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Um outro estudo realizado por Gidron, em 1995, trouxe à tona um ponto interessante sobre a filantropia em Israel: diferentemente do que se poderia imaginar, a metade dos fundos arrecadados pelas várias instituições beneficentes em Israel é decorrente da colaboração de pequenos doadores israelenses. As doações locais para tais entidades, em 1994, atingiram o volume de US$ 71 milhões.

“Estas cifras não incluem os milhões de dólares que são obtidos através de campanhas com fins específicos, como por exemplo, para transplantes no exterior para pessoas carentes ou, como ocorreu em 1994, quando os israelenses arrecadaram US$ 3.7 milhões para os refugiados de Ruanda. Este valor equivaleria a uma arrecadação de US$ 170 milhões nos EUA, levando-se em conta a população do país”. Já em 1995 Gidron afirmava que 12% dos recursos das instituições filantrópicas eram obtidos localmente; os demais provinham de verbas do governo ou de prestação de serviços.

Em Israel, os filantropos e grandes doadores não estão interessados em publicidade e mantêm suas atividades filantrópicas longe dos holofotes. Em uma declaração feita, em 1995, ao The Jerusalem Report, Ami Bergman, do escritório israelense do American Jewish Joint Distributtion Committee, afirmou: “Nos EUA, uma pessoa torna-se um líder comunitário através de suas doações e é reconhecido por isso. Lá, a filantropia é um elemento vital do judaísmo de cada um. Em Israel, exceto por uma placa em memória de um ente querido, não há grandes manifestações de reconhecimento. A pessoa deve apenas estar convencida de que fazer donativos e trabalho voluntário é o que todos deveriam fazer”.

Segundo os especialistas, o crescimento das entidades filantrópicas e do número de voluntários está diretamente relacionado às necessidades crescentes da sociedade israelense e à dificuldade do governo em cumprir o seu papel enquanto responsável pelos vários serviços.

Como reflexo desta tendência, a atuação dos voluntários vem-se mostrando essencial em regiões mais carentes do país, como por exemplo, no subúrbio ultra-ortodoxo de Bnei Brak. Nesta região, por exemplo, as 25 primeiras páginas do livro das Páginas Amarelas são ocupadas por anúncios oferecendo os mais variados tipos de auxílio gratuito. “Ser voluntário faz parte da rotina comum em Bnei Brak”, conta a diretora do Departamento de Serviços Voluntários da Prefeitura.

Enquanto alguns especialistas mostram-se preocupados com a tentativa de redução do papel do governo, outros, como Jaffe, acreditam que esta é uma tendência dos tempos atuais. Para ele, o florescimento do voluntariado é um fato bonito e a parceria entre entidades filantrópicas e governo, dentro da qual estas últimas podem receber 50% de seus recursos do governo, é satisfatória e traz benefícios para a sociedade em geral. Jaffe é autor de um guia denominado Giving Wisely, que mostra a eficiência das instituições sem fins lucrativos e pode ser acessado na Internet através do www.giving-wisely.org.il.

“O governo está mudando o seu perfil e deixando de ser totalmente assistencialista. O Estado deve garantir determinados serviços básicos, mas não tem condições de cuidar de tudo. Se as autoridades querem trabalhar conosco, por que não? Afinal, quem conhece melhor o assunto do que um grupo sem fins lucrativos, criado há anos provavelmente por um voluntário dedicado, a partir de suas próprias necessidades e que, com o passar do tempo, tornou-se uma instituição organizada e eficaz? Todos que desejarem, sempre encontrarão alguma maneira de ajudar, seja doando fundos ou o seu tempo”, ressalta Jaffe.

Este conceito pode ser confirmado através da atuação da IPEX, uma empresa de alta tecnologia localizada em Petach Tikva, cujos funcionários vêm participando, há dois anos, de um projeto nas escolas de segundo grau. Semanalmente, ministram aulas de matemática, ciências, computação e outros temas que permitem o aperfeiçoamento dos alunos e ampliam suas possibilidades de obter melhores empregos.

Segundo a responsável pelo Departamento de Juventude da Prefeitura, “a iniciativa está trazendo ótimos resultados, os jovens estão adquirindo novos conhecimentos e aumentando sua auto-confiança”. Em contrapartida, o representante da IPEX revela que seus funcionários também estão apreciando a experiência, principalmente por darem sua contribuição para melhorar a situação dos menos favorecidos. “Estão felizes, pois dedicam parte do tempo ensinando aquilo que gostam e sabem fazer”.

Lista extensa

A lista de entidades filantrópicas em Israel é extensa e inclui abrigos para crianças vítimas de maus-tratos; grupos que se dedicam a proporcionar programas de lazer para crianças com deficiências físicas; centros de treinamento de cães para cegos. A maior de todas as organizações voluntárias do país é a Yad Sarah, criada em meados de 1970 por Uri Lupolianski, um professor de segundo grau que vivia em Jerusalém. Certo dia, ele precisou pegar um vaporizador emprestado de um vizinho, pois seu filho estava doente e a família não possuía o equipamento em casa.
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