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O fim da operação

Após o general Pétain anunciar que a França de Vichy iria colaborar com Hitler, aumentaram os riscos para Fry e sua equipe. Ele ignorou várias advertências feitas pelo governo norte-americano, que o considerava um “encrenqueiro” e queria que voltasse para os Estados Unidos. Perseverou mesmo quando autoridades dos EUA retiraram o seu passaporte, deixando-o atuar em território inimigo sem nenhuma identidade. Fry ficou porque acreditava que os refugiados estavam acima de sua própria segurança.

Em setembro de 1941 Fry foi preso pela polícia francesa, sendo expulso do país com a anuência da Embaixada norte-americana. “Não podemos apoiar um cidadão norte-americano que está ajudando as pessoas a infringir a lei francesa”, disse um diplomata dos EUA ao próprio Fry.

Ao voltar para Nova York contou sua história, na tentativa de alertar o público norte-americano sobre os objetivos dos nazistas. Foi inútil, pois nada mudou na política norte-americana sobre refugiados de guerra judeus. Era tão crítico dessa política que o FBI abriu um arquivo sobre ele. Por isso teve dificuldade para conseguir um emprego durante o resto de sua vida. Em 1945 publicou o livro Surrender on Demand, no qual relatou sua missão em Marselha.

Varian Fry morreu repentinamente em 1967, em Connecticut, enquanto estava revisando suas memó-rias. O policial que o encontrou olhou para os documentos espalhados ao redor de Fry e incluiu em seu relatório que “o indivíduo morreu enquanto escrevia um romance de ficção”.

Infelizmente Fry passou quase toda sua vida sem que suas ações fossem reconhecidas. Somente alguns meses antes de sua morte a França o homenageou com a comenda da Legião de Honra.

Seus méritos, no entanto, ainda não haviam sido reconhecidos em seu próprio país. Isto aconteceu apenas em 1996, quando o então Secretário de Estado norte-americano, Warren Christopher, plantou uma árvore no Jardim dos Justos, no Museu do Holocausto Yad Vashem, em Israel. Fry foi o primeiro e único americano a ser agraciado com a medalha dos “Justos entre as Nações”, do Yad Vashem. Ainda em 1996, Warren Christopher homenageou Fry durante a abertura de uma exposição no Congresso dos EUA.

Em 1998, Fry foi homenageado com o título de “Cidadania Comemorativa do Estado de Israel”, concedido a alguns dos que foram condecorados com a medalha “Justos entre as Nações”.


Bibliografia:

"And Crown Thy Good" Varian Fry in Marseille - The Varian Fry Foundation and the Chambon Foundation;
"Memo to Congressmen" by Suzan Morgenstein, curator of the Varian Fry special exhibit at the United States Holocaust Memorial Museum. Updated by Walter Meyerhof;
La liste noire e Varian Fry - La République des Letters
A memoir, Miriam Davenport Ebel (1915-1999)
Varian Fry and the Emergency Rescue Committee: A Resource Guide for Teachers United States Holocaust Memorial Museum Washington, DC
"Varian Fry: Assignment Rescue, 1940-2941" exhibit Varian Fry Before and After Marseilles , Some biographical notes by Annette Riley Fry.
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