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PURIM |
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UMA DIMENSÃO MÍSTICA DO PURIM |

Foto Ilustrativa
O Baal Shem Tov, fundador do movimento chassídico e mestre da Cabalá, ensinava que nas questões sobre a Torá, um nome é tudo. Basta decifrar o nome de uma pessoa, de um objeto ou de um evento e a essência do mesmo estará desvendada.
| Edição 35 - Dezembro de 2001 |
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A festividade de Purim é envolta em mistério. Seu nome advém da palavra pur, palavra persa, não hebraica, que significa tirar sortes. A Meguilat Esther o livro da Torá que relata a história da festa explica: Por isso, àqueles dias chamam Purim (sortes) por causa da sorte que Haman havia lançado, determinando o dia em que os judeus seriam aniquilados. O nome da festividade aparentemente refere-se ao perigo com o qual os judeus se defrontaram e não à sua subseqüente libertação.
O nome Esther também é altamente significativo. Sugere algo encoberto, originando-se da mesma raiz que a da palavra hester, que quer dizer esconderijo. O Talmud liga o versículo seguinte da Torá com os eventos de Purim: (Dus declara)... E eu certamente esconderei o Meu rosto naquele dia... (Deuteronômio 31:18).
Outra peculiaridade extraordinária da festa de Purim é que a Meguilá não menciona o nome de Dus nem uma única vez. Todos os outros livros da Torá mencionam o Eterno inúmeras vezes. Isto também parece sugerir um profundo encobrimento Divino.
Contudo, Purim é considerado o dia mais feliz do calendário judaico, no qual devemos alegrar-nos mais do que em qualquer outra de nossas festas. É a época em que agradecemos a Dus pelos milagres, pela salvação, pelas maravilhas que obrou conosco.... Lembrem-se que um nome é tudo e observem que os cabalistas enfatizam o fato de o Yom ha-KiPurim (Dia do Perdão) o dia mais sagrado do ano poder também ser interpretado como Yom kPurim, em tradução literal, um dia como Purim.
Como podemos entender essas mensagens aparentemente contraditórias relacionadas a Purim? Como é possível que este dia, cujo próprio nome indica infortúnios para o povo judeu, seja transformado em uma vitória tão grandiosa e surpreendente? E por que este evento da história judaica, aparentemente despido da Divina Providência, é considerado um milagre Divino tão arrebatador?
Caos e ordem
O Talmud discute a história e os acontecimentos de Purim e pergunta: Que entidade teria dado a Haman um tamanho poder e influência ao ponto de ameaçar todo o povo judeu? Este talvez seja o maior enigma de Purim: como puderam a maldade e a iniqüidade desenvolver-se com tanta força através de Haman, apenas para serem completamente revertidas por Mordechai e Esther?
Ao descrever o ato da Criação, a Torá conta: E foi tarde e foi manhã, dia um. Cada dia da Criação tinha um momento de escuridão e um momento de luz, tinha o bom e o ruim. Nos seis dias da Criação, as coisas mais sagradas e as mais profanas foram criadas, todas recebendo igual atenção. Nos ensinamentos cabalistas, este mundo que influi no bom e no mal é chamado de tohu o mundo do caos.
Haman, primeiro ministro do rei Achashverosh da Pérsia, não foi apenas mais um entre os anti-semitas de nossa história. Descendente de Amalek, ele personifica a maldade e é o arquiinimigo histórico do povo judeu. Como nos conta a Meguilá, Haman construiu um cadafalso de 50-cúbitos1 de altura para nele enforcar Mordechai. Em termos numéricos, sua escolha é pouco usual. Um cadafalso de 50-cúbitos de altura em muito excede a altura de um ser humano. Mas Haman sabia o que estava fazendo. O número 50 simboliza o nível espiritual transcendental acima do mundo da ordem, onde não se pode distinguir o certo do errado. O cadafalso de 50-cúbitos de altura representava o desejo de Haman de atingir esse nível onde o mal pode imperar soberano.
Sua decisão de tirar sortes pur para escolher aleatoriamente a data em que aniquilaria os judeus não foi um ato impensado e sem razão de ser. Um sorteio representa o acaso, a sorte; a ausência de decisão e de ordem. Simboliza o caos. E num lugar em que não há ordem nem distinção entre o certo e o errado, a maldade só tende a florescer. |
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