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Durante sua viagem, o Rabino Benjamim, levado pela curiosidade e sede de saber, visitou igrejas e mesquitas. Descreveu Roma como “a capital do cristianismo, governada pelo papa, seu líder espiritual”. Constantinopla, em suas palavras, “sedia o trono dos patriarcas gregos, pois estes não obedecem o papa”. Em suas andanças descobriu, ainda, que as cidades de Trani e Messina eram os principais pontos de partida dos peregrinos cristãos à Terra Santa.

Seus relatos da vida intelectual na Provença e em Bagdá são de extrema importância, assim como os da organização da vida na sinagoga, no Egito. Interessou-se não apenas pelas seitas dos samaritanos da Palestina, mas também pelas dos caraítas de Constantinopla, além da seita herética de Chipre, cujas leis se assemelhavam às dos judeus durante o Shabat.

Para os estudiosos, são informações como essas que fizeram do Livro de Viagens do Rabino Benjamim de Tudela um guia turístico, de comércio internacional, das comunidades judaicas espalhadas pelo mundo na Idade Média e também uma obra para estudantes. Tudo em um único documento cujo mérito maior talvez tenha sido a capacidade do autor de narrar o que via não apenas através dos olhos, mas principalmente através dos sentimentos.

O roteiro de Tudela

O ponto de partida do Rabino Benjamin foi a cidade de Tudela, ao norte da Espanha, rumo a Barcelona, Provença e Marselha, de onde foi, de navio, até Gênova. Depois foi a Pisa e Roma, cidades nas quais, por causa das descrições detalhadas sobre os monumentos e antigüidades, deduz-se que ele tenha permanecido um tempo maior. Escreveu, também, sobre a comunidade judaica e suas relações um tanto dúbias com o papa Alexandre III.

De Roma, o Rabino Benjamin se dirigiu ao sul da Itália e descreveu as condições em Salerno, Amalfi, Melfi, Benevento e Brindisi. Navegou de Corfu até Arta, visitou vários locais na Grécia onde observou os tecedores de seda judeus e a colônia agrícola de Crissa, no monte Parnasos. Sua descrição de Constantinopla, tanto das condições judaicas quanto as não-judaicas, é melhor do que qualquer outra feita no século XII.

Navegou, também, pelo arquipélago de Agiam até Chipre, antes de chegar à terra firme. Seguiu, então, por Antióquia, Sidon, Tiro e Acre, na Terra Santa, a qual ainda estava sob o domínio dos cruzados. Viajou por vários locais descrevendo os lugares sagrados, os quais ainda chamava pelos nomes em francês. Assim sendo, Hebron é São Abrão de Bron. Em geral, suas descrições são muito mais objetivas do que aquelas dos viajantes cristãos da época. Sua narrativa dá uma visão clara de Jerusalém e da comunidade judaica de então.

De Tiberíades, Benjamim viajou para o norte até Damasco, chegando até perto de Bagdá. Ele desenhou a corte dos califas e as instituições de caridade da cidade. Descreveu também a organização das academias talmúdicas ainda existentes. O relato que fez sobre os drusos foi o primeiro em língua não-árabe. Segundo os historiadores, as anotações e descrições feitas após a passagem por Bagdá não são muito consistentes e, embora tenha realmente viajado até a Pérsia, suas descrições das condições locais aproximam-se mais das lendas do que de observações objetivas. Detalhes fantásticos surgem também durante suas impressões sobre a China, Cochin e Ceilão.

O realismo volta a permear sua narrativa quando menciona sua visita ao Egito em geral e, principalmente, a vida judaica no Cairo e em Alexandria, de onde iniciou a viagem de volta.

Nesta etapa, sua obra apresenta descrições ricas sobre a Sicília e sobre Palermo, de onde provavelmente voltou à Espanha de navio. Entrou em seu país de origem através da região de Castela.


Bibliografia:
“Benjamin of Tudela’s Fantastic 12th Century Book, Jewish Digest
(maio 1963). Turning back the clock: a look into history.
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