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Adahan é responsável por um dos projetos da entidade, chamado Hitgabrut Brigade, que incentiva as crianças a falarem sobre suas emoções como forma de superar seus traumas. A palavra Hitgabrut significa superação ou conquista. Cada participante do projeto recebe um caderno no qual escreve diariamente sobre as experiências ou sensações positivas que tenha tido ou sobre suas pequenas conquistas, vencendo desafios ou superando situações que considera ameaçadoras. “Falar sobre tais sentimentos ajuda a fortalecer a auto-confiança e o espírito”, ressalta a psicóloga.

A instituição conta com o apoio de diversos segmentos da sociedade israelense. Um grupo de artistas, por exemplo, sob a coordenação do cantor Yehuda Katz, gravou um CD com grandes sucessos, intitulado The Stars Come Out... for the Kids, revertendo o lucro das vendas à entidade.

Ultrapassando fronteiras

Criada como uma organização que visava ajudar apenas crianças israelenses, a Kids for Kids ampliou suas atividades aos Estados Unidos, após os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono. Segundo Yeshara Gold, fundadora e diretora internacional da instituição, a extensão da tragédia de 11 de setembro de 2001 fez com que os responsáveis pela entidade percebessem que sua experiência poderia ajudar as crianças norte-americanas. “O fato de convivermos diariamente com a ameaça terrorista e, acima de tudo, com as vítimas da violência, levou-nos a desenvolver um projeto que pode, de alguma maneira, levar conforto às milhares de crianças que não apenas perderam pais e conhecidos, mas que de uma hora para outra viram ruir o mundo seguro no qual viviam. Nós podemos entendê-las e, o mais importante, as nossas crianças também”.

Neste sentido, foi implantado um projeto denominado “Abraços através dos mares”, através do qual jovens e crianças dos Estados Unidos comunicam-se diretamente com israelenses que tenham vivenciado a dor e a confusão conseqüentes do ódio e da violência gratuitos. Os participantes do projeto enviam mensagens ao centro da Kids for Kids especificando sexo e idade e são, então, encaminhados a um parceiro com o qual passam a se comunicar. Para participar, basta enviar uma mensagem para kids4kids613@hotmail.com. Um dos aspectos mais positivos desta iniciativa é que crianças, não importa o país onde vivam, confortam e ajudam outras que estão sofrendo”.

Outro projeto que está sendo realizado com crianças israelenses e da diáspora é o “Desenhando”. Segundo Rebecca Weinberger, porta-voz e consultora voluntária da Kids for Kids, “expressar-se é fundamental para a recuperação de crianças que não conseguem manifestar suas emoções; e o desenho é um instrumento que as ajuda a demonstrar seus sentimentos sem palavras. O projeto está sendo divulgado e executado em escolas e centros comunitários israelenses”. Para a diretora Gold, este é um projeto importante porque também dá a oportunidade a quem não vive em Israel de manifestar sua solidariedade aos que lá estão. Durante sua visita aos EUA, ela constatou o interesse de inúmeras instituições judaicas norte-americanas em desenvolver atividades em prol da Kids for Kids, tanto na arrecadação de fundos quanto na arregimentação de voluntários para os projetos da entidade.

Para reforçar essa afirmação, Gold mencionou uma intervenção feita por uma terapeuta durante uma palestra que proferiu em Nova York. A mulher perguntou: “Além de assinar um cheque com uma doação, o que mais nós podemos fazer para ajudar a Kids for Kids?” Ao saber de sua profissão, Gold respondeu: “Se vocês querem realmente ajudar, podemos iniciar um serviço de terapia on line. Vamos instalar equipamentos especiais nos computadores e as crianças terão com quem conversar”. Assim foi implantado o Love-on-Line, um dos mais recentes programas da entidade, que passou a contar com a colaboração de um grupo voluntário de terapeutas norte-americanos.

Uma entidade norte-americana, a National Conference of Synagogue Youth (NCSY), da União Ortodoxa, também decidiu adotar alguns projetos da Kids for Kids, entre os quais a venda do CD de cantores israelenses, e um concurso sobre Chanucá, realizado no final de 2001. De acordo com o regulamento da competição, jovens de Israel escreveriam sobre suas experiências com a violência e o impacto em suas vidas, relatando a maneira pela qual lidaram com a situação e superaram as dificuldades. O prêmio do concurso: uma viagem aos EUA, representando Israel, para um Shabat em uma sinagoga de NCSY.

Para Michael Glacer, voluntário da Kids for Kids que vive em Jerusalém, “este intercâmbio entre jovens israelenses e norte-americanos é muito bom, pois assim estes podem constatar que nós estamos lidando com a vida real, não com uma novela ou um programa de televisão. É importante, também, pois dá aos que ganharem esta competição a oportunidade de perceber que, apesar das dificuldades que enfrentaram, são vistos como vencedores. Este é mais um dos milagres da nossa vida em Israel”. Além do concurso, a NCSY está envolvendo jovens no trabalho em prol da instituição israelense. Grupos de meninas, por exemplo, estão confeccionando e vendendo caixas de tsedaká para arrecadar fundos. São crianças e adolescentes ajudando uns aos outros.
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