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O verso que inspirou o poeta foi “Venha, meu amado, conhecer a noiva: deixe-nos receber o Shabat”. O Shabat é comparado a “uma noiva chegando à cerimônia do casamento”. Segundo a Cabalá, é no Shabat que se unem os aspectos masculino e feminino de D’us. No Shabat há a União do “Rei” e da “Rainha”.

Na época talmúdica, no Shabat, Rabi Chanina e seus discípulos saudavam a Shechiná como rainha e noiva. Conta a tradição: “Rabi Chanina vestiu-se e se levantou, ao pôr-do-sol da véspera de Shabat, e exclamou: ‘Venha e nos deixe receber imediatamente a Rainha Shabat’”. E continua: “Rabi Yannai vestiu-se, na véspera do Shabat, e exclamou: ‘Venha, ó noiva, venha, ó noiva’”.

Rabi Alkabetz compôs Lechá Dodi por volta de 1571. O poema é estruturado de tal forma que as primeiras letras de cada estrofe (com exceção da última) formam um acróstico de seu nome. Os dois primeiros versos do poema falam do Shabat, enquanto os outros versos enfatizam o sofrimento do povo judeu desde a execução, pelos romanos, no século II e.C. dos “Dez Mártires da fé”, até o sofrimento dos judeus na Espanha.

O poema transmite a esperança da redenção messiânica, quando Israel se erguerá da poeira do exílio. Na época em que foi composto, sensibilizou profundamente os judeus, pois após a expulsão dos judeus da Espanha as esperanças de Redenção eram muito intensas. Lechá Dodi se tornou o estandarte espiritual do movimento messiânico e da emigração de judeus para Israel.

Mistério em torno de sua morte

A morte de Rabi Alkabetz é envolta em mistério. Segundo a tradição, foi morto por um árabe que enterrou seu corpo sob uma figueira. No dia seguinte, apesar de fora da estação, a árvore floresceu, dando imediatamente frutos excepcionalmente grandes e deliciosos. Despertou a admiração dos que por lá passavam tanto por sua beleza quanto por seus frutos. Logo chegou aos ouvidos do governador turco a notícia do milagre. E este ordenou uma investigação para descobrir o porquê daquele fato extraordinário. Assim foi descoberto o corpo de Rabi Salomon. O governador chamou à sua presença um fazendeiro árabe considerado suspeito e a verdade veio à tona. O fazendeiro confessou ter assassinado o Rabi Alkabetz, contando que desde o dia em que o enterrou, a figueira começara a dar frutos. O assassino foi condenado à morte pelo governador turco.

Bibliografia:
Gutwirth, Israel, The Kabbalah and Jewish Mysticism
Aryeh Kaplan – Meditation
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