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Foto Ilustrativa
Varian Fry organizou em Marselha, no verão de 1940, uma rede clandestina de fuga conseguindo salvar das mãos nazistas personalidades como Marc Chagall, Hannah Arendt, Marcel Duchamp, Jacques Lipchitz, Wilfredo Lam, Max Ernst e André Breton.
| Edição 35 - Dezembro de 2001 |
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No verão de 1940, a França de Vichy concordou em prender e extraditar para a Alemanha todos os que se opunham ao regime nazista e que, nos anos anteriores à eclosão da Segunda Guerra Mundial, vindos de todas as partes da Europa, haviam-se refugiado na França.A maioria dos refugiados era composta por judeus, entre os quais artistas, intelectuais de renome e cientistas indivíduos especialmente vulneráveis por causa de sua proeminência. Homens e mulheres que, durante a primeira metade do século XX, fizeram da Europa o dínamo cultural do mundo.
Cientes do iminente perigo que essas pessoas corriam, membros de uma organização privada americana decidiram que algo precisava ser feito para salvá-los antes que fosse tarde demais. Sabiam que esconder-se era praticamente impossível para tais personalidades e que, se não fossem salvas rapidamente, eram enormes as chances de serem capturadas e deportadas da França. Alguém precisava entrar em território francês, encontrar tais pessoas e fazer o que fosse necessário para tirá-las da região.
Quem aceitou a tarefa, apesar de sua total inexperiência, foi um jovem jornalista chamado Varian Fry. Formado em Letras por Harvard, Fry não possuía treinamento na área militar ou de espionagem. Era um jovem culto, conhecedor de vinho e de artes plásticas, editor de um jornal em Nova York. Adorava ler poesias e observar os pássaros. Até desembarcar em Marselha naquele verão de 1940, nada em sua vida poderia fazê-lo antever que se tornaria herói.
Salvar judeus era uma missão de risco. Quando lhe perguntaram por que o fez, por que fora à França, respondeu: Porque os refugiados precisavam de mim. Mas era preciso coragem e esta era uma qualidade que, até então, eu não estava certo de possuir. Menos ainda, Fry poderia prever o impacto que suas ações teriam na cultura do pós-guerra, levando ao deslocamento do centro cultural do mundo da Europa para os Estados Unidos, após a Segunda Guerra.
Europa na década de 1930 e 1940
A odisséia de Fry começou, sem que ele soubesse, no dia 5 de junho de 1940, quando a Alemanha atacou o norte da França. O exército francês foi estraçalhado e os sobreviventes se refugiaram na região centro-sul do país, onde os alemães ainda não haviam conseguido chegar. Dez dias após o ataque inicial, Paris capitulou e tropas alemãs desfilaram pelos Champs-Elysées.
Derrotada, a França assinou em 22 de junho um armistício com a Alemanha de Hitler. O país foi então dividido o norte e a costa do Atlântico ficariam sob a ocupação das tropas alemãs enquanto o sul-sudeste passariam a ter um governo leal à Alemanha. Vichy passaria a ser a capital da França Livre e o general Pétain, seu líder. Entre as muitas cláusulas do armistício uma em particular alertou os refugiados: o artigo 19 previa que as autoridades francesas eram obrigadas a entregar aos nazistas qualquer pessoa que lhes fosse solicitada. Na lista dos mais procurados pelos nazistas constavam judeus famosos e críticos desse regime. Muitos haviam deixado a Alemanha com a subida de Hitler ao poder, outros estavam em solo francês vindos de outras partes da Europa. Alguns estavam em Paris há muito tempo, como o pintor Marc Chagall.
Durante o rápido avanço alemão na França, inúmeros refugiados e também cidadãos franceses deixaram Paris, mas o pânico tomou conta da cidade quando as tropas de Hitler entraram na capital. Centenas de milhares fugiram rumo ao sul. Cerca de quatro milhões de pessoas chegaram à chamada França Livre, mas não estavam a salvo, pois a qualquer momento as autoridades francesas poderiam prendê-las e extraditá-las para a Alemanha. Os que haviam feito da França seu refúgio nos anos anteriores à guerra estavam em sério perigo. A única esperança era deixar a Europa, razão pela qual milhares de pessoas foram a Marselha, o último porto francês livre, sentindo-se como ratos presos em um navio que já afundanva. |
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