ESTRELA DE DAVID SOB A ÓTICA DO MISTICISMO


Foto Ilustrativa

Segundo os ensinamentos da Cabalá, tudo ao nosso redor tem vários níveis de compreensão. Além do conhecimento revelado – puramente externo - existe um “saber “ mais profundo e oculto que nos permite perceber as dimensões espirituais de todas as coisas criadas.


Edição 35 - Dezembro de 2001
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Há, na Cabalá, inúmeras explicações místicas sobre a Estrela de David, mas todas giram em torno do ensinamento fundamental do judaísmo – a Unicidade , a Onipresença e Onipotência Divina – e de nossa esperança que D’us seja nosso Escudo protetor .

A Torá nos ensina que D’us , o Criador de tudo que há no universo, é a Fonte de todas as Fontes. Em Bereshit, D’us criou o universo nas “seis direções do espaço” : norte, sul, leste, oeste, de cima e de baixo. São chamadas as “seis extremidades “. Além de criar o universo é D’us que o governa e só Ele pode proteger-nos. As seis pontas da Estrela de David representam a esperança de que D’us nos protege por todo os lados.

Se analisarmos as várias dúvidas sobre a Estrela de David enfrentadas por historiadores estas se tornam claras à luz da sabedoria da Cabalá .

Por que até a Idade Média não há textos que ligam de forma explícita o símbolo ao nome?

Devemos relembrar que ensinamentos místicos eram transmitidos oralmente do mestre para o discípulo – de geração em geração – até uma época relativamente recente. Os discípulos eram cuidadosamente escolhidos e o conhecimento sempre restrito a pequenos grupos. Este cuidado tinha o sentido de proteção e não de proibição. Nossos sábios temiam que os ensinamentos místicos fossem mal interpretados ou usados de forma inadequada, o que muitas vezes se confirmou.

Mesmo quando escritos, os textos cabalísticos eram “codificados”, tornando-se acessíveis só aos ini-ciados. Somente a partir da Idade Média há uma maior divulgação dos ensinamentos místicos entre os grandes rabinos e sábios e, coincidência ou não, é nesta época que aparecem os primeiros hexagramas em manuscritos bíblicos e em mezuzot. E surgem também as primeiras explicações sobre o Maguen David.

Por que a Estrela de David pode ser encontrada em lugares como a Índia?

Segundo nossa tradições, os ensinamentos místicos podem ser traçados desde Abraão, a quem se atribui a autoria do primeiro livro místico, Sefer Yetsirá. Nele estavam contidos os ensinamentos que Abraão aprendera na academia dos filhos de Noé, Shem e Eiver. Ao afastar de Isaac seus outros filhos, Abraão lhes dá uma bagagem espiritual, uma parte da herança espiritual que iria dar a Isaac. Alguns dos filhos de Abrãao se estabeleceram na Índia. Por isso, não é tão estranho encontrar paralelos entre o misticismo judaico e as crenças que se desenvolveram nessa região.

Por que seis pontas? O que representa este número para a Cabalá?

No século XVII, Rabi Moshe Valli, médico e cabalista italiano, filho espiritual do grande sábio e cabalista Rabi Moshe Luzzato, escreveu em um de seus manuscritos que “o Maguen David é formado por seis pontas que correspondem às seis extremidades ou às seis direções do Microcosmo.” Esta figura de seis pontas representa, portanto, a Onipresença de D’us.

O conceito das seis extremidades ou as seis direções do espaço – os Céus e a Terra e as quatro direções (norte, sul, leste, oeste) – e ainda um sétimo ponto central é básico nos ensinamentos cabalísticos. Obras como o Sefer Ietsirá, o Zohar e o Sefer Bahir abordam o assunto. Segundo esta última obra, o mundo foi selado nessas seis extremidades.

Segundo o Maharal de Praga, no século XVI, o número seis representa a materialidade, enquanto o sétimo ponto a espiritualidade. Isto pode ser entendido se olharmos para um cubo que tem seis lados físicos. Mas bem no centro do cubo existe um ponto central que não tem volume nem direção, já que é um ponto. Também não pode ser alcançado pelo lado de fora, já que a superfície de um cubo é sólida. Este sétimo ponto representa a espiritualidade. Assim como o sétimo dia da Criação, o Shabat santificado, representa a espiritualidade no meio de seis dias físicos.
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