pergaminhos reconstituídos pelos pesquisadores, cerca de 200 contêm o mais primitivo original bíblico conhecido, enquanto os demais incluem orações, rituais e regras provavelmente dos essênios, uma comunidade judaica isolada e austera que viveu em Qumran.

Um rolo, em especial, chamou a atenção dos pesquisadores. Diferentemente dos demais, que narram estilo de vida, hábitos e costumes dos essênios, este, além de conter textos literários, traz a suposta localização de tesouros enterrados há séculos.

Para alguns especula-dores, seriam tesouros do Segundo Templo, escondidos antes da sua destruição, no ano 70 da era comum. Para outros, seria o patrimônio acumulado pelos essênios, comunidade que fizera um voto de pobreza. De qualquer maneira, independentemente das teorias, segundo o conteúdo do Rolo de Cobre, foram escondidas mais de 200 toneladas de ouro e prata, que estariam à disposição de quem conseguir encontrá-las. Pois, como disse um arqueólogo israelense, ao se decifrar o Rolo de Cobre, o mesmo se tornou acessível a qualquer criança que saiba ler.

O Rolo de Cobre foi restaurado no Laboratório Valectra, unidade nuclear de Pesquisa e Desenvolvimento da estatal Electricité de France. Foi descoberto em 20 de março de 1952, em duas partes, na caverna de número três, próximo a Qumram, por Henri de Contenson, da Escola Dominicana de Arqueologia Bíblica de Jerusalém (EBAJ). A presença de rebites nas duas partes encontradas comprovou a teoria de que compunham um único documento, com 240 centímetros de largura e 30 de altura. Decifrá-lo, no entanto, revelou-se difícil por causa da oxidação do metal, que impossibilitou desenrolá-lo.

Em 1955, diante da falta de recursos, na Jordânia, para dar continuidade às pesquisas, o Rolo de Cobre foi enviado à Universidade de Manchester, Inglaterra, aos cuidados do professor H. Wright-Baker. A metodologia adotada implicou no corte do objeto em 23 peças, para limpeza, fotografias e decifração. A divulgação do conteúdo do Rolo de Cobre foi feita em etapas, a partir de 1956, pelo padre Joseph T. Milk, da EBAJ, responsável pela versão completa do texto, de 1962, com uma lista de 64 locais onde teriam sido escondidos os tesouros.

Nada no conteúdo decifrado, no entanto, responde a duas perguntas cruciais: de onde vieram os tesouros e qual a sua origem? Não existe consenso nas respostas. Durante um simpósio internacional realizado em setembro de 1996, no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade de Manchester, uma pesquisa informal revelou que a maioria dos 50 participantes acreditava no conteúdo do Rolo de Cobre, divergindo, no entanto, sobre a quem teriam pertencido: ao Segundo Templo ou aos essênios.
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