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| PRESENÇA JUDAICA NO AFEGANISTÃO |

Foto Ilustrativa
Lendas locais identificam a cidade de Bukhara, na República do Uzbequistão, como a bíblica Hator, e contam, inclusive, que inúmeros líderes tribais afegãos são descendentes das Dez Tribos Perdidas de Israel e de uma das esposas do rei Saul.
| Edição 35 - Dezembro de 2001 |
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Segundo a Bíblia, a cidade de Medes provavelmente localizada no noroeste da Pérsia, na região chamada Curdistão, foi um dos locais do exílio das Dez Tribos de Israel durante o período assírio. Teria sido nesta região das montanhas caucasianas, entre os mares Cáspio e Negro que inclui a área da Armênia, Geórgia, Azerbaijão e Daguistão que estiveram vagando os exilados das tribos, migrando posteriormente para o Uzbequistão, Bukhara, Turcomenistão e, a partir daí, para o sul do Afeganistão, Índia, Paquistão e, eventualmente, China.
Estudiosos do tema afirmam que o uso de nomes como Yusuf, Yusufzai, Yusufuzi e outros, era comum em tribos que acreditavam que seus ancestrais tivessem sido membros de uma das tribos perdidas. Yusuf significa José e Yusufzai, filhos de José. As tribos de José, Efraim e Menassés são três das que foram consideradas perdidas. Essas pessoas costumam denominar-se também Bani-Israel Filhos de Israel e, segundo sua tradição, seus antepassados teriam sido levados de sua terra natal. Estes teriam sido pastores em busca de melhores pastagens para seus rebanhos, trocando posteriormente a vida nômade por assentamentos em pequenas comunidades.
Ainda segundo os estudiosos, a família real afegã também remonta às tribos de Israel, sendo descendente da de Benjamin. Esta versão foi publicada pela primeira vez em 1635, em um livro intitulado Mahsan-I-Afghani. Segundo a obra, o rei Saul teve um filho chamado Jeremias, pai de um menino chamado Afghana. Com a morte de Saul e Jeremias na mesma época, Afghana foi criado pelo rei David, vivendo na corte, entre os hebreus, durante o reinado de Salomão. Ainda segundo esse relato, anos mais tarde, em função de conflitos na região de Israel, a família de Afghana fugiu para uma área chamada Gur, na região central do Afeganistão. Em 662, os descendentes de Afghana se teriam convertido ao islamismo. O líder da comunidade chamava-se Kish, como o pai do rei Saul. Ainda segundo essa crença, o profeta Maomé então recompensou Kish pela adesão ao novo credo e mudou o seu nome hebraico de Kish para o árabe A-Rashid, dando-lhe a missão de propagar o islamismo entre o seu povo.
Não há muitos relatos exatos sobre a chegada dos judeus à Ásia Central, nem sobre os seus países de origem. Há evidências históricas, no entanto, datadas do século X, de sua presença no leste da Pérsia e no norte do Afeganistão. Segundo a tradição oral dos judeus da Ásia Central, seus ancestrais partiram da Babilônia, rumo à Pérsia. Estudos referentes à chegada dos judeus na região, no entanto, não confirmam esta versão, ressaltando que esta migração deve ter ocorrido entre os séculos XIII e XIV e também nos séculos XVIII e XIX. De acordo com relatos de Benjamim de Tudela (ver artigo na pg. 45), no entanto, em meados do século XII havia cerca de 80 mil judeus na região de Ghazni, às margens do rio Gozan. Essa comunidade vivia isolada sem manter contato com o mundo exterior.
Idade Média
Em artigo sobre os judeus no Afeganistão, publicado pelo estudioso Guy Matalon na revista científica afegã Mardom Nama-Ebakther, o autor afirma que há poucos trabalhos sobre a origem das comunidades da região principalmente por falta de informações comprovadas. A maioria das comunidades judaicas na área que hoje integra o Irã, o Afeganistão e arredores acreditam que suas origens remontam aos exílios assírio (720 a.E.C.) e babilônio (560 a.E.C.). É difícil comprovar ou refutar tais afirmações, pois não há evidências arqueológicas para tal. Há, no entanto, uma referência bíblica sobre o exílio de uma grande comunidade que se estabeleceu ao longo do rio Gozan. Portanto, é possível que a crença sobre o estabelecimento de judeus na região do Crescente Fértil tenha bases históricas na medida que o exílio realmente aconteceu, explica Matalon. |
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