MULHERES NA HISTÓRIA
HENRIETTA SZOLD


Foto Ilustrativa

Reconhecida pela sua atuação na vida da comunidade dos Estados Unidos, desempenhou um papel fundamental em prol do sionismo e da saúde pública no Estado de Israel.


Edição 36 - Março de 2002
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Revista Morashá
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Se somos realmente sionistas como afirmamos, qual o sentido de nos reunirmos apenas para tomar chá? Vamos fazer algo útil – vamos organizar as mulheres judias da América e enviar enfermeiras e médicos para Eretz Israel”. Com estas palavras, Henrietta Szold deu início ao processo que levou ao surgimento da Organização de Mulheres Sionistas da América – Hadassah *, movimento que se espalhou dos Estados Unidos para o mundo e deu origem à organização médica que leva o mesmo nome em Israel. Contando atualmente com quatrocentos mil membros, o movimento criado por Henrietta, em 1912, com apenas 38 mulheres, tornou-se o maior de todos o grupos sionistas norte-americanos e a maior instituição feminina judaica do mundo.

A mais velha das oito filhas do rabino Benjamin Szold – um dos líderes da comunidade judaica de Baltimore – Henrietta nasceu em 1860 e estudou, com seu pai, hebraico, Bíblia, Talmud e História Judaica, algo raro entre as meninas da época, além de ter freqüentado a escola judaica da cidade, onde aprendeu também alemão. Posteriormente, formou-se professora e assistente social, tornando-se uma das pioneiras na estruturação da vida e da cultura judaica nos EUA.

Acompanhando sempre de perto a atuação comunitária de seu pai, Henrietta pode observar as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes europeus vindos da Europa Oriental, principalmente aqueles que buscavam refúgio na América fugindo dos pogroms da Rússia. Foi pensando principalmente neles que, em 1898, resolveu colocar em prática uma idéia – organizar cursos noturnos para adultos nos quais os recém-chegados poderiam estudar inglês e se familiarizar com os princípios básicos da vida americana. Assim, simultaneamente à função de professora – que exercia durante o dia – começou também a lecionar para adultos, depois de alugar uma sala em um dos pontos mais baratos da cidade de Baltimore. A primeira aula contou com 30 alunos.

Henrietta, no entanto, não era uma personalidade passiva que se contentasse em desenvolver apenas uma atividade. Assim, além de lecionar, acumulava outras funções. Foi correspondente do jornal de Nova York, Jewish Manager, e costumava assinar os seus artigos como Sulamit. Em 1893, aos 33 anos, assumiu o cargo de secretária do Conselho Editorial da Jewish Publication Society (JPS), cuja missão principal foi editar as primeiras edições do American Jewish Year Book. Sua dedicação ao trabalho fez com que, até 1916, ela fosse, na prática, a editora das obras da sociedade. Nesse ano afastou-se da JPS para se dedicar totalmente à Hadassah.

Fluente em hebraico, alemão, francês e com amplos conhecimentos de ídiche, decidiu editar os textos acadêmicos de seu pai, após a sua morte, em 1902. Para isso, no entanto, sentia que lhe faltavam conhecimentos. Decidiu candidatar-se a uma vaga no Seminário Teológico Judaico de Nova York, sendo a primeira mulher a ser aceita na instituição. Paralelamente ao seu trabalho em prol da comunidade de Baltimore, Henrietta também se identificava com os ideais sionistas.

Assim, em 1909, acompanhada por sua mãe, fez a sua primeira visita a Eretz Israel e, como inúmeros judeus, viu-se diante do seguinte dilema – estabelecer-se na região e ajudar a construir um novo país ou retornar para os EUA e retomar suas atividades. Posteriormente, quando questionada sobre esse momento, dizia ter tido o seguinte pensamento: “Se eu fosse dez anos mais jovem, saberia que o meu lugar era em Eretz Israel. Naquele momento eu percebi que o sionismo era a tarefa mais difícil que eu já enfrentara até então... (mas) se não for o sionismo, não haverá nada... então será a extinção dos judeus”. Henrietta permaneceu em Eretz Israel até 1910, quando retornou a Baltimore e reassumiu suas funções na JPS, sendo também nomeada secretária da Federação Sionista dos Estados Unidos.

As imagens do que havia visto nas comunidades judaicas de Eretz Israel, porém, não saíam de seus pensamentos, principalmente no referente à falta de infra-estrutura e serviços básicos de saúde. Foi, então, que decidiu concentrar suas energias na organização de um movimento que tivesse como objetivo primordial melhorar as condições da saúde dos judeus na terra de seus ancestrais. Reunindo um grupo de 38 mulheres, expôs suas idéias. Era o dia 24 de fevereiro, que coincidia com a comemoração de Purim e lembrava a atuação da rainha Ester para salvar os judeus da trama armada por Haman. Inspiradas no exemplo da sobrinha de Mordechai, essas mulheres escolheram para sua organização o nome Hadassah, que significa Ester em hebraico, e Henrietta foi eleita sua primeira presidente. Durante a Primeira Guerra Mundial trabalhou ao lado da organização norte-americana Joint Distribution Committee em favor dos judeus de Eretz Israel.
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