Um segundo grupo foi detido na ilha de Jamaica pelos espanhóis e, parece que em novembro de 1654 ainda estava lá, ocasião em que representantes dos judeus de Amsterdã intercederam em favor das pessoas da nação judaico-portuguesa que partiram do Recife na fragata Valk. Sua petição solicitava que os cônsules holandeses de Cadiz e San Sebastian interviessem junto ao Rei de Espanha a fim de rogar a libertação dos prisioneiros judeus-brasileiros. O governo holandês deferiu imediatamente o pedido dos judeus, e no mesmo dia escreveu aos cônsules declarando, entre outras coisas, que considerava muito sério esse caso.
Desse grupo, vinte e três (23) tiveram melhor sorte: o mais antigo volume existente dos relatórios da cidade de Nova Iorque mostra que já em setembro de 1654 havia em Nova Amsterdã vinte e três (23) refugia-dos do Brasil, todos chegados do Cabo de San Antonio, Cuba, no barco Sainte Catherine. As circunstâncias que rodearam a sua partida do Recife no navio Valk, sua libertação dos espanhóis na Jamaica e sua eventual chegada em a Nova Amsterdã na companhia de um grupo de calvinistas holandeses foram ventiladas em outro livro do autor 5. Entre esses vinte e três (23) adultos e crianças, identificamos três homens citados no relatório da cidade como pessoas que assinaram o livro de atas da Congregação Zur Israel do Recife, no ano de 1648: Abraham Israel, David Israel e Mose Lumbroso.
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O Rosh Hashanah (ano novo judaico), no ano de 5415, caiu em 12 de setembro, e os adultos entre esses judeus, juntos com muitos outros que já estavam em a Nova Amsterdã, bem podiam ter dirigido nesse dia o primeiro dos cultos divinos a realizar-se na Ilha de Manhattan. Esses vinte e três judeus, refugiados do Brasil, foram os fundadores da primeira comunidade judaica de Nova York.
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Antes desse grupo, segundo relata José Antônio Gonsalves de Mello, já se encontrava em terras da Nova Amsterdã o judeu ashquenazita Jacob Barsimson - deve ser Jacob bar Simson, cujo nome aparece mencionado em documento do Recife, em 31 de março de 1647 (Dag. Notulen).
Fora ele o primeiro judeu a se fixar na que viria a ser a cidade de Nova York, para onde se transferiu através da Holanda.6 A informação é acrescida por Günter Böhm, salientando que Barsimson, depois do seu regresso do Brasil, saiu da Holanda a bordo do navio Pereboom, tendo aportado na Nova Amsterdã (depois Nova York) em 8 de julho de 1654, um pouco antes da chegada dos 23 judeus vindos do Recife.
Segundo comprovação de pesquisas junto ao arquivo do cemitério da Kahal Kadosh Shearith Israel, ou seja, Santa Congregação O Remanescente de Israel, daquela cidade, membros da Congregação Zur Israel do Recife aparecem em documentos da época. Um deles, Benjamin Bueno de Mesquita, um dos 172 subscritores do Haskamot, firmado no Recife em 30 de novembro de 1648, ali falecido em 1683, tem a sua lousa tumular preservada naquele cemitério.
Leonardo Dantas Silva |