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| A RELAÇÃO DO JUDAÍSMO COM A NATUREZA |

Foto Ilustrativa
Mas não é apenas através do calendário e das festividades e suas simbologias que o judaísmo expressa sua relação com a natureza. Na verdade, a atitude para com a natureza expressa, hoje mais que nunca, um critério pelo qual a sociedade deve ser julgada.
| Edição 35 - Dezembro de 2001 |
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Para ilustrar a verdade de que o homem não peca só para o mal, Rabi Shimon Bar-Iochai contava: Estavam alguns homens sentados numa embarcação e um deles, interpretando um presságio, pôs-se a abrir um furo debaixo do seu lugar. Seus companheiros exclamaram:
Que estás fazendo?
Replicou ele:
É acaso da tua conta? Não estou abrindo um buraco debaixo do meu banco?
Naturalmente é da nossa conta retrucaram os outros pois a água virará o bote e nós, com ele. (Vaicrá Rabá 4:6)
O judaísmo ensina o respeito à natureza como criação de Dus:
A terra é do Senhor e tudo o que há nela; o mundo e todos os que nela habitam(Salmos 24:1). O homem, por causa do grande poder que é capaz de exercer sobre o meio-ambiente, tem a responsabilidade de tratá-lo com respeito. Ele é o procurador de Dus na terra, disse Rashi, comentando o verso do salmo 115:16: Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, Ele a deu para os filhos dos homens.
Há ênfase especial na tradição judaica para que não se inflija qualquer sofrimento desnecessário aos animais, apesar de ser permitido o abate dos animais para a alimentação, desde que feito por um método que atenda a esse requisito. (Apesar de existirem judeus vegetarianos, o judaísmo não exige o vegetarianismo).
Para ilustrar, duas versões talmúdicas (do Talmud da Babilônia e do Talmud de Jerusalém):
O patriarca Rabi Iehudá I sofreu longos anos de dor de dentes. Por que fora castigado assim? Porque certa vez vira um bezerro levado ao matadouro; o bezerro balava, pedindo socorro, mas o Rabi disse:
Vai, que para isso foste criado.
E como se curou o patriarca? Um dia, vendo uma ninhada de ratos que iam ser afogados no rio, disse:
Deixai-os livres, pois está escrito: A misericórdia de Deus paira sobre todas as suas obras. (T.I. Quilaim, cap. 9). Certa vez Rabi Iehudá, o Príncipe, explicava a Lei perante uma assembléia de judeus babilônicos, em Seforis, quando viu passar um bezerro que procurava esconder-se e mugia com um som melancólico, como se dissesse: Salva-me!
Disse Rabi Iehudá:
Que posso fazer por ti? Para essa sorte (isto é: para seres abatido) foste criado.
Em conseqüência, Rabi Iehudá sofreu dor-de-dentes treze anos...
No fim desse tempo, sucedeu que uma doninha desatou a correr atrás da filha dele e ela quis matar o animal. Disse-lhe então o pai:
Deixa-a ir, pois está escrito: A misericórdia de Dus paira sobre todas as suas obras.
Decretou-se então no Céu:
Desde que Rabi Iehudá teve piedade, compadeçamo-nos dele.
E passou-lhe a dor-de-dentes. (Raba Metzia, 85a). |
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