Precisamos entender como era possível que os discípulos do maior sábio da época não pudessem respeitar-se uns aos outros! Como se admitia que não cumprissem com o ensinamento do mestre? Sabemos que Rabi Akiva ensinava e repetia inúmeras vezes: E amarás o teu próximo como a ti mesmo.... Esta é uma grande regra na Torá. Será que os próprios alunos iriam desconsiderar as palavras do mestre?
Os livros mais complexos dão uma visão mais ampla do problema.
Os discípulos do grande sábio, sem dúvida, veneravam suas palavras. Porém, cada um acreditava piamente que apenas a sua maneira de servir a Dus era correta. Sabemos que assim como as fisionomias das pessoas são diferentes, assim também diferem as suas ideologias. Cada ser humano tem o direito de escolher a sua maneira de entender e adorar o Criador. Há aqueles que colocam mais ênfase no estudo, enquanto outros se preocupam mais com a caridade e outros, ainda, ficam satisfeitos em passar horas orando. Obviamente, todos têm o seu mérito.
Cada um dos discípulos de Rabi Akiva tinha sua própria convicção de que estava correto e deduzia, naturalmente, que o colega estivesse errado. Portanto, não respeitavam uns aos outros. De acordo com o princípio Amarás o teu próximo como a ti mesmo tinham a obrigação de retificar o outro, mostrando-lhe o bom caminho. Isto não é, de forma alguma, uma má idéia.
Entretanto, quem disse que era aquele determinado discípulo quem estaria correto? Porque acreditava que seu caminho era o verdadeiro e não o do seu colega? O desrespeito aos colegas lhes foi fatal. Apesar de aparentemente bem-intencionados, não tinham direito de faltar com o respeito ao outro e deveriam aceitar as opiniões alheias e a sua maneira de viver e de agir.
A lição é clara! Vemos a importância de respeitar e valorizar nossos semelhantes e quão vital é não deixar que nossos sentimentos pessoais anulem uma oportunidade de inspiração. Mesmo já passados milhares de anos, o drama dos discípulos de Rabi Akiva conti-nua inspirando-nos, no sentido de melhorarmos nossas atitudes e nossa vida coletiva e social.
Rabino Avraham Cohen |