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PROFETAS E SÁBIOS |
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RABI SHABETTAI BEN MEIR HACOHEN |

Foto Ilustrativa
Sinceramente, eu trabalhei e me esforcei muito. Não me ocupei com mais nada e fiquei sem dormir, num estado de torpor por muitos anos, até cumprir o meu objetivo.
| Edição 36 - Março de 2002 |
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A declaração acima poderia, perfeitamente, ser atribuída ao autor. O professor Arnaldo Niskier não descansou, viajou, pesquisou, colou pedacinhos de um mosaico intrincado e de muitas cores que, aos poucos, foi revelando uma história cheia de sabedoria e dedicação. A afirmativa em destaque pertence a Shabettai ben Meir HaCohen, o Shabse ou Shach, um grande reformador do Talmud, que viveu apenas 42 anos (1621-1663), mas é considerado um dos maiores sábios judeus de todos os tempos. Niskier dedicou-se a pesquisar a vida e a obra desse seu antepassado ilustre que, na época em que viveu, foi chamado de Anjo de Deus e Luz do Povo. É ele o autor dos célebres Lamentos, construídos de forma poética e nos quais protesta contra o modo desumano com que os judeus eram tratados, na ocasião, pelos bárbaros cossacos. É a primeira vez que se tem conhecimento, em língua portuguesa, do teor desse dramático texto. Niskier relata sua emoção, ao encontrar, em Amsterdã, o texto do Shach:
Num pequeno livro de capa dura marrom, a Meguilat Eifo, na íntegra, preciosa, em 64 páginas, com todo o texto do Shach em hebraico antigo. Era o tesouro que buscava há mais de um ano. A impressão foi feita em Lodz, no ano de 1715.
(...) pude finalmente alcançar, nas palavras do meu antepassado, toda a dor provocada pelas ações criminosas dos cossacos.
Vejamos um trecho da narrativa poética e dramática dos Lamentos:
Vocês sabem, se já não ouviram que o povo de Hashem (Dus) de justo é chamado e suas palavras são temidas, dispersos, Nos quatro cantos da Terra separados e espalhados em todos os lugares em que as palavras do Rei
Hashem, o Todo-Poderoso, e Sua lei alcançam um grande luto se apossou dos judeus.
Jejuns, lamúrias e lamentos tornaram-se públicos grandes e honrados vestiram-se com sacos e jogaram terra sobre suas cabeças oficiais, condes e líderes
Sobre a Casa de Israel e sobre o povo de Hashem.
Mortos pela espada, atingidos por decretos e perseguições através das mãos de gentios impuros, vilões, amaldiçoados e malvados mataram milhares e centenas de milhares de pios, puros e justos.
Tiraram todos os rolos da Torá antigos e também os novos rasgaram-nos em pedaços e os espezinharam com os pés de humanos, animais, cavalos e cavaleiros.
Persistindo na busca pelos detalhes da trajetória de sua família, Arnaldo Niskier viajou para Holanda, Romênia, Estados Unidos, Itália, Israel, Portugal, Alemanha, França e Canadá, sempre colhendo pelo caminho mais uma pedrinha que se encaixava no mosaico iniciado.
O meu último gesto em Dachau foi apanhar no chão uma pedrinha redonda, que guardo comigo, certamente pisada por milhares de vítimas inocentes da Guerra, como a significar que ela ajudará a construir, com outras pedras, o edifício de uma consciência humana que impeça a repetição de tragédias como o Holocausto.
Na mistura das famílias Ha Cohen ou Hakohen, Rapaport ou Rappoport, Topel ou Topol, onde se inclui o ator do célebre filme O violinista no telhado, foi possível traçar a linha de ascendentes da família de Arnaldo Niskier: seu pai, Mordko Majer Niskier, era filho de Rifka Rapaport Topel e seus bisavós eram os primos Chaim Nuchym Topol e Chana Rachel Rapaport, descendentes do Shach. |
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