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Os professores judeus que deveriam ser protegidos ao máximo pelo seu papel fundamental na continuidade judaica têm sido severamente atingidos. O número dos mesmos reduziu-se, os salários caíram e os direitos adquiridos por anos de trabalho já não contam mais. Muitos abandonaram a carreira e é muito difícil achar outros. Quase simbolizando este perfil, um jornal comunitário anuncia que a escola judaica mais antiga da comunidade, de 100 anos de existência, está por fechar as portas.

Comprar a briga

O judaísmo argentino reagiu, nesta hora tão difícil, com todo seu vigor, fundamentado em seus arraigados valores judaicos e sionistas. As instituições e seus askanim têm redobrado seus esforços.

Mas tudo o que conseguem fazer perante a pobreza judaica é pouco face à magnitude do problema. Calcula-se que apenas 40% dos judeus pobres recebem ajuda, 60% não; e esta brecha continua aumentando, diariamente. Cinqüenta mil judeus pobres ou indigentes judeus; famílias judias inteiras que se perdem para a comunidade; instituições que se fecham quando, mais do que nunca, é necessário que existam e sejam fortes; muitas escolas desaparecem, perdem-se professores; tudo isto significa que este judaísmo está, hoje, em sério perigo.

Urge que surja uma resposta do coletivo do povo judeu. A solidariedade da pujante comunidade judaica do Brasil pode ser muito valiosa.

O tempo urge. Cada dia que passa sem solução significa mais famílias judias sofrendo privações básicas e correndo o risco de se desintegrar como família. Pais desesperados, crianças que não podem ir à escola judaica, jovens judeus desesperançados, colégios e sinagogas fechados. Vamos permitir isto ou vamos mostrar, uma vez mais, que somos um só povo, que aprendeu para sempre o princípio ético central da mensagem que nos deu a divindade: ‘Nós, judeus somos responsáveis uns pelos outros!"


Bernardo Kliksberg
Assessor das Nações Unidas, BID, UNESCO, UNICEF e outros orgãos internacionais.
Presidente da Comissão do Desenvolvimento Humano do Congresso Judaico Latino-Americano.
Recentemente foi lançado no Brasil seu novo livro "A Justiça social. Uma visão judaica" (UNESCO, Maayanot).
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