A FANTÁSTICA VIAGEM DE BENJAMIM DE TUDELA


Foto Ilustrativa

Baseado nas anotações que fez durante sua viagem da Espanha à Terra Santa, no período de 1159 ou 1163 até 1173 – não há informações exatas sobre a data – o trabalho foi escrito originalmente em hebraico e, posteriormente, traduzido ao latim.


Edição 35 - Dezembro de 2001
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Com o surgimento das máquinas de impressão, transformou-se em uma das obras mais populares da literatura judaica, sendo traduzido para vários idiomas.

Segundo historiadores da vida do rabino Benjamim, o famoso viajante do século XII partiu de Tudela, cidade espanhola na qual vivia, rumo à Terra Santa, com um objetivo bem definido: fazer uma peregrinação aos locais sagrados do judaísmo. E o que deveria ser uma rápida viagem de alguns meses, acabou transformando-se em uma aventura que durou mais de dez anos, com longas escalas durante as quais o rabino Benjamim procurou visitar comunidades judaicas e não judaicas, informando-se sobre seu estilo de vida, os governos vigentes, suas tradições e cultura, sua economia e, acima de tudo, suas populações.

Com os olhos e ouvidos sempre atentos, o viajante mantinha seu espírito aberto para registrar nomes, números, localizações geográficas, distâncias, velhos e novos monumentos. O resultado de sua epopéia pela Europa e pela Terra Santa foi descrito em uma narrativa marcada pela admiração diante de tudo que seus olhos viam e que se transformou em uma espécie de guia para aqueles que se propuseram a seguir seus passos e aproveitar de sua experiência.

A leitura do Livro de Viagem do rabino Benjamim ofereceu aos leitores de então uma maior compreensão do mundo, ampliando seus horizontes e dando-lhes a oportunidade de imaginar como era a vida além dos muros que cercavam suas províncias e cidades. Entre as contribuições práticas da obra, destaca-se o fato de se tornar uma espécie de “Guia de endereços úteis” para os peregrinos judeus durante a Idade Média, informando-lhes, por exemplo, sobre as cidades que ofereciam hospitalidade aos viajantes, entre as quais mencionou Montpellier, Gênova e Constantinopla. Ele descreveu as condições econômicas dos mercadores de Barcelona, Montpellier e Alexandria, falou sobre as atividades dos judeus, como os tintureiros de Brindisi, os tecedores de seda de Tebes, os curtidores de couro de Constantinopla e os vidraceiros de Alepo e do Tigre.

O livro contém, também, informações demográficas sobre as comunidades judaicas de algumas cidades da época: 20 judeus em Pisa, 40 em Lucca, 200 em Roma, 300 em Cápua, 500 em Nápoles, 600 em Salerno, 20 em Amalfi, entre outras. O Rabino Benjamim incluiu em seu diário de viagem também os nomes das principais lideranças comunitárias das regiões por onde passou; das cidades que possuíam boas escolas para estudos judaicos, como Montpellier, ou como Lunet, onde a comunidade subsidiava a educação dos jovens. Mencionou, também, a existência de uma escola de medicina cristã em Salerno e o fato de os acadêmicos de Constantinopla conhecerem profundamente a literatura grega.
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