AS AVENTURAS DE DANIEL E SEUS AMIGOS


Foto Ilustrativa

"O rei havia recomendado que lhes servissem os mesmos alimentos da sua mesa e que, no fim de três anos, fossem levados à sua presença. Os rapazes, porém, decidiram “não se contaminar” com a comida que lhes era oferecida".


Edição 35 - Dezembro de 2001
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Então Daniel pediu ao chefe dos eunucos que lhes desse somente legumes e água, mas o homem reagiu: “Impossível! Com essa dieta vocês aparecerão magros e pálidos ante o rei e eu, como responsável, serei enforcado. Nessa não caio!” Daniel não desistiu. Apelou para o cozinheiro: “Experimente; por dez dias, dê-nos somente legumes e água”. “Bem, por dez dias não custa tirar a prova”. Terminado esse prazo, estavam os quatro amigos com muito melhor aparência do que todos os outros do grupo e lhes foi mantida a dieta, como pediram. Passados os três anos, quando foram apresentados ao rei, impressionaram Nabucodonosor não somente pelo vigor que demonstravam, mas sobretudo pelo nível de inteligência e sabedoria “dez vezes mais doutos do que todos os magos e astrólogos que havia em todo o reino”. Hananias, Misael e Azarias tinham recebido do Senhor essa inteligência e, a Daniel, Ele dera o poder de interpretar visões e sonhos.

Ora, aconteceu que Nabucodonosor teve um sonho que o deixou perturbado e insone por várias noites. Sentia que era um sonho profético, mas não conseguia lembrá-lo. Então convocou todos os magos, os astrólogos, os encantadores, e lhes disse: “Quero que vocês descubram o que sonhei e me dêem a interpretação. Se acertarem, lhes darei grande recompensa, mas se não souberem serão enforcados”. Responderam todos: “Diga o rei o sonho aos seus servos e o interpretaremos”. Acontece que o problema sério era que Nabucodonosor não lembrava o que havia sonhado e o que ele exigia era impossível.

Nada conseguindo, o rei enfureceu-se e ordenou que matassem todos os sábios, inclusive Daniel e seus companheiros. Mas Daniel rogou-lhe que sustasse a matança e lhe desse tempo para a interpretação. Os quatro amigos apelaram para D’us. E foi revelado a Daniel o misterioso sonho. Levado à presença de Nabucodonosor, disse-lhe: “O segredo que o rei requer, nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos, o podem revelar. Mas há um D’us no céu para quem nada é escondido. Ele me mostrou teu sonho: uma grande estátua, cuja cabeça era de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de cobre, as pernas de ferro, os pés em parte de ferro e em parte de barro. A cabeça de ouro representa o próprio poderoso Nabucodonosor. As demais partes da estátua correspondem a futuros reinos, cada qual mais enfraquecido”.

Assim, Nabucodonosor, reconhecendo o poder do D’us de Israel, recompensou Daniel, nomeando-o governador da Babilônia e deixando-o levar, como auxiliares, os seus três amigos.

Passado algum tempo, Nabucodonosor mandou construir uma grande estátua de ouro e decretou que toda a população a adorasse. Quem não obedecesse, seria lançado num forno ardente. Todo mundo cumpria o decreto real, com exceção de Daniel e seus amigos. Vieram então denunciar ao rei que Hananias, Misael e Azarias não respeitavam as leis do país, nem adoravam a estátua de ouro. O rei interrogou-os, ameaçou-os de serem atirados no forno e perguntou: “Quem é o D’us que vos pode livrar das minhas mãos?” E os rapazes responderam: “O D’us a quem nós servimos pode livrar-nos. E é bom que saibas que não serviremos os teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro”.

Enfurecido, Nabucodonosor mandou que os atassem e os metessem no forno ardente, “sete vezes mais do que se costumava acender”. E atiraram os moços no forno, na presença do rei. De repente, surpreso do que via, Nabucodonosor interrogou seus capitães: “Não foram lançados só três homens atados dentro do forno?”
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