MONUMENTOS JUDAICOS EM HERAT

Uma pesquisa realizada em 1998 pelo International Survey on Jewish Monuments, uma ONG norte-americana, na cidade de Herat, no Afeganistão, comprovou que, além de ter sido um ponto estratégico na Rota da Seda e capital de uma importante civilização na Ásia Central foi, também, um centro judaico representativo.

Pesquisas arqueológicas e depoimentos de moradores da região confirmaram a existência de uma outrora florescente vida comunitária. Foram encontrados um pilar e uma pequena placa com dizeres em hebraico, que, segundo habitantes atuais da cidade, pertenciam à “mesquita dos judeus” ou da masjid-i-musahi.

Foram encontrados também restos de quatro sinagogas, de uma mikvê ou hammam-el-yahudia, localizados nos bairros de Bar Durrani e Momanda, na cidade antiga, uma região então conhecida como mahalla-yi musahia – ou seja, vizinhança dos judeus. As sinagogas foram chamadas de Mulla Samuel, Mulla Ashur, Yu Aw e Gul. A mikvê era identificada como Banhos Haji Muhammad Akbar. A estrutura de todas as sinagogas era feita de tijolos de barro.

O estudo realizado pelo International Survey on Jewish Monuments revelou que a situação enfrentada pelo Afeganistão nos últimos 30 anos (invasão pela ex-União Soviética e a guerra civil que levou ao poder o regime do Talibã) provocou a partida de quase todos os judeus que ainda viviam no país, o abandono das sinagogas e outras instituições e a sua reocupação pela população para outros fins. A mikvê, por exemplo, está sendo utilizada pelos homens. A sinagoga Mulla Samuel está sendo usada como escola primária para meninos – maktab; a Gul foi transformada na Mesquita Belal; e a Mulla Ashur, que um dia fora muito bem decorada, encontra-se em ruínas, totalmente abandonada.

A sinagoga Yu Aw, localizada em Momanda, está sendo usada como moradia. Embora uma fundação da ala oeste esteja intacta, duas das quatro salas originais estão totalmente destruídas. Parte do teto, de tijolos de barro, já ruiu e há infiltração de água nos telhados e nas paredes. A fachada oriental da estrutura está parcialmente aberta, o mesmo acontecendo com as salas principais de oração, no segundo andar, cujos tetos desabaram. Há, ainda, restos de decoração floral de forte influência persa, além de inscrições em hebraico em algumas paredes da ala norte, próximas às escadarias.