PROFETAS E SÁBIOS
UMA CELEBRAÇÃO AO REBE DE LUBAVITCH


Foto Ilustrativa

“O propósito e a intenção (de um verdadeiro líder) devem ser elevar a fé entre os homens e cobrir o mundo de justiça”.

Maimônides, “Leis dos Reis de Israel”, 4:10


Edição 36 - Março de 2002
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Comecemos com uma história verídica chassídica. Certa vez, em Rosh Hashaná, a alma do Rabi Israel Baal Shem Tov ascendeu aos céus por um breve instante. Mestre da Cabalá e fundador do movimento dos Chassidim, o Rabi deparou-se com o espírito do Messias, à espera de ser enviado ao mundo. “Mestre, quando virás ao mundo?”, perguntou. Ao que lhe respondeu o Ungido, “Quando as fontes de teus ensinamentos estejam disseminadas por todos os cantos do mundo”.

Os ensinamentos do místico e revolucionário Baal Shem Tov eram extremamente simples, em sua essência. Ensinavam que o homem devia viver e servir a seu Criador, continuamente, com alegria e sinceridade. Ele declarava ter sido enviado ao mundo para aprimorar e difundir o amor no seio do povo judeu: o amor a D’us, o amor a Sua Torá e, acima de tudo, o amor a seu semelhante.

Avancemos, agora, alguns séculos. No décimo dia do mês de Shevat do ano de 1951, um homem relativamente jovem, descendente espiritual do Baal Shem Tov, ascende à liderança da dinastia Chabad-Lubavitch. O Rabi Menachem Mendel, filho do Rabi Levi Yitzhak e de Chana Schneerson, torna-se o sétimo Lubavitcher Rebbe. Ao assumir oficialmente a nova posição, ele profere um maamar – um discurso chassídico, declarando que “os três amores – o amor a D’us, o amor pela Torá e o amor a nosso semelhante – são de fato um único amor. Não se pode diferenciá-los, pois sua essência é a mesma... Quando conseguirmos reunir as três formas de amor, teremos alcançado a Redenção”.

O dia em que o Rabino assumiu o leme do movimento Lubavitch completava exatamente um ano do falecimento de seu sogro e mentor, o sexto Rebe, o Rabi Yosef Yitzhak Schneerson. Durante um ano, o Rabi Menachem Mendel tinha sido consultado e adulado para assumir a liderança do movimento. No entanto, resistia. Quando uma delegação de idosos chassidim foi vê-lo, levando uma petição onde já o aceitavam como o novo Rebbe, ele pôs-se a chorar, com a cabeça entre as mãos. “Eu não sou talhado para isto”, dizia, desconsolado.

A Torá atesta que vários líderes do povo judeu – Moisés, Jonas e outros – inicialmente resistiram à chamada de D’us para que assumissem cargos de extrema responsabilidade. Foram escritos numerosos comentários para explicar essa hesitação inicial. No entanto, permanece sem resposta a pergunta sobre o porquê da resistência de grandes homens ao supremo chamado ao dever. Teria sido por uma humildade profunda, talvez mesmo mal-direcionada? Não o sabemos. Contam que o Rebe finalmente aquiesceu porque sua esposa querida, Chaya Mushka, segunda filha do Rabi Yosef Yitzhak, lhe teria dito que cabia a ele assumir o legado de seu finado pai.

De fato, quando falamos do Rebe, devemos sempre lembrar de seu sogro. Os dois conheceram-se no ano de 1923. Seis anos antes, os russos comunistas haviam declarado guerra aberta ao judaísmo. Todas as sinagogas e instituições religiosas tinham sido fechadas. Os líderes religiosos, presos, exilados e executados. Foi Rabi Yosef Yitzhak quem liderou o empenho para preservar o judaísmo na Rússia.

Os esforços heróicos do Rabi Yosef Yitzhak foram envoltos em grande sacrifício pessoal. Ele foi preso e torturado pelas autoridades soviéticas. Chegou a ser condenado à morte. Mais tarde, o decreto foi revertido e os comunistas o condenaram ao exílio na Sibéria. Até que também este decreto foi revogado e ele recebeu permissão de emigrar para os Estados Unidos.

Uma outra história verídica: certa vez, enquanto Rabi Yosef Yitzhak ainda estava preso, recebeu a ordem de mandar fechar a yeshivá de Lubavitch. Ele se recusou a fazê-lo. O interrogador chefe ameaçou-o sob a mira de um revólver. O Rabino permaneceu impassível. “Não tem medo de morrer?”, perguntou o soviético. E Rabi Yosef Yitzhak respondeu com palavras que servem de estímulo até ao mais tímido dos corações judeus: “Quem tem um mundo e muitos deuses, teme a morte. Quem tem dois mundos e um Único D’us, nada tem a temer”.
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